Os Mortos-Vivos finalmente chegaram!

Doces ou travessuras?

Reparou que o Box de Séries está todo trabalhado na morbidez do Halloween? Então para de fazer a morta e aproveita nosso clima de Dia das Bruxas para visitar (e comentar… cof cof) todas as colunas temáticas dessa semana bem delícia. Começando por aqui, é lógico.

Como o clima de festa à fantasia já tomou conta dos bastidores do blog, a The Box Is On The Table promete ganhar o prêmio de melhor roupagem de festinha do bairro vestida de zumbi! O tema que, com certeza, tornou-se recorrente nas rodinhas noir das livrarias mais próximas, desde que a AMC (canal das aclamadas Mad Men e Breaking Bad) resolveu transformar a HQ de sucesso, The Walking Dead, em série de TV.

E se você estava em uma caverna nessas últimas semanas, saiba que o primeiro episódio da mais nova série favorita de todos vazou. Mas como nós somos de um outro nível, vamos esperar sair em qualidade HD de imagem com tecnologia 3D e focar, realmente, na comic book que deu origem a série, afinal revista em quadrinhos também é literatura.

Enfim o apocalipse: Foi em meados de 2003, nos EUA, que a editora Image Comics lançou The Walking Dead, HQ criada e escrita por Robert Kirkman e desenhada pelos talentosíssimos Tony Moore e Charlie Adlard.

A história, a princípio, é centrada no personagem Rick Grimes, um policial que depois de ser baleado e ter ficado um tempo em coma, acorda em um mundo dominado por zumbis. Após perceber que se encontra em um território hostil, praticamente, pós-apocalíptico, Rick começa a procurar por sua mulher e filha e acaba se deparando com outras pessoas tentando sobreviver no caos e, lógico, com mais zumbis loucos por cerébros.

Daí você me fala: “Pff… história sobre zumbis? Credo! Madrugada dos Mortos foi horrível… tirando o Michael Jackson, ninguém sabe desenvolver esse tema.” E eu te respondo: “Eu adorei Madrugada dos Mortos, tá? Mentira! O que eu quero dizer é que se você ainda não conferiu a revista em quadrinhos mais bem produzida da década… pode falar com a minha mão.”

Não espere encontrar em The Walking Dead uma enxurrada de cenas de ação com zumbis querendo comer sua cabeça e correndo de um lado para o outro atrás de vários seres humanos. Primeiro porque zumbi não corre. Segundo porque Robert Kirkman foi original o bastante para responder as dúvidas que sempre nos cercam quando vemos alguma produção do genêro: como tudo aquilo aconteceu? E agora, o que eles irão fazer? Como eles sobreviverão sem comida ou água? Será que eles conseguirão se manter unidos? E o amor? Ódio? Sexo? Família? Liderança… e por aí segue.

São tantos os quesitos que ganham destaque em The Walking Dead que, às vezes, você se esquece que existe um bando de mortos-vivos lá fora sedentos por carne. Isso, até que um deles aparece para dar aquele toque de tensão e medo que te fazem parar para pensar na coisa sensacional que você está lendo.

O diferencial: Você já deve ter notado o quanto eu fiquei gamado na narrativa horror book de The Walking Dead, certo? E não é para menos. A revista traz um teor de suspense realmente incrível, porque como bem disse o Caio, terror não é apenas colocar monstros em cortes estratégicos de cenas mescladas a uma trilha sonora adequada, terror é fazer com que o telespectador (seja de um livro ou de TV) sinta o medo que os personagens estão sentindo, perceba a tensão que há mediante a um passo em falso ou, quem sabe, arrepie-se com o provável último sopro de vida. Isso sim é fazer terror.

O aprofundamento e o desenvolvimento dos personagens são características que também marcam muito em The Walking Dead. Por falar nisso, à primeira vista, eu havia achado bastante estranho um canal como a AMC tomar as rédeas de uma produção tão “não a sua cara”. Mas depois de folhear as primeiras páginas da HQ, percebi como eu estava enganado. TWD tem muita da essência que é característica do canal. Contando com uma narrativa lenta (mas nunca cansativa) e um foco no drama das pessoas que fazem a história, The Walking Dead prova que zumbis ao redor do mundo totalmente destruído é só um motivo para uma discussão a respeito da sociedade.

A qualidade das revistas também são um show à parte. Os gráficos em preto e branco dão um tom de veracidade ótimo à trama. Tony Moore foi o desenhista das primeiras seis edições e depois passou a bola para Charlie Adlard, que deu continuidade sem decepcionar na arte.

Sem contar que a capa e as páginas de The Walking Dead são muito bem feitas, deixando qualquer nerd de plantão enlouquecido com o nível de excelência da estrutura dos quadrinhos.

Nova moda vindo por aí: Depois de Lost, beijo gay, o câncer, vampiros e gordinhos, serão os mortos-vivos o novo hype do momento? Eu acredito que isso é um pouco difícil de acontecer por um simples motivo: The Walking Dead não é para todos.

Aposto minhas fichas como tem um bando de gente por aí esperando ação, putrefação e sangue a toda hora em TWD. Sinto dizer que se você faz parte desse time, irá se decepcionar feio. Tanto a série quanto a HQ carregam uma estrutura que, acima de tudo, dá valor ao desenvolvimento dos personagem em meio às dificuldades do ambiente. Lógico que cenas com cerébros sendo comidos, zumbis sendo explodidos e muita nojentice não irão faltar, mas isso, como eu citei há uns parágrafos acima, é apenas a cereja no sundae.

Mas vai que aconteça o contrário e The Walking Dead se torne a nova mania mundial?! Resultado mais provável: a CW produzir sua própria série de zumbis bonitões, com um policial sem camisa e várias personagens jovens e magras brigando por um pedaço de alface, tocando Ben Lee ao término do episódio. Pode aguardar.

Quero lembrar a vocês, antes de terminar esse texto, que as duas primeiras edições da HQ de The Walking Dead já estão a venda no Brasil e que no dia 31 de outubro estreia, oficialmente, a série de TV no canal AMC. A Fox também está com um marketing grande em cima da produção, tanto que haverá exibição mundial no dia 2 de novembro com tradução (eu sei, péssima ideia) para 120 línguas. Assim, você não pode dizer que ficou de fora quando estiver numa roda cult.

Agora é hora d’eu me retirar porque já estou atrasado para private party aqui do Box. Tenham todos um feliz Dia das Bruxas!

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