OITNB 3×11 — We Can Be Heroes

EPISÓDIO WE CAN BE HEROES MOSTRA LADO SOMBRIO DE PERSONAGENS E PREPARA O TERRENO PARA O FIM DA TEMPORADA.

Eu não gosto dessa versão de você.” — VAUSE, Alex

A primeira coisa em que pensei ao ver o título do episódio foi, claro, a música do David Bowie. Depois lembrei da versão do Moulin Rouge, com o Ewan McGregor e a Nicole Kidman cantando lindamente um pedacinho da música. Depois fui surpreendida com a chocante visão de Caputo e Fig na cama. Essa foi uma maneira interessante de começar We can be heroes pois todo mundo estava com a cena do estupro de Pennsatucky na cabeça ainda, tenho certeza. É uma forma explícita de destacar como é uma cena de sexo consensual e tal.

Soubemos então, logo de cara, que o primeiro episódio do trio final da temporada de Orange is the New Black seria focado em Joe Caputo, um dos personagem que mais se metamorfoseou durante as três temporadas da série. Logo no início de We can be heroes Fig nos deu o tom do episódio. Caputo sempre foi o cara que se achava o herói, que estava acostumado a se sacrificar pelas outras pessoas, mesmo que ninguém pedisse isso diretamente a ele. Seu senso de moral sempre o levou a fazer escolhas que colocavam os interesses de outras pessoas frente aos seus e isso meio que destruiu sua vida.

No primeiro flashback já acompanhamos a destruição de seu sonho de ser um campeão na luta greco-romana ao se acidentar numa “luta de mentira”. O jovem Caputo tentou realizar o sonho do rapaz com síndrome de down e nessa enterrou seu talento. Depois vamos a fatídica história da banda que ele criou e abandonou por um filho que não era dele que, claro, virou um grande sucesso. Temos também um vislumbre também de seu primeiro dia em Litchfield e o prazer de rever Rosa no passado.

We can be heroes

O azar de Caputo contrasta perfeitamente com suas tentativas de ser o cara legal. Toda vez que ele tenta fazer algo bom, ser o cara bacana, ele se ferra, e temos aí a fonte de toda a amargura que nosso “herói” carrega. Como a própria ex-mulher falou, Caputo passou sua vida abrindo a porta para os outros e esqueceu de viver para si. Uma história triste de um cara que tem uma visão deturpada de si mesmo e um senso de autopreservação baixíssimo.

Eu passei a gostar do Caputo durante o desenrolar dessa temporada, ao vê-lo lutando tão bravamente pela manutenção de Litchfield e pelo bem estar de suas presas e funcionários, no entanto me pergunto até quando seu senso de heroísmo em relação à penitenciária vai durar, pois como demonstrou ao jogar na cara de sua esposa tudo o que fez e largou por ela, ele é um cara que espera reconhecimento por suas “boas ações”, e todo mundo sabe que o mundo não funciona exatamente dessa forma. E essa mensagem é tão antiga e óbvia que está na Bíblia: “Que sua mão direita não saiba o que a esquerda anda fazendo”.

Acompanhamos também o primeiro (e rapidamente sufocado) milagre realizado por Nora. A quase fuga de Angie serviu mais uma vez para Caputo se colocar na posição de herói que resolve as coisas e culminou na discussão com Peterson que acabou levando-o a apoiar a formação do sindicato dos guardas. Senti dó de Angie perdida, sem saber para onde ir na rodoviária e deixando, assim, seu “milagre” escapar. Uma forma engraçadinha de mostrar que é meio difícil sair por aí aproveitando-se de uma vantagem que era devida a outra pessoa. Pobre Sara Rice.

De Angie para Piper, temos a conversão da loirinha ao lado negro da força. Piper se vê em meio a uma revolução trabalhista liderada por, vejam e surpreendam-se, Flaca Gonzales. E é essa insurgência de suas funcionárias que permite à mais nova empreendedora de Litchfield mostrar que o lugar realmente a está mudando. Piper cria um esquema totalmente ilícito de pagamento pelas calcinhas usadas e humilha Flaca perante todas as outras panty girls para dar uma lição na suposta líder do movimento sindicalista das calcinhas sujas.

A reflexão de Alex após a “dispensa” de Flaca é extremamente racional e eu sinceramente achei que fosse dobrar Piper, mas não rolou. E é nesse momento que Alex solta a frase que usei na quote da review e define totalmente a situação de Piper na minha cabeça agora. Eu também não gosto dessa nova Piper.

Eu gostava de me identificar com Piper, de vê-la agindo e pensando como eu agiria naquele lugar, mas ver sua corrupção e Alex, que sempre foi a sacana da história, sendo sua voz da razão é algo a se refletir.

E aproveitando o gancho sobre Alex, não tive como não achar hilária a história de ela precisar convencer Lolly de que é da CIA para não ser denunciada por agressão. O desenvolvimento desse plot foi absurdamente inesperado, mas acabou virando algo divertido. Penso que pode ser apenas um chamariz, para não percebermos que há realmente um perigo rondando Alex e, se houver, vou pelo óbvio e aposto em Stella, que é linda e interessante, mas algo nela me incomoda (e não é o sotaque australiano).

Temos também a consequência fatal da “história de amor entre duas pessoas com mais quatro outras pessoas e aliens” criada por Crazy Eyes: o afastamento de Berdie. Eu, particularmente, gostei bastante do que a nova orientadora trouxe para Litchfield e espero que ela volte. Berdie foi muito usada como contraponto de Healy durante a temporada, para mostrar o quão ambíguo ele pode ser e, mais do que pelas divertidas cenas de teatro, nesse ponto a passagem de Berdie trouxe vários méritos.

É fácil esquecer o quão mesquinho e misógino Healy pode ser quando o vemos cheirando as roupas de Red por aí, mas o papel do espectador é analisar e julgar esses personagens pois eles existem no mundo real. Healy é o personagem mais facilmente encontrado no nosso dia-a-dia: um cara superficialmente legal que possui um interior sinistro se formos olhar mais de perto. Quando vejo essas cenas me dá até vergonha de ter torcido por algo entre ele e Red, mas acho que a série trabalha de forma a revermos nossos próprios conceitos também, por isso mantenho o ship que lancei lá atrás. Afinal, se alguém pode colocar um babaca em seu lugar, esse alguém é a Red.

Por fim, comento da admirável atitude de Boo ao descobrir o que Coates andava fazendo com Pennsatucky. Gente, a Boo pode ser uma tremenda filha da puta quando quer, mas o senso de proteção e a amizade que ela nutre por Tucky mostram o quão linda essa personagem é. Dogget ainda não se sentia abusada. Ela estava SE CULPANDO por ter sido estuprada, e quase todas as vítimas se culpam pelo descontrole do cara. Ah, se todas tivessem uma Big Boo para abrir suas mentes… Mal posso esperar para ver a vingança que essas duas prepararão juntas.

E é isso. Faltam só dois agora e já estou ficando com saudade. Vai ser difícil passar um ano inteiro sem Orange is the new black.

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