Orphan Black: um eficiente thriller sobre clonagem

A nova aposta da BBC America, Orphan Black conta com uma mesma atriz interpretando personagens distintas, versões diferentes de si mesma, mas com uma diferença básica entre outras heroínas que desempenham semelhantes papéis: não estamos falando de uma única pessoa se desdobrando em várias personalidades, e sim de uma jovem que descobre clones de si mesma!

O episódio piloto começa com uma sequência surpreendente, ainda que seu impacto seja ressentido pelos baixos valores de sua produção. Sarah (vivida por Tatiana Maslany), às voltas com sérios problemas, regressa à cidade com o objetivo de recuperar sua filha, Kira, a quem abandonou dez meses antes. Enquanto fala ao telefone em uma estação de trem, percebe a presença de uma mulher desesperada. Ao se aproximar da mesma, Sarah leva um choque ao perceber que se vê diante de uma cópia fiel dela mesma. O encontro dura muito pouco porque essa outra mulher se joga na frente de um trem em movimento. Sarah faz o que impulsiona a série: rouba a bolsa da jovem e, depois de presenciar a aparente boa vida da mesma, a identidade. A partir de então, Sarah passa a ser Beth.

O que os criadores Graeme Manson (Flashpoint) e John Fawcett (The Secret Circle) propõem neste thriller de ficção científica, que não se parece especialmente original, é uma história a ser construída pouco a pouco. Enquanto a ação avança e começamos a confabular que Beth era um clone, e não é o único, os primeiros sinais de delírio fazem sua aparição, confundindo o espectador sobre o que é real e o que pode ser imaginação.

Orphan Black

O roteiro, no piloto, explora bastante essa dualidade e o velho do que parece, mas não é. Sarah não custará a perceber que assumir uma nova vida para escapar da antiga não foi, necessariamente, uma boa ideia. Há muito mais além da semelhança física entre as duas. E isso a protagonista não demora muito a descobrir.

Há que se fazer um elogio à atriz Tatiana Maslany. A jovem demonstra uma confiança em si mesma, algo difícil mesmo em atrizes já estabelecidas. Ela é a melhor surpresa de Orphan Black. Em um único episódio, o espectador é capaz de diferenciar Sarah de Beth por detalhes da interpretação, sem mudar praticamente nada na caracterização. Tal talento será percebido nos episódios subsequentes, quando surgirem os demais clones.

O problema aparente é que, como sua heroína, a série sofre sérios problemas de identidade. Em geral, parece levar-se a sério e apresenta um jogo de espelhos em que nada é importante, nem mesmo a morte, com um toque de comédia ácida. De repente, especialmente com os assuntos relacionados à filha abandonada, parece exigir do espectador um nível de investimento emocional suspeito. Por enquanto, Orphan Black é entretenimento intrigante, um guilty pleasure bem acima da média e que conseguiu uma renovação para a segunda temporada.

Acompanhem o trailer e vejam por si só.

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