Penny Dreadful 1×02 — Séance

Sua primeira criatura retornou, Pai.” — FRANKENSTIEN, Primogênito

Quando Penny Dreadful começou a aparecer em trailers e sneak peaks, chamou-nos atenção por ser uma série de terror, tendência das séries nos últimos 3 anos. Então, no meio de tantas formas de se ver o terror, o que teria de especial na série do Showtime? O segundo episódio (liberado pelo Showtime on demand dia 12) mostrou que a série tem força para ir muito além, apresentando de forma natural e convincente novos personagens e desenvolvendo outros arcos iniciados no piloto.

Ao observar a série mais calmamente, fica claro o grande potencial do meio-mundo, aquele local que existe entre as sombras e o mundo real. E aquele receio que apareceu no piloto, que a história poderia cair no clichês vampiresco do século XVIII não se confirmou. Muito pelo contrário, as tramas mostram-se atuais, inovadoras e profundas. Os tais seres egípcios, antigos, trouxeram a mitologia do mundo antigo como um fio condutor à série, com a possibilidade de explorar também a relação das diversas crenças e o contato com os mortos.

Uma forma de entrar em contato com os mortos, segundo o espiritismo, é por meio de médiuns sensitivos, que fazem a ponte entre o além e o seu consultante. Estas consultas se expressão de diversas formas ao longo da história, uma das mais comuns são as mesas de invocação dos espíritos. Estas consultas podem se transformar em espetáculos de charlatanismo por pessoas mal intencionadas. O que Madame Kali não esperava era que à sua mesa existisse alguém que fosse mais sensível ao mundo espiritual que ela.

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Em uma cena de tirar o fôlego, A bruxa Vanessa Ives entra em contato com o espírito que levou a filha de Sir Murray. Mas o que antes parecia uma cruzada ao meio mundo em busca de Mina, revela-se mais complexo que o aparente. O espírito que Vanessa incorpora revela detalhes da relação de Sir Murray e Mina, e não seria de se espantar que a garota tivesse fugido do pai, que nos pareceu um abusador de menores. Resta a pergunta: seriam verdades as palavras deste espírito? Todos já sabiam? As relações sexuais entre pais e filhas não são novidades na sociedade londrina da época vitoriana. Assim, qual seria o objetivo da busca de Mina?

A ideia de Penny Dreadful, assim como são os livretos que dão origem ao nome da série, é apresentar diversas histórias de terror que acontecerão em paralelo, muitas delas vinda do cinema e da literatura, e que já são conhecidas pelo grande público.

Eis que a série trás Dorian Gray, personagem de Oscar Wilde, defino do como um “Adônis que se diria feito de marfim e pétalas de rosa”, tem seu retrato pintado por Basil, e, em meio a uma história de amor platônico e paixão avassaladora, Dorian se vê envolvido tanto em sua aparência, social e física, que não envelhece mais. Assim, o quadro de Basil começa a ter a verdadeira aparência de Dorian, vil, perverso, velho, feio. Este é o Dorian que encanta a todos nos salões de Londres, mas que, por dentro, é como em seu quadro. Assim, ele não tem medo da morte, pois não envelhece.

Mais um personagem complexo que se junta à Victor Frankenstein, um jovem médico que quer enganar a morte com seus filhos ressuscitados. Victor tem por suas crias uma paixão quase sexual, um tesão por ter concebido algo tão extraordinário que a ciência não explica bem. O médico, pelo que parece, vem de diversas tentativas e erros na ansia de atingir o objetivo final. Os filhos de Victor levam nomes de personagens de Shakspeare. E é muita coragem de uma série criar um personagem que causa tanta afeição e matá-lo tão rápido. Claro que dentro de um sentido maior, e por este motivo, o roteiro da série só cresce aos nossos olhos.

O primeiro filho de Victor volta à cena. Numa grande interpretação de Harry Treadaway, o carinho e a relação íntima estabelecida entre Victor e Proteus é completamente destruída pela volta do monstro original, que, segundo a história de Mary Shelley, é abandonado pelo pai, que buscava algo a mais na criatura, mas não consegue encontrar. A criatura de Victor vaga mundo afora a procura de vingança contra o pai, e consegue, ao matar o irmão mais novo de Victor, William. Será que a criatura volta-se à Frankenstein por vingança também?

E de todas as histórias deste episódio, a vida eterna no conceito egípcio é introduzida pela criatura do primeiro episódio, aquela com a pela completamente coberta por uma carapaça grossa que escondia hieróglifos egípcios do Livro da Morte. O Livro da Morte é, para os egípcios, um conjunto de lendas e feitiços que conduzem a alma ao além sem grandes obstáculos. Estes ajudam os mortos e seguir seu caminho.

Ao colocar Amunet e Amon em mesmos hieróglifos, a história caminha para uma das revelações dos egípcios sobre a morte. Amon e Amunet nunca são colocados no mesmo feitiço (por isso os hieróglifos advém do livro dos mortos) pois representam uma força tão poderosa que pode desencadear o fim dos tempos. Então, seriam os seres que Sir Murray, Vanessa e Ethan buscaram no piloto cavaleiros de um apocalipse sob a ótica egípcia? Este arco é sem dúvidas o mais promissor, e há de se esperar muito dele ainda.

O próximo episódio, Resurrection, deverá contar com a volta de Ethan aos fatos principais e aprofundar-se ainda mais na mitologia da série. Fiquem com um promo de fotos e até a próxima semana.

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