Oito Mulheres e Um Segredo cumpre sua missão com glamour e inteligência

Sandra Bullock lidera elenco de atrizes talentosas, que merecem cada minuto do seu tempo.

O que pensar de oito mulheres reunidas em tela? A primeira coisa que vem na cabeça é como deve ter sido a batalhar nos bastidores, e depois o quão fútil pode ser o enredo – afinal, o que mulheres fariam em um filme além de brigar entre si e pensar em roupas e joias?

Oito Mulheres e Um Segredo prova o contrário: além de ressuscitar uma franquia que marcou os anos 2000, mostra que quanto mais mulheres talentosas juntas, melhor. Pode não ser o filme que você pediu (principalmente se for um fã do time de Danny Ocean), mas com certeza vai guardá-lo em algum lugar da sua memória.

Logo após ser libertada da prisão, Debbie Ocean (Sandra Bullock), irmã de Danny Ocean da trilogia de Steven Soderbergh, recai sob seus velhos hábitos e decide planejar um assalto, sendo o alvo um colar de diamantes avaliado em US$ 150 milhões, que ela planeja roubar enquanto é usado no MET Gala.

Com a ajuda de sua parceira de longa data, Lou Miller (Cate Blanchett), Debbie monta a equipe perfeita para executar esse assalto: Amita (Mindy Kaling), uma joalheria com habilidades para desconstruir um colar sob pressão; Tammy (Sarah Paulson), uma contrabandista que está dividida entre sua vida como uma mãe suburbana e a atividade ilegal; Constance (Awkwafina), uma batedora de carteiras, talvez um pouco motivada demais em suas habilidades; Nine Ball (Rihanna), uma hacker precisa e autoconfiante; e Rose Weil (Helena Bonham Carter), uma estilista famosa que atrai a celebridade Daphne Kluger (Anne Hathaway), que seria responsável por carregar a joia.

E o que te atrai nesse filme são justamente essas personagens. Ross sabe que sua força é esse incrível elenco de mulheres magnéticas, e nunca deixa o foco fora delas, mesmo quando os homens estão falando. Dos olhares hipnóticos de Blanchett, a persona agitada e preocupada de Carter, e as feições exageradas de Hathaway, tudo colabora para os efeitos que o roteiro quer causar no público. Awkwafina traz um “gingado” das ruas, e a frieza de Rihanna equilibram com as qualidades técnicas de Nine Ball.

Os homens ficam com pouca atenção, mas James Corden como o investigador John Frazier faz toda a diferença para fazer desse um grupo promissor no cinema. Tudo isso é compilado com uma edição que mantém o ritmo rápido e divertido, não permitindo que você perceba o quanto é superficial e previsível.

Oito Mulheres e Um Segredo

Eles são tão boas juntas que a maior desvantagem são os poucos momentos que são construídos para destacá-las individualmente. O enredo leva todo o foco, e a abordagem lúdica do filme minimiza o prazer de vê-las em conjunto. O filme gasta boa parte dos seus 110 minutos, entre a preparação para o evento e sua execução, descrevendo a cena que está prestes a acontecer. Esses momentos são muito breves – mesmo que prazerosos – e o filme segue em frente, deixando inúmeras oportunidades de fazer essas mulheres darem seu tom, improvisarem e tecerem uma relação além da tarefa principal do grupo.

É mais do que um filme de ação com altas doses de porradaria e tiroteio, e tenta evitar que as personagens sejam resumidas ao assalto em si. A trama passa pelo planejamento, depois vemos a execução, e então, à medida que a investigação se desenrola, é revelado que havia mais coisas acontecendo do que nós, enquanto audiência, somos levados a acreditar, permitindo que nossas heroínas escapem de qualquer acusação. É tudo funcional.

Um exemplo disso é como Ross e Milch suprimem o romance. Em vez disso, eles olham para o outro lado da moeda – o desejo de vingança. Dito isso, aumenta a credibilidade de que alguém tão inteligente quanto Debbie jamais seria pega em seu jogo – mesmo na segurança de um relacionamento supostamente amoroso. Apesar dessa dúvida, o esquema vingativo imposto ao traficante de arte Claude Becker (Richard Armitage) vincula suficientemente a narrativa.

O apelo básico seria o glamour da moda, mas o roteiro de Gary Ross e Olivia Milch também reconhece o mundo em que vivemos agora (mesmo que gravado antes do #MeToo). Não há muito em termos de conflito entre a equipe, ou no próprio crime, preferindo ressaltar a camaradagem feminina em vez de transformar isso em uma briga de egos.

A beleza deste filme está em permitir que essas atrizes, com um alto potencial, façam as coisas que pagamos para vê-las: nos encantar com a vivacidade e habilidade em tela. Elas transmitem brilho necessário e distrativo, criando um universo pequeno, mas divertido e inteligente, que se conecta com fluidez à franquia de Steven Soderbergh – até mesmo superando suas sequências.

Qualquer filme que ganhe uma versão em outro gênero, vai ter impactos diferente. Ironicamente, Oito Mulheres e Um Segredo não está aqui para enganar ninguém. É um filme simplesmente para entreter, para nos deslumbrar com piadas expressivas e um excesso de beleza com suas atrizes principais. Um próximo passo? Talvez uma vilã/vilão, que as façam provar que podem cumprir sua missão tão bem quanto qualquer outro homem.

Sobre o Autor

Leo Sousa

Séries de TV, filmes, realities shows, livros, música e mais. Editor no boxpop.com.br.

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