Orphan Black 3×04 — Newer Elements of Our Defense

Em um emaranhado de cenas de ação, Orphan Black tem deixado de lado personagens importantes.

Nós dois fomos abandonados por nossas famílias. Deixados para sofrer. Vou fazer com que pare. Sem mais dor, pequenino.” — Helena

Orphan Black é uma série que sempre soube explorar muito bem os conflitos dos personagens. Porém, nesta corrida pelo genoma oficial, tais momentos não têm sido tão intensos e os episódios têm apresentado mais ação do que complexidade, com raros momentos de exceção. E nesse balaio de gato, há quem ande perdendo o brilho do protagonismo.

Alison Hendrix sempre foi uma personagem-chave para que a série chegasse até esse momento, mas, já estamos quase na metade da temporada e ela ainda não teve uma atuação de destaque na trama, já que o plot da eleição corre em paralelo a tudo o que vem acontecendo. Tirá-la de toda a ação é um desperdício de uma das personagens mais interessantes, e mesmo que seu momento Breaking Bad seja engraçado — e que faz dela um péssimo exemplo de mãe -, a personagem merece mais do que isso. Afinal cenas como a da primeira temporada, em que ela torturou o próprio marido, fazem falta.

Por outro lado, Helena tem roubado a cena, com uma participação bem relevante, mesmo estando encarcerada. Esse fato mostra o poder de uma personagem forte que, mesmo não transitando entre vários cenários, tem importância fundamental para a série. E não teve como não se emocionar com a cena em que ela mata um Castor para livrá-lo da dor de ser abandonado pela própria família, colocando de lado a própria chance de fugir.

Orphan Black

E se Alison não tem sido uma mãe muito exemplar, fica difícil achar uma classificação para a Mamãe Prolethean. Ela, em poucas falas, deixou bem claro que Gracie não é bem-vinda ao seio familiar e só estava ali por conta do bebê que carregava. Mal sabe ela que expulsando a filha dessa forma pode ter criado mais uma inimiga disposta a destruir a organização.

E mais um pouco da mitologia da série foi desvendado nesse episódio, com a revelação de que Jonhanssen — em um Complexo de Messias muito bem pontuado por Felix — usou a amostra do Castor original para gerar um filho, carregado por sua mulher. E é nos restos mortais da criança que pode estar a chave para a cura dos clones. Falta agora apenas recuperar uma amostra do Projeto LEDA — ou, se levarmos em consideração de que eles são irmãos, pode ser que o que for descoberto também ajude Cosima a curar-se.

Aliás, com o prosseguimento da tentativa de salvar Helena não tem sobrado espaço para Rachel, Delphine e o Dyad. Porém, em alguma hora elas terão que aparecer, pois tal plot não poderá ficar esquecido. E é preciso levar em consideração que Rachel tem informações sobre o Projeto Castor que podem ser úteis. Quando será que vão usar da ajuda dela?

O que se percebe é que, ao iniciar uma nova linha de narrativa, Orphan Black ficou superlotada de personagens, deixando como coadjuvantes alguns que tiveram importante destaque em temporadas anteriores. É uma evolução natural, afinal, a história precisa se desenvolver (mesmo que sintamos falta de alguns deles).

Por fim, fica cada vez mais claro que a atuação de Ari Millen não é tão eficiente quanto a de Tatiana Maslany. É fato que a atriz estabeleceu um patamar dificílimo de alcançar e/ou superar, mas dá para notar que Millen não é um mau ator, apesar de não conseguir distinguir com clareza os personagens que interpreta.

Porém, é possível dar um voto de confiança a ele ao levar em conta que eles foram criados juntos em um regime militar, o que leva a uma padronização de comportamento. Só é difícil que ele consiga segurar a onda por muito mais tempo. É torcer para que a trama seja encerrada ainda nessa temporada. Será que é pedir muito?

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