Pantera Negra Marvel

Pantera Negra: o filme que a Marvel precisava

Com mais de uma década de desenvolvimento, Pantera Negra chega ao cinema com uma nova oportunidade para a Marvel e todo gênero de ação

Pantera Negra chegou as cinemas nesta quinta-feira (15), e as críticas já ovacionam a mais recente produção da Marvel Studios. Foi uma longa jornada até que o rei de Wakanda pudesse ganhar sua própria adaptação na telona – e muito disso tem a ver com a forma como Hollywood aborda as questões raciais e de diversidade em geral.

Os planos começaram em 2005, quando a Marvel anunciou o desenvolvimento de uma série de filmes com seus personagens, usando seus próprios fundos. Além do Pantera, a lista incluía Capitão América, Homem-Formiga, Doutor Estranho, Manto e Adaga, Quarteto Futuro, Shang-Chi, Gavião Arqueiro e Nick Fury, e, claro, Os Vingadores. Com o tempo, os objetivos mudaram, e este será o quinto personagem a ganhar seu filme solo. Tudo isso graças ao Homem de Ferro. No mesmo ano que a Marvel traçou os planos para o seu universo cinematográfico, os direitos de Tony Stark foram vendidos pela New Line Cinema, e alterou os objetivos do estúdio. Como parte essencial para Os Vingadores, junto com o Capitão América e Thor, o estúdio não demorou em escolher Robert Downey Jr. para o papel, e iniciar a Fase 1.

A popularidade do personagem também é um fator importante para determinar seu caminho até as telonas. Sem os direitos dos X-Men e do Hulk, por exemplo, a solução foi apostar em personagens até então menos famosos, e trabalhá-los de maneira única enquanto tece um universo narrativo. Guardiões da Galáxia, por exemplo, foram opções que, mesmo um pouco longe do olhar dos fãs, trariam um público diferenciado para os cinemas.

O desenvolvimento de Pantera Negra e Doutor Estranho foram deixados de lado para priorizar a sequência narrativa de Os Vingadores. Em 2011, Mark Bailey foi contratado para fazer o roteiro, mas o projeto só foi oficializado em 2014, com Ryan Coogler assumindo a direção. A Marvel colocou a previsão de lançamento para o terceiro trimestre de 2017, com Joe Robert Cole responsável por um novo roteiro. Um outro herói entrou na jogada em 2015. Se tratava do Homem-Aranha, que vinha da Sony com previsão de lançamento já para 2017. A popularidade de Peter Parker era uma verdadeira oportunidade de capitalização individual e coletivamente para a Marvel, e por isso, mais uma vez, Pantera foi adiado.

Agora, com o filme já em cartaz, é visto como um risco que pode compensar, mesmo que os motivos que o tornam dinâmico e exclusivo sejam as mesmas razões pelas quais foi adiado em detrimento de opções mais convencionais. A proposta é interessante para uma nova audiência: desafia muitos pressupostos que Hollywood levanta sobre a África e a experiência africana. Constantemente retratada como um lugar de uniformidade e pobreza, em Wakanda vemos uma África rica, cheia de recursos e bem avançada tecnologicamente e, principalmente, intocada por um passado colonial explorador. Como resultado, conta com uma grupo de personagens bastante heterogêneo, e incomuns de ser ver em grandes lançamentos do cinema. Pantera Negra oferece uma perspectiva diferente de qualquer filme já lançado pela Marvel.

Um dos grandes problemas em Hollywood é replicar modelos para manter a arrecadação. As produtoras não costumam arriscar em projetos que não demonstrem um resultado claro, ou que pelo menos permita uma previsão de lucros. Isso afeta diretamente a diversidade e representação, já que manter a segurança, além de selecionar as histórias que serão contadas na telona, também determina quais atores são escolhidos para os papéis de mais destaque.

Enquanto Hollywood tem sido resistente a contar essas histórias e a representar essas experiências, a excitação em torno de Pantera Negra pode mostrar que essa resistência é equivocada. Fãs e cineastas querem ver diferentes histórias na tela – e para muitos fãs, eles querem ver a si mesmos e suas próprias experiências vividas. Foi uma longa estrada até chegar às telonas, mas pode inaugurar uma nova visão e um novo formato nas marés em Hollywood.

Sobre o Autor

Leo Sousa

Séries de TV, filmes, realities shows, livros, música e mais. Editor no boxpop.com.br.

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