Os Defensores somam forças para acertar as contas com os fãs da Marvel

Minissérie lançada pela Netflix na última semana, que reúne os quatro heróis do serviço de streaming, empolga mas demora para emplacar.

Netflix e Marvel trabalharam muito bem nos últimos anos para criar ambientes bem singulares dentro do mesmo universo. Embora situadas em Nova Iorque, Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro se estabeleceram com histórias independentes, mesmo que personagens e até alguns arcos narrativos (nas HQs e na TV, também) se cruzassem de alguma forma. Eis que chega a hora desses quatro heróis dividirem o mesmo espaço.

A primeira impressão que dá é que um ponto de equilíbrio e necessário para concentrar essas quatro jornadas em uma só. Considerando que são apenas oito episódios, um sinal de alerta se acende — é preciso fazer isso o mais rápido possível. É um trabalho árduo, mas impressionante. Marco Ramirez, que também trabalhou na segunda temporada de Demolidor, conseguiu colocá-los num mesmo cenário, usando bem a paleta de cores de cada um, e a sonografia particular.

Nos primeiros quatro episódios, a habilidade de cada um desses heróis é testada — Matt Murdock com seu sentido aguçado, Jessica Jones e o seu olho investigativo, a proteção à prova de balas de Luke Cage e as artes marciais de Danny Rand são usadas para uni-los, num sentido que esses poderes se completassem de alguma forma.

Mas os problemas não demoram a surgir. A dinâmica dos quatro funcionam bem até que cria a necessidade do mesmo tempo de tela para cada um deles, de maneira a dar a explicação necessária deles estarem juntos — afinal, cada um deles, separadamente, já enfrentaram vilões tão perigosos quanto Alexandra e as mãos do Tentáculo. A medida que a trama avança, vai se tornando numa convenção de superpoderosos, que vão descobrindo outras maneiras de praticar o heroísmo, faltando emoção, e acima de tudo, ação. Resultado: as coisas demoram a acontecer em Defensores, o não deixa muito tempo para conhecermos dos vilões, seus objetivos, e real ameaça para o grupo.

O que ofusca o brilho de Defensores, porém, são as escolhas narrativas para essa primeira reunião. O inimigo escolhido, Tentáculo, se liga diretamente com Punho de Ferro, justamente o herói menos amado do grupo pelo público. Foi uma boa maneira de desenvolver o personagem, mas não que muitos dos espectadores se importassem com isso.

Tão raso quanto as narrativas, foram os personagem complementares. Ora sidekicks, ora apenas vultos no meio da ação, os companheiros dos heróis foram meras adições ao enredo, em meio a tanto vai e volta. Salvo Misty Knight, Colleen Wing e Claire Temple — que adicionaram pistas para os próximos passos deste universo — Trish Walker, Foggy Nelson, Jeri Horgarth, Karen Page são apenas distrações que satisfazem aqueles que se apaixonaram por esses nomes na tela. Só.

A surpresa ficou por conta da ressurreição de Elektra, que tem efeitos para ela e para Matt, principalmente. O seu retorno à vida é trabalhado silenciosamente na primeira parte da temporada, até que é explicada, de forma bem didática e ilustrada, e de fato é um enredo muito importante para o futuro da personagem, como do próprio Demolidor. Elektra não volta a mesma (óbvio), mas a opção de romantizar essa relação perdeu a magia dos quadrinhos. O acerto de contas vem, afinal, quando ela executa Alexandra — após terminar com Stick — e cortar de vez os laços com seu passado: agora, Elektra assume uma posição independente, não é mais uma aprendiz, mas tem força para comandar seu destino.

A certa medida, faltou exagero, passar do ponto e trazer um pouco de fantástico para a narrativa — afinal, o que atrai nas HQs é justamente o extraordinário. Alexandra Reid é tão misteriosa, que até o seu final não sabemos bem qual seu objetivo, além de conseguir a vida eterna. Não é como Kilgrave, que tinha o desejo exagerado por ter Jessica, ou o Rei do Crime, que tem sede pelo poder. Junto ao Tentáculo, ela administra relações corruptas, e tem ligações históricas com organizações criminosas — mas qual deles não tem? Nada tão normal quanto um vilão egoísta e que não conhece os limites do certo e do errado.

Os Defensores ganha vida com o roteiro bem montado, e que explora as características dos heróis. Matt tenta se equilibrar entre a crença e a descrença; Jessica possui uma acidez que diverte e a destaca quando eles estão juntos; Luke é tão rústico que o torna atraente, e é justamente Danny e sua jovialidade que lhe completa — quem sabe temos os Heróis de Aluguel juntos daqui a alguns anos. E como uma produção da Marvel que se preze, os easter eggs agradam aos fãs dos quadrinhos, e deixam pontas soltas que são oportunidades para cada série (e possíveis novos projetos): o braço da Misty será doado por Tony Stark? Luke terá uma recaida com Jessica? Quais sãos os novos projetos de Mariah e Shades para o Harlem? Misty e Colleen formarão as Filhas do Dragão?

Sem dúvidas, Os Defensores é um bom esforço, mas não é o esforço máximo. Porém, aqui, nada é por acaso e foi uma oportunidade de nos aproximarmos mais de cada um deles. O maior desafio está nas mãos da dupla Netflix-Marvel de fazer o ritmo continuar, agora cada um em seu quadrado.

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