Os Inumanos e porquê algumas adaptações não servem para a TV

Será que a Marvel só sabe fazer cinema?

Enquanto os filmes do universo cinematográfico da Marvel ainda são aclamados pela crítica como sempre (e esperados pelo público com grandes expectativas, como Vingadores 3), as produções televisivas podem estar perdendo fôlego aos poucos. Agents of SHIELD ficou a um fio de ser cancelada, Punho de Ferro não foi o que o público esperava, Os Defensores teve um início bem lento mas empolgou no final, e o mais recente fiasco foi Inhumans.

Projetado inicialmente como filme, a adaptação pegou todos de surpresa ao ser direcionada para a TV. A trama em si — uma raça superpoderosa que habita a lua, vive sob um regime monárquico, até que acontece um golpe e a família real é exilada na Terra — tem elencos que, na tela, funcionaram muito bem, mas não foi o suficiente para agradar a crítica e os espectadores, amargando as piores audiências da Marvel na TV.

Criados por Jack Kirby e Stan Lee da década de 60, o que faz esse grupo de personagens funcionar nos quadrinhos é justamente a excentricidade herdada principalmente por Kirby — tramas novelescas, conflitos cósmicos, experiências científicas e golpes palacianos. Tudo muito complexo por si só, maximado com os envolvimentos com o enredo de outros grupo como Vingadores e X-Men.

Para fazer algo tão maravilhosamente estranho como a história dos Inumanos dentrou de um conceito da Marvel, exige tempo e orçamento e, acima de tudo, compromisso, e nenhum desses três elementos foi visto na produção da série. Não há escala, portanto, tudo é ajustado de maneira que caiba na TV. O roteiro não demora para cair no clichê. Faltam textura para os figurinhos e conjuntos, deixando à mostra o quanto tudo foi feito para ser rápido e com baixo custo.

Esses cabelos são quase imperdoáveis!

O problema não está apenas na parte gráfica — até porque os efeitos especiais, um dos motivos de ataques da crítica, funcionam bem a medida que a série avança.

Toda motivação por trás da história dos inumanos, a fuga e a permanência deles na Terra parece egoísta e nada heróica. Pra ínicio de conversa, as habilidades inumanas são quase que uma ameaça aos humanos. Raio Negro, o rei de Attilan, derrubado pelo irmão Maximus que foge para o nosso planeta para não ser morto, pode causar uma catástrofe só com um sopro.

A realidade em Attilan também não é das melhores. Raio Negro e Medusa governam sob um sistema de casta, no qual o Conselho Genético determina a função de cada um na sociedade — alguns são determinados a trabalhar na pedreira, sob condições precárias. A grosso modo, você pode até chegar a torcer pela revolução de Maximus, que promete acabar com a opressão na cidade. Uma ideia que, concebida da maneira correta pelos criadores, daria sim uma boa trama política.

Casal Real mais odiado da TV?

Mas Scott Buck e seu time de produtores apenas se preocuparam em fazer parecer uma história de quadrinho. Só que mal construída.

Com apenas oito episódios, a temporada encerra com ganchos e questionamentos. Qual é a ameaça que os inumanos enfrentam agora que estão fora da segurança da Lua? Quem é o benfeitor misterioso que cedeu a nova casa para os inumanos? Maximus vai conseguir sair do bunker e reencontrar seu povo? Medusa vai finalmente perceber que não é mera “esposa do rei”? Gorgon vai sobreviver à segunda terrigênese? Mas a verdadeira questão é: haverá mais episódios de Inhumans no ano que vem?

O elenco tentou levar a história no máximo que podia. Iwan Rheon, Anson Mount, Serinda Swan e Ken Leung fizeram um trabalho bom considerando as possibilidades. A segunda temporada não é algo impossível — a Disney é conhecida por dar várias chances aos seus produtos — mas caso se torne realidade, um novo produtor deve ser nomeado para dar continuidade.

Ao fim, é possível ver que a Marvel tentou fazer. Eles nos deram um grupo de personagens incomuns e distantes da realidade que já vemos na TV, que supostamente evoluem quando em contato com a a espécie humana para algo mais próximo dos personagens que conhecemos nos quadrinhos — heróis com sentido altruísta, preocupados com a preservação da Terra, usando seus poderes para o bem. Mas a história foi arrastada por muitos episódios, havia muitas desconexões e lacunas vazias, e as restrições orçamentárias eram extremamente óbvias. As expectativas não foram bem gerenciadas, e a execução deixou muito a desejar. Ou reavaliem, ou esqueçam que os inumanos fazem parte do tão apreciado universo cinematográfico da Marvel.

Quero um dentinho pra mim!

Sobre o Autor

Leo Sousa

Séries de TV, filmes, realities shows, livros, música e mais. Editor no boxpop.com.br.

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