Onde Supermax errou?

Série inovadora da Globo fracassa na audiência da telinha.

Uma das reclamações mais constantes que se escuta do público brasileiro é de que as séries nacionais, especialmente aquelas produzidas pela TV aberta, não são atraentes e perdem muito para aquelas produzidas no exterior. Argumentam que somos bons em criar telenovelas marcantes, mas não investimos em séries de qualidade. Os exemplos de seriados impactantes são bem escassos.

Séries no Brasil, com exceção das comédias, são complicadas de terem continuidade. A maioria das produções dramáticas dura apenas uma temporada. O que acontece é que a equipe de produção se compromete apenas com uma única leva de capítulos. Talvez pela incerteza do sucesso e a imprevisibilidade da reação do público, a maioria acaba se envolvendo em outros projetos e as séries são deixadas de lado.

Você pode até discordar politicamente da postura da Rede Globo, mas não há como negar que a emissora é uma das que mais investem em conteúdo original. Entre erros e acertos, acabam conseguindo atingir patamares que outras emissoras nacionais não conseguem. As recentes minisséries Justiça e Felizes para sempre? são bons exemplos do que a Vênus Platinada é capaz de criar. Mas porque as séries não pegam?

Quando você vê que está prestes a cair numa cilada

Sucesso da internet

Supermax vinha sendo desenvolvida há mais de dois anos. Na CCXP de 2015, o público pode conversar com os criadores e descobrir algumas curiosidades sobre a produção da série. Uma mescla de reality show, histórias de terror e lendas amazônicas com efeitos digitais de qualidade, roteiro claramente inspirado em séries americanas e elenco afiado.

Depois de vários adiamentos da estreia, em uma iniciativa até então inédita para a Globo, Supermax teve seus 11 de 12 episódios lançados na plataforma digital GloboPlay. O sucesso foi imediato. Ainda mais porque o público brasileiro, já acostumado à Netflix, abraçou a série.

Algo sobre as séries da Netflix que precisa ser observado é que as séries dificilmente funcionam como episódios isolados. Como os episódios são todos lançados de uma só tacada, a história é distribuída em partes. É como se fosse um filme dividido em capítulos.

Supermax segue essa mesma lógica: funciona muito bem para ser vista de uma única vez. A história começa lentamente e, episódio a episódio, vai construindo sua narrativa. Naturalmente, isso só funciona se for visto em conjunto. Isoladamente, a coisa muda de figura.

Quando você entra num lugar que acha que é o máximo, mas se decepciona

Fracasso televisivo

O público de televisão é um pouco diferente daquele que vê séries ou mesmo os que se encantaram pela Netflix. Acostumados às novelas e às minisséries, querem algo diário. Se algo é semanal, acabam abandonando. Já aqueles que acompanham séries semanalmente, esperam por uma história que seja desenvolvida em cada episódio. Pode até ter um arco maior, mas é preciso que pequenos arcos conduzam o episódio.

Supermax falhou justamente nisso. Não foi pensada individualmente e sim em conjunto. Assim, acompanhá-la semana a semana não faz muito sentido. Ao contrário, até prejudica o entendimento da trama. Passa a impressão de uma história que não flui ou que demora demais em acontecer.

Além disso, Supermax enfrenta as comparações com séries americanas. Afinal, nela não há nada de realmente original. As situações vistas ali já foram vistas exaustivamente em outras produções. Não que isso seja necessariamente ruim, afinal, no mundo televisivo, nada se cria, tudo se copia. Porém, acabou não utilizando os clichês de maneira marcante.

Outro fator que pesou muito contra Supermax é o fato de ela ser brasileira. Ainda existe um preconceito contra séries pops produzidas no Brasil. Infelizmente, louvamos tudo o que é feito no exterior, mas não gostamos do que é criado por aqui. É como desprezar o funk carioca e gostar da Nicki Minaj cantando Anaconda.

No fim das contas, Supermax foi feita mais para a internet que para a televisão. São plataformas diferentes e as produções refletem isso. Que outras iniciativas como essa possam continuar sendo feitas. Quem sabe um dia acabem encontrando o tom certo para agradar os dois públicos?

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