Penny Dreadful 1×07 — Possession

Como você é cruel…” — IVES, Vanessa

Talvez Penny Dreadful tenha redefinido o que é o terror na TV. Ao invés de fazer um episódio em cima do exorcismo de Vanessa, e foi o que todo espectador esperou durante os 43 minutos de Possession, a série foi além, e mostrou alguns lados dos personagens que não esperávamos conhecer.

Falar que Eva Green é merecedora de todos os prêmios daqui em diante é fácil. Difícil é entender a complexidade de Vanessa Ives. Desde nova, Vanessa sabe que há algo dentro dela que ela não consegue controlar, uma maldade maior que ela mesma, que a leva a cometer alguns dos fatos que norteiam a série. Esse mal maior que ela guarda dentro de si mesma é o lado feminino do mal, que na cultura egípcia se encontra em Amunet. Os egípcios acreditam que Amon e Amunet são os deuses ocultos, que guiam o que é fruto do ocultismo, aquilo que não entendemos, o sobrenatural.

Em Penny Dreaful, esse oculto pendeu para o lado do escuro da força e trouxe uma espécie de sincretismo entre Amon e Lúcifer, o príncipe. Alguns ocultistas acreditam que Amon é um nome também para o príncipe, para este anjo caído que Deus expulsou do céu e busca agora vingança contra seu pai. Alias, a história original de vingança parte desta relação bíblica. Vanessa sente, então, que o lado feminino do mal está com ela, que, como já foi dito na série, ela seria a reencarnação de Amunet. E tem atraído Amon, representado pela visão que ela teve em Ethan (que não é o príncipe (foi delírio da cabeça de Vanessa), e que tem mais chances de estar representado por Drácula, o príncipe das Trevas, este mesmo que raptou Mina.

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Assim, e com roteiro inteligente, a cultura egípcia toma ganha forma nas histórias baratas dos penny dreafuls londrinos: a reencarnação do mal feminino em vanessa e o mal masculino em Drácula, o mestre, vampiro original, que sequestrou Mina com o intuito de atrair Vanessa e unir de vez Amon e Amunet, que, juntos, podem realizar a vingança de Lúcifer e reinarem em um mundo só deles.

Teorias a parte, o que vimos foram angustiantes cenas de possessão demoníaca. Eva Green, minha filha, se cruzar com você a noite eu troco de calçada, sério. Claro que tudo muito bem amparado por efeitos e maquiagem, mas a dualidade nos olhos da atriz é o que mais chama a nossa atenção. Será que é Vanessa ou o mal dentro dela que está falando? Até quando eles se distinguem? Será que este mal já não faz parte da personalidade de Vanessa? E se faz, como espera Sir Malcon, ele estará a usando para penetrar no demimonde e encontrar Mina? Se esta foi a intenção dele, deu certo.

E mais uma surpresa era guardada para nós neste episódio: Ethan. O rapaz, que tem segredos que ele insiste deixar na América, mostrou-se apto ao ocultismo, mostrou que sabe bem expulsar demônios como um perfeito exorcista. E se ele é algo a mais que isto, um lobisomem, um ex-padre, um bon vivant, provavelmente só saberemos na segunda temporada, mas que tornou o personagem mais rico e interessante, isso foi verdade. E chego até a me questionar se o veneno de Dorian Gray foi mesmo necessário para atrair Ethan para cama. Sabe-se lá quantos “pecados” ele quis deixar para trás e vir para o velho mundo, não é mesmo?

E também conhecemos um pouco mais de Victor Frankenstein, que, de tanto medo de sentir dor, principalmente a dor da perda e da morte, é viciado em morfina, analgésico poderosíssimo, que causa alucinações e induz um estado semelhante o da cocaína. Victor foi ao extremo do concebível para minimizar sua dor: fez o homem voltar da morte. Mas ele mesmo não consegue sobreviver com as dores do cotidiano, como a morte de pessoas próximas. Apesar de ele ter a intenção clara de matar Calibã, será que ele será capaz? Será que é uma das formas de matar a dor (o que nos remete a palavra painkiller, que são analgésicos em inglês, mas é a junção das pelavras pain (dor) e killer (matador). Será que Victor então será um painkiller de suas angústias? Morfina não adianta mais no caso de Calibã.

Já Sir Malcon Murray é o típico pai inglês da época vitoriana: tem ares de conquistador mas é covarde por dentro. Esconde por trás de uma grandiosidade (nomear montanhas, massacrar tribos) a falta de controle que ele tinha dentro da família. Não suportava sua esposa, gorda demais para seus padrões, não aceitava a falta de vontade que o filho tinha para as mulheres e não aceitou o desaparecimento de sua filha praticamente perfeita, não fosse a intrometida da vizinha.

Assim, a vida, que poderia até ser, perfeita de Sir Malcon some nas mãos dele. Ele inventa histórias para a morte do filho, que nem ele mesmo sabe como morreu, e embrenha-se nos mistérios de uma África ainda semi-virgem de cultura branca. O berço da humanidade, do ocultismo, é o continente negro. E Sir Malcon sofre ao saber que pode até destruir, mas não pode reconquistar nem a África e nem a sua família.

A season finale se aproxima! Grand Guignol virá e trará uma busca por Mina e problemas para Ethan, de seu passado. Fiquem com a promo e até semana que vem.

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