Os Homens São de Marte 1×01/02 — Um Novo Começo/Trabalhando a Relação

Madura e mais bem construída, Os Homens São de Marte e é Pra Lá Que eu Vou voltou com tu-do na sua segunda temporada.

A dor sempre estará por perto. Faz parte.” — Fernanda

Os Homens São de Marte e É Pra Lá Que Eu Vou inegavelmente subiu de nível. O que era uma comédia comum em seu primeiro ano se tornou uma obra madura no segundo, com muitas camadas tanto de histórias quanto de personagens. De fato, um deleite — pelo menos até agora nesses dois primeiros episódios.

Mônica Martelli é uma daquelas pessoas tão interessantes, mas tão interessantes, que nunca existirá papel melhor para ela interpretar do que ela mesma. Quase como Charlie Sheen, Joan Rivers, Tatá Werneck, sabe? O melhor personagem deles são seus próprios “eus”. E isso não é para qualquer um!

Todo a peculiaridade do ser que a Mônica é em suas entrevistas ou no Saia Justa é refletida no texto de Os Homens são de Marte… só que com o nome de ‘Fernanda’, a grande heroína e protagonista de tantas histórias de amor flutuantes na primeira temporada, mas que agora vive outras histórias de amor mais sólidas, que marcham numa mesma batida.

os homens são de marte e é pra lá que eu vou

O episódio de estreia, Um Novo Começo, começou com um monólogo inspirador e com a surpresa do salto no tempo que a série deu, mostrando Fernanda já com a sua filhinha, Nina. Domingos virou passado e deu lugar a Miguel, um homem culto e estudado, mas nada ambicioso.

Um dos pontos altos da estreia com certeza foi a Maria Julia Lima, que interpreta a filha de Fernanda. Coroada com bons diálogos, a sua participação me lembra um pouco a Lily de Modern Family — talvez com uma dose menor do estilo envenenado de Lily, mas com a mesma vontade de acertar e com um encaixe de cena perfeito.

Com ótimo ritmo, piadas e reflexões, o primeiro episódio se focou na relação de Fernanda com suas noções de abandono: Aderbal querendo sair da empresa pra ser um pai melhor, Natalie viajando para tentar a vida nos Estados Unidos (e sem saber inglês, exatamente como aconteceu com a Mônica décadas atrás) e com o marido Miguel desfocado das necessidades da esposa.

Poderia ter sido um porre se repetisse aquele mimimi que estamos acostumado a ver algumas atrizes fazendo em comédias românticas, mas Fernanda se manteve na pose de mulher forte e independente até o fim — ela só teve um surto básico. Quem não tem? A série soube lidar de maneira criativa e arranjou uma saída essencial para discutir o tema: vamos rir de tudo isso. Foi o que trio Fernanda, Aderbal e Natalie fez e foi uma delícia de ver.

Outra grande sacada foi o arco narrativo que pincelou a tela com a magia de Harry Potter, criando citações e referências bem empregadas, metáforas de fácil compreensão e momentos muito fofos com a Nina. A série é muito bem escrita e isso está acima de qualquer defeito.

A comunicação é a coisa mais importante de uma relação. Tem gente que pensa muito e fala pouco! Aí complica tudo.” — Fernanda

Já em Trabalhando a Relação, as piadas afiadas do episódio me fizeram pensar: já pensou se Os Homens São de Marte e É Pra Lá Que Eu Vou fosse uma comédia da HBO, tipo Veep ou Girls? Aposto que seria um sucesso internacional, vencedor de Emmys e Globos de Ouro. O senso de humor de Mônica funciona muito melhor na série do que no filme.

A forma como o cotidiano do brasileiro e suas relações é retratada é genial, brasileiríssima e única. E olha que eu nunca casei ou namorei, mas me identifiquei perfeitamente com muitas cenas, afinal, tenho pai e mãe. Mônica tem a mesma habilidade de traçar o dia a dia comum da nossa mente que Fernanda Young tinha quando escreveu Os Normais. As observações da narradora sempre com timing perfeito… É bom demais!

A fotografia evoluiu muito, assim como a edição. Encaixou mais no ‘Padrão Globo de Qualidade’ e tem ar de novela das 19h. As excessivas trilhas sonoras cômicas inseridas na primeira temporada (que deixavam a série com mais cara de programa de esquetes do que qualquer coisa) foram tolhidas e os cenários estão bem mais reais e plausíveis.

A crise de abandono de Fernanda provou, mais uma vez, ser coisa da cabeça dela. Ela não está sozinha nessa: como nós criamos coisas na nossa cabeça, não é? Às vezes um olhar é o suficiente para nossa subjetividade criar asas e formar julgamentos sobre quem amamos, numa neura que não parece ter fim. Nós te entendemos, Nanda! Te entendemos.

A única expectativa de melhora é que a história não se prenda somente ao relato de suas aflições e anseios da vida amorosa, mas que também se renove o suficiente para mostrar os desafios da maternidade, os estresses da jornada de trabalho, a vida entre amigos (especialmente como “tia” do filho do Aderbal com o Edgar).

Aliás, que coisa mais fofa o Aderbal de papai lutando para ser perfeito, heim? Foi demais! É também um plot que eu aguardo ansiosamente para ver como irá se desenrolar. Falando em desenrolo, alguém percebeu um certos olhares do marido perfeito da personagem da Bianca Rinaldi para a Fernanda? Sei não, viu…

Por hoje é só, mas semana que vem tem mais. Conta aí pra gente o que você achou da série. E se ainda não assistiu, corre pra maratonar: todos os episódios estão disponíveis nos serviços on-demand de TV a cabo (como o NOW, da Net) e na internet pelo GNT Play. Vale a pena!

Os Homens São de Marte e É Pra Lá Que Eu Vou passa toda quarta, 22h30, no GNT — logo depois do Saia Justa, para você ter uma overdose de Mônica Martelli.

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