Pânico (Scream): 2015 é o novo 1996

Série de TV atualiza cinessérie de sucesso e questiona a plasticidade da juventude nas redes sociais

Não se faz um filme de psicopata como uma série de TV. […] Na TV é preciso esticar as coisas.” — FOSTER, Noah

Se você tem um pouco mais que 25 anos, é provável que se lembre do famoso Hello, Sidney e da diversão macabra proporcionada pelo Ghostface, na série de cinema comandada por Kevin Williamson e Wes Craven. A inteligência sanguinolenta por trás de toda aquela metalinguagem era extremamente divertida.

Williamson e Craven faziam uma grande paródia aos filmes de terror, brincando com os clichês do gênero. E, nem por isso, deixavam de lado o suspense e o banho de sangue. Tudo muito bem digerido e dirigido para um paladar ávido por novidades e por sustos.

Levar a estrutura de um filme de noventa minutos para uma série televisiva de dez episódios exigia audácia e uma elasticidade na trama. Se muito olharam com desconfiança para a empreitada, o piloto veio para apagar qualquer chama da suspeita.

Em eficientes quarenta e quatro minutos, Pânico (Scream) — a série serviu como uma ótima entrada, apresentando bem as personagens e expondo a história que será desenvolvida nos próximos nove episódios ao longo dessa temporada.

Pânico (Scream)

Estão todos lá: a jovem virgem inocente, o nerd aficionado por histórias de terror, o capitão do time, a lésbica underground, a bitchie, o forasteiro enigmático e bonitão. Todos os lugares comuns de tramas juvenis americanas estão presentes e a série não tem vergonha alguma de exibi-los. E esse é um dos grandes triunfos da série, seja ela no cinema ou na TV.

Pânico nunca teve medo de brincar com a mitologia clássica dos filmes de terror. E, depois do sucesso do primeiro filme, Williamson e Craven não pestanejaram em brincar com a própria mitologia de sua criação. A metalinguagem, o filme dentro do filme, é a grande marca da produção. E está presente na série televisiva.

Noah Foster é o novo Randy e atua quase como que o narrador da trama. Em sua fala está delineada toda a espinha dorsal da trama. Como sempre, Pânico nunca é exatamente sobre quem mata e os motivos. É preciso desenvolver bem as personagens para que o espectador fique devastado quando um deles morrer. E agora que foi para a televisão é necessário que a série seja sobre algo além disso.

E o piloto já nos brindou com o que será esse além: a relação dos jovens com as redes sociais. O vídeo clandestino de duas jovens de beijando, o cyberbullying, os sorrisos plastificados expostos em Facebook e Instagram. É esse universo de mentiras e máscaras que o novo Ghostface está interessado em atacar.

Além de introduzir uma história de um amor impossível que acabou terminando da pior maneira e que pode ainda render muitos arcos.

Por falar em Ghostface, a máscara clássica mudou. Com contornos mais realistas, o novo item é ainda mais tenebroso e assustador. Apesar de aparecer poucos segundos no piloto, foi o suficiente para causar tensão.

A cena inicial da série lembra muito a cena inicial do primeiro filme, já clássica com Drew Barrymore. Claro que por estar em 2015 e por ser uma série televisiva, a morte que abre a série foi muito mais brutal, com muito mais sangue e mais close. Afinal, a juventude de hoje está tão acostumada com morte que não é mais qualquer uma que realmente causa comoção.

Apenas uma morte ocorreu nesse piloto, apesar de ao menos outras duas insinuações terem sido feitas. Uma sábia escolha. Ainda virão nove episódios. Não dá pra entregar muitas mortes logo de cara.

O elenco cumpre sua função. Apesar de ser formado basicamente por modeletes e nenhum deles ter o carisma de uma Neve Campbell, de um Skeet Ulrich, de uma Courtney Cox, isso não afeta o desenvolvimento da trama. Aliás, até contribuem para essa sensação de cretinice tão comum em enlatados juvenis.

Pânico chega à TV com o mesmo vigor que chegou aos cinemas há quase vinte anos. Essa nova geração irá se arrepiar com essa trama divertida e macabra tanto quanto os outrora jovens o fizeram no escurinho .

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