Os melhores vilões das telenovelas

A dramaturgia nacional não é favorável às figuras masculinas como dotadas de grande maldade. Basta pensar nas novelas mais recentes e pensar em quantas delas o vilão era um homem. São raros os exemplos. E então, quando surge um ator encarnando um vilão, ele tem uma grande chance de brilhar.

Atualmente, Amor à vida sustenta Félix, interpretado com competência por Mateus Solano, um vilão requintado, sempre espiando pela fresta de seu armário sexual, distribuindo suas palavras ferinas com a desculpa de serem apenas brincadeiras. Apesar disso, Félix está longe de ser considerado um dos melhores vilões brasileiros. Alguns, que vieram bem antes dele, ostentam esse título com muito mais vigor.

Curiosamente, os maiores foram criados por Gilberto Braga, o único autor a investir em homens como antagonistas. E todos eles estiveram presentes no horário nobre por um motivo bem claro: às nove horas, é permitido muito mais crueldade que nas seis ou nas sete. Vem comigo e acompanhe os cinco melhores vilões da dramaturgia nacional.

5º Marcos (Mulheres Apaixonadas, 2003)

De todos da lista, Marcos é o que mais foge da linha clássica de um vilão e, talvez por isso, o torne absurdamente assustador. Marcos não elaborava planos maquiavélicos para conquistar seus objetivos ambiciosos. Ao contrário, ele era gente como a gente, aparentemente tranquilo, pacato, como muitos que se vê por aí. No entanto, sua esposa Raquel (Helena Ranaldi) sentia na pele o que os olhos dos outros não viam. Ciumento, possessivo e levemente psicótico, Marcos conseguiu lembrança devido a uma irrepreensível atuação de Dan Stulbach, o Tom Hanks brasileiro. Em uma das mais marcantes e chocantes cenas da novela, Marcos agredia a esposa com uma raquete de tênis. As fortes cenas de agressão da novela fizeram a sociedade discutir o problema da violência doméstica, principalmente contra a mulher. Manoel Carlos em um grande momento de inspiração criativa.

4º Silveirinha (A Favorita, 2008–2009)

Quem iria apostar em Ary Fontoura, esse ator simpático, com cara de vô, em um vilão de marca maior? João Emanuel Carneiro, então estreante no horário nobre da Globo, apostou e o resultado foi um dos trabalhos mais marcantes do ator em toda a sua carreira. Silveirinha era um homem aparentemente inofensivo, mas muito perigoso, vingativo e traiçoeiro. Foi empresário musical da dupla sertaneja “Faísca e Espoleta”, mas, com a dissolução da dupla, foi obrigado a se contentar em trabalhar como mordomo na casa de Donatela. Peça chave nos planos de Flora, Silveirinha conseguiu muito destaque na trama policial.

3º Olavo Novaes (Paraíso Tropical, 2007)

Wagner Moura é um dos atores mais proeminentes da geração atual e encontrou no ótimo texto de Gilberto Braga a chance ideal para brilhar ainda mais. Sua atuação, beirando o exagero, o histriônico, conquistou o público e a crítica, fazendo do vilão Olavo Novaes um dos mais amados pelos espectadores. Entre suas maldades, tentou de todas as formas manchar a reputação do bom-moço Daniel, vivido por Fábio Assunção para conquistar seu cargo no poderoso e rico Grupo Cavalcanti. Além das tramoias contra o mocinho da novela, Olavo é lembrado pelo tórrido romance com Bebel, da ótima Camila Pitanga, uma prostituta cheia de “catiguria”. A química entre os dois era tanta que o casal se destacou mais que os protagonistas da trama.

2º Felipe Barreto (O dono do mundo, 1991)

A novela O dono do mundo é um caso curioso na teledramaturgia brasileira. Produção cara, com música de abertura composta por Tom Jobim, trecho de filme de Chaplin na abertura, rejeição da audiência e um dos principais motivos era o cirurgião plástico Felipe Barreto. Sem dúvida, foi um dos vilões mais asquerosos escritos por Gilberto Braga. A falta de ética de Felipe Barreto irritou diversos cirurgiões, que protestaram junto a Globo. No entanto, o carisma de seu intérprete, Antonio Fagundes, fez com que o público não acreditasse que a mocinha Márcia, de Malu Mader, iria se vingar dele. As maldades de Felipe foram inúmeras: apostou que tiraria a virgindade de Márcia, noiva de um de seus funcionários, antes da lua-de-mel; conseguiu a proeza e causou o suicídio do marido traído. Durante boa parte da novela se fez de santo para conquistar de vez a jovem. Ao menos nisso, não teve sucesso. No final da trama tentou seduzir uma moça mais nova ainda. Ou seja, um canalha.

1º Leôncio Almeida (Escrava Isaura, 1976)

Os novinhos que acompanharam a versão da Record para o clássico escrito por Bernardo Guimarães podem achar o Leôncio de Leopoldo Pacheco como um cara mau. Porém, é porque muitos não presenciaram a força imagética produzida pela presença de Rubens de Falco em cena. Para ter uma ideia, o simples nome de Falco em uma novela se esperava um personagem carrasco. Rubens de Falco era sinônimo de horror puro. E tudo isso se deve a Leôncio Almeida, na versão escrita por Gilberto Braga. Inescrupuloso e cruel, o fazendeiro era completamente apaixonado por Isaura, uma escrava branca por quem sua mãe tinha muito carinho. Antes de morrer, a senhora deixou para Isaura uma carta de alforria, mas o vilão escondeu o documento para manter a jovem consigo. Inconformado com a rejeição da doce Isaura, Leôncio atormentou a moça, a obrigando a trabalhar na fazenda e chegou a amarrá-la no tronco. Depois de tantas maldades, ele teve um triste fim: falido e sem o amor de Isaura, Leôncio se matou.

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