Persona: em busca do verdadeiro eu

Uma análise da série Shin Megami Tensei, Persona, que vem desde a era do Playstation mas só nos últimos anos caiu nas graças do público.

A franquia Shin Megami Tensei sempre foi carro chefe da Atlus, desenvolvedora japonesa de jogos. Mas somente na última década a série caiu no gosto dos gamers, por vários motivos. Talvez, o principal deles, foi o fato de que alguns dos jogos antes da era PlayStation 2 não receberam traduções para o ocidente, limitando-se ao público japonês. Sim, receberam tradução feita por fãs tempos depois. Mas a franquia apenas conseguiu alcançar seu público, até mesmo os jogos mais antigos, quando Persona 3 e Persona 4 explodiram em popularidade.

Os protagonistas dos jogos principais da série

O primeiro jogo da série, Revelations: Persona (Megami Ibunroku Persona) saiu para o saudoso PlayStation 1 em 1996, mas sofreu com diversos problemas de censura e alterações nos personagens. Em seguida, foi lançada a sequência da série no mesmo console, Persona 2: Innocent Sin em 1999 e Persona 2: Eternal Punishment em 2000. O primeiro nem chegou ao ocidente na época, novamente por questões de censura.

Foi na era do PlayStation 2 que a franquia conseguiu se consolidar com força, tanto no Japão como nos países ocidentais. Persona 3, lançado em 2006, e Persona 4, em 2008 fizeram com que tanto a franquia Persona quanto sua franquia mãe, Shin Megami Tensei, alcançasse o carisma do público e hoje ambas contam com um público fiel. A franquia hoje conta com diversos jogos e spin-offs nos mais diversos consoles e jogabilidades diferenciadas.

Enredo:

A premissa de Persona se estende por ela toda: adolescentes se envolvem com poderes sobrenaturais e, a partir daí, precisam resolver toda a trama para poderem se salvar ou ao mundo de alguma entidade com intenções nada boas. A descrição aqui pode parecer simplista, mas a série é conhecida por conter temática bem adulta e macabra.

Os personagens do jogo lutam usando suas personas. Elas são entidades que se manifestam de dentro do inconsciente deles e refletem sua personalidade. Normalmente, são representações de entidades mitológicas, fabulárias e até mesmo religiosas. As personas vão desde Orpheus, Thanatos até mesmo alguns inspirados em religiões, como Shiva, Vishnu, Ardha, Lúcifer, Metatron e assim por diante. Isto é um traço marcante não só de Persona, mas de toda a franquia Shin Megami Tensei, que em outros jogos envolve domá-los e usar para seus próprios fins de luta.

Persona 5

Dentro da história dos jogos, também é comum ver uma temática pesada e psicológica. Em Persona 4, por exemplo, os personagens precisam encarar o seu “outro eu”, suas sombras (shadows). São uma manifestação de todos os sentimentos que a pessoa nega sentir, nega pensar e caso continue negando acabam morrendo.

Em Persona 3 e Persona 4, existe um sistema de convívio social em que o protagonista cria amizades e aprofunda nas histórias de vida de outros personagens. A personalidade de cada personagem é baseada em uma carta do tarot e, aos poucos, o jogador consegue ir mais à fundo na personalidade e psiquê deles. E, muitas vezes, são temas bem reflexivos e até pesados, como a garota que foi abandonada pelo pai que agora busca redenção perto da morte, um casal de idosos que tenta lidar com a morte trágica de seu único filho, um garoto de apenas 10 anos que busca vingança pela morte da mãe e uma garota que questiona seu gênero e comportamento por trabalhar em um ambiente machista.

A trama principal de cada jogo costuma ser um tanto simples a princípio, mas consegue ser também pesada na medida que se desenvolve. Os personagens acabam lidando com histórias de desvendar um mistério de quem é um serial killer que está atacando na cidade ou parar uma entidade que acredita que o verdadeiro desejo dos humanos é morrer. A série preza bastante por histórias independentes entre si, tendo a cada capítulo uma história diferente e com pouquíssima ou quase nenhuma ligação com o jogo anterior. Somente Persona 2 é uma exceção nisso, uma vez que alguns personagens do primeiro jogo retornam, além de ser uma duologia — dois jogos formam a história completa deste capítulo da série.

Jogabilidade:

A série se transformou muito ao longo do tempo neste ponto. No primeiro jogo a exploração dos mapas era feita em primeira pessoa, que não se repetiu no segundo.

As únicas coisas que se mantiveram ao longo de toda a franquia foi o combate por turnos, típico dos RPGs japoneses, e o manuseamento de personas. Que, no de Persona 3 e Persona 4 usar múltiplas personas ficou restrito aos protagonistas, enquanto nos outros é algo que todos os personagens podem fazer. As personas sempre foram coisas que podem se obter após uma batalha. São centenas delas e cada uma sendo única, criando muitas estratégias para a batalha. Além disso, o jogador pode fazer fusão destas personas, que resultam em uma (possivelmente) mais forte.

Persona_3

Em Persona 3 e Persona 4 houve uma grande mudança na jogabilidade. Os jogos se passam em um período de um ano e o jogador deve, literalmente, viver a vida do protagonista ao longo deste período. Não só ele precisa ir à escola todas as manhãs, mas também participa de clubes e desenvolve suas amizades com outros personagens. Estes elementos fizeram um grande favor à série, deixando ela única em misturar sistemas de RPG com o conhecido como Dating Sim.

Nas batalhas a série funciona como um RPG japonês clássico: a batalha funciona por turnos e o jogador seleciona suas decisões contra os inimigos. Também conta com características comuns da franquia, como magias elementais, inimigos com fraqueza e outros elementos que deixam as batalhas bem interessantes, e explorar todos os sistemas é algo essencial para conseguir triunfar na maioria delas.

Trilha Sonora:

As músicas da série são um show completamente à parte. O amor dos fãs pela trilha sonora do jogo é tanto que a série já teve três shows musicais ao longo dos últimos anos, lotados. Infelizmente foram somente no Japão.

A trilha sonora da série é composta, principalmente, por Shoji Meguro. Graças ao seu talento a série desfruta de canções magníficas e, se não fosse sua paixão pela franquia, o compositor seria disputadíssimo para compor para diversos outros jogos.

Na série, a maioria das músicas puxam para um lado mais contemporâneo, indo do jazz ao rap em uma só música. Uma vez que a série se passa no nosso mundo moderno, as músicas também precisam pender para esse lado, mas Meguro não deixa de incluir os mais diversos elementos nas músicas.

Mass Destruction, Burn My Dread, Kimi no Kioku, Reach out for the truth, Dream of Butterfly, Unbreakable Tie, Knight’s Order e The One Called from Beyond são excelente exemplos de como a série possui uma trilha sonora incrível e que vale muito por si só.

Veredito:

A franquia Persona é uma série de jogos incrível e com certeza merece a atenção de quem adora RPGs e boas histórias. Ainda mais agora em 2015 é a oportunidade perfeita para quem ainda não conhece Persona entrar neste mundo macabro. Em fevereiro de 2015 a Atlus mostrou ainda mais do próximo capítulo da série, Persona 5 e a internet foi à loucura.

Em apenas 24 horas depois de sair na internet, já tinha mais de 1 milhão de visualizações no YouTube. O que, para um trailer de um jogo, é algo incrível. Recentemente também foi liberado outro trailer com ainda mais coisas sobre o jogo, mas ele foi limitado ao público japonês que comprou o spin-off da série, Persona 4: Dancing All Night. Novamente os fãs foram à loucura.

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