Penny Dreadful 1×08 — Grand Guignol [season finale]

Antes que possamos continuar essa conversa, minha filha, quero que você saiba de algo. Mesmo que você possa ser verificada, esta é uma longa, cansativa e perigosa jornada que você pede. Pode durar dias, meses, ou anos, para sempre, ou nunca. Mas antes de dizer outra palavra, você deve olhar para seu coração e me responder uma pergunta, apenas uma. Se você foi tocada pelo demônio, é como ser tocada pelas costas das mãos de Deus. Te tornará sagrada, de certa forma, não é? Te torna única, como uma espécie de glória. A glória do sofrimento. Agora, a minha pergunta: você realmente quer ser normal?” — Padre Exorcista

E aconteceu mesmo o que todos nós esperávamos: o episódio bem abaixo de Possession, e que deixa mais possibilidades em aberto do que dá fim aos arcos paralelos. O mesmo não podemos dizer do arco principal. Mas a série já prova que tem fôlego e, com um roteiro bacana, pode ter vida longa, visto que, como os pennys dreadfuls vitorianos, o macabro é o fio condutor do entrelaçado de histórias.

O bacana de ver o fim da história de Mina, e confesso que já estava cansando essa busca à garotinha do papai, revelou que um grupo de desajustados pode ser eficaz na resolução de problemas. Cada um daquele grupo, Vanessa, Ethan, Malcon, Sembene e Victor, tem uma relação muito própria com o sobrenatural e usou de todas as suas armas para encontrar Mina.

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Essa busca, uma verdadeira Cruzada, teve seu lado positivo ao aproximar os protagonistas da trama. Uma Cruzada Macabra em busca de seres que habitam o demimondo e que estavam com Mina. O que não era esperado, não completamente, seria o fato de que Mina servisse como isca para atrair Vanessa ao Mestre. Uma coisa que muitos de nós já havíamos sacado lá no terceiro episódio, mas tudo bem né? Somos fanáticos por séries mesmo, é muito difícil nos enganar.

Porém, há aqui uma inversão interessante na história de Drácula. No original de Bram Stoker, Mina é a personificação do amor pelo vampiro da Transilvânia, e todos lutam muito para salvá-la. Porém, em Penny Dreadful Mina nada mais é que um meio com o qual Drácula busca para acessar Vanessa, a verdadeira prometida do reino das trevas. Não sabemos ao certo se Vanessa é o amor, a companheira de Drácula, mas que ele a procura incessantemente, isso é verdade.

Voltemos à teoria de Amon e Amunet. Segundo a mitologia da série, um encontro entre os dois deuses egípcios iniciaria um apocalipse na Terra. E isso foi dito lá no início da série pela miguxa egiptóloga. No Egito, ambos são reverenciados como os deuses do oculto. Aproximar Drácula, Frankenstein, Cultura Egípcia e entrelaçar tudo em uma trama verossímil ainda é um trabalho a ser visto na série. Para que a mesma tenha sentido, o roteiro terá que evoluir para a próxima temporada. Mas é uma possibilidade muito interessante que pode vir a surgir.

Assim como estas histórias estão mais que entrelaçadas, a história de Ethan é uma colcha de retalhos ainda maior. Ele, que chegou a Londres fazendo um show que remete ao faroeste, mostrou-se expert na arte do exorcismo, pegou Dorian Gray e ainda é sim um lobisomem. Talvez o único lobisomem exorcista que temos notícia. A lua cheia chegou, caros amigos, e foi maior que o rapaz, que voltou a mostrar suas garras. No início da série, no massacre acontecido na casa de uma família londrina, houve a intenção de se atribuir o crime a Jack, o Estripador. Será que caberá a Ethan tanta honra?

O ruim desta finale é que Dorian Gray foi esquecido. Restou a ele aguentar a amargura de um não dado por Vanessa e nada mais. CADÊ O RETRATO? Indignação é pouco! Depois de tão trabalhado durante a temporada toda, não caberia a ele ter um desfecho melhor? E o mesmo se aplica a Victor e Calibã. Como assim a noiva do Frankenstein só será conhecida em 2015? #NãoVaiTerCopa!!!!!

E deixemos o melhor para o final: Vanessa. Se ela procura por um padre no final, é sinal de que ela sente que ainda há algo de errado com ela, que o “demônio” dentro dela, seja Amunet ou outra entidade das trevas, ainda a possui. Vanessa precisa saber como lidar com essa presença do mal em seu coração. Precisa saber até que ponto o que a possui é parte dela ou algo que está se apoderando dela. Assim como o padre exorcista lhe questiona sobre a vontade de não ter mais isso dentro de si, Vanessa deve escolher qual caminho tomar. O do mal, no qual ela é especial e tem poder de remodelar a humanidade (ou destruir) se juntar-se com Amon; ou o do Bem, no qual ela tira de dentro de si (se é que isso é possível) este lado sombrio (que a deixa melhor atriz e pode lhe render bons Emmys — saudades, evil sister!). Qual será a escolha de Vanessa? Claro, na próxima temporada vamos saber.

Entre erros e acertos, ainda fico com uma imagem bastante positiva da série. Ela trouxe um roteiro bem acabado, elementos de conhecimento público e elementos únicos da série, e tem tudo para, caso amadureça um pouco mais o roteiro, se tornar a grande representante do terror na TV. E vocês, gostaram da temporada? Vamos usar o espaço dos comentários para discutir um pouco mais dessa delícia que foi Penny Dreadful? Até a próxima temporada!

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