Pelo direito de defender o que você assiste

Já tem quase um ano que esse vídeo chamou muito a minha atenção, mas vale a pena demais recordar. Resgata ele aí para o pessoal saber do que eu estou falando.

Este senhor, imbuído dos pensamentos da moral e dos bons costumes, achou-se no direito de aguardar o repórter Vinícius Valverde, do Big Brother Brasil, e rechaçar o programa. Naturalmente, em tempos de internet, tudo devidamente registrado por outra câmera e postado na web, com direito a análise posterior, onde ele reafirma defender nossas mulheres, nossos filhos, nossos valores.

É engraçado perceber como ainda existem pessoas como esse cidadão entrevistado pelo Vinícius Valverde. É o velho discurso moralista e, porque não, evangélico, tão em voga atualmente. Tenho até receio de imaginar o futuro que reserva essa nação. Penso até que não falta muito para nos tornarmos um país fundamentalista religioso.

Quando o Big Brother Brasil estreou, eu era um grande fã da atração. Conhecia o formato através do já clássico Casa dos Artistas e fiquei ansioso para descobrir como a dinâmica funcionaria com desconhecidos. E, para ser sincero, adorei tanto que acompanhei as cinco primeiras edições religiosamente. Depois, acompanhei a nona, a décima e a décima primeira. E só.

Se você achou que a #GONGSHOW iria esculachar o programa, enganou-se. Ao menos, por enquanto. Para isso, valho-me das palavras de Voltaire e adapto-as para a realidade da nossa coluna: “Posso não concordar com o que você assiste, mas defenderei até a morte o seu direito de assistir”.

Engraçado quando usam as palavras “baixa cultura” para classificar o Big Brother Brasil. É o mesmo público que escuta música sertaneja ou assiste a algum telejornal de maior renome, porém, manipulado pela grande mídia. Geralmente, quem usa o termo “baixa cultura”, nunca pegou um Dostoievski para ler, nunca assistiu a um Fellini ou um Pasolini, nunca viu um Bolshoi ou escutou um Bach, quiçá Strauss. Então qual são o peso e a medida usados para classificar o Big Brother Brasil como “baixa cultura”?

O pior ainda é acusar o Big Brother Brasil ser o culpado pela desgraça na qual o país se encontra. Ah, se os problemas nossos fossem realmente culpa do BBB ou das novelas ou do programa da Regina Casé. Posso muito bem assistir a qualquer programa e ainda continuar tendo uma boa consciência política. Posso continuar assistindo ao BBB e nem por isso me tornar um completo devasso sexual (aliás, era um completo devasso sexual muito antes da onda de reality show).

E sem contar a hipocrisia que é não ver o BBB, falar mal de quem vê, mas transformar o seu Facebook no olho que tudo vê. Investiga a vida alheia, faz tramoias, fofocas, intrigas, alianças, elimina pessoas, com a desvantagem de não levar um milhão na final.

Então eu tenho uma ótima ideia. Se não quer ver BBB, novelas ou o programa da Regina Casé, tem a TV Cultura como uma ótima programação cultural, não apelativa, não popular, feita sob medida para qualquer filósofo de orelha de livro. Se ainda não tiver saco para ver TV, vá ler um livro, ouvir uma ópera, transar um pouco. Vai ser feliz e deixe os outros serem felizes da maneira que bem entenderem.

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