Por favor, goste de mim

Please Like Me é uma série australiana que acaba de chegar ao catálogo da Netflix e viciar 100% das pessoas que descobriram.

A carência no título da série não é mera coincidência. Please Like Me acompanha a vida de Josh Thomas, que não é apenas o personagem principal, mas também produtor e roteirista, contando vários fatos da própria vida misturados com a ficção.

Josh é largado pela namorada do colégio, Claire (Caitlin Stasey), por ser gay. É claro que ele já parecia saber disso, mas aparentemente estava muito confortável numa relação com a melhor amiga para ir atrás de qualquer outra coisa. A partir disso ele começa a se envolver com outros homens e a desenvolver um pouquinho mais sua auto estima não muito alta. Na verdade bem baixa mesmo. Sendo sincera talvez isso ainda nem tenha acontecido.

A descoberta da sua sexualidade não é um grande tema pra ninguém. Além de alguns comentários feitos por Tom (Thomas Ward), o melhor amigo e roommate, tudo acontece bem naturalmente — os pais acabam descobrindo por acaso e não parecem estarem assim tão surpresos. E isso é uma das melhores coisas desse roteiro: tratar assuntos polêmicos de maneira natural no dia a dia.

Please Like Me trata também de depressão, ansiedade e outros transtornos mentais de maneira leve e dentro de um tom de comédia, então não fica difícil pra assimilar que aquilo tudo é normal mesmo.

Josh tem uma vida bem tranquila, nada de muito extraordinário acontece, os amigos são quase sempre os mesmos, os caras vem e vão e sua família é meio complicada mas muito simples ao mesmo tempo. Até John, o cachorro, usa seu próprio nome e é de Josh na vida real. Mesmo assim, você só consegue parar de assistir quando acaba.

As temporadas se desenvolvem baseadas nos relacionamentos, tanto de Josh quanto de Tom e Claire. Sempre existe uma leve mudança na dinâmica quando novas pessoas entram na vida de cada um, mas muito sutilmente tudo entra no lugar e nós ficamos achando que foi sempre assim.

A maior razão para assistir essa série é aquele calorzinho no coração que você vai sentir ao final de cada episódio, e a grande identificação que acabamos tendo com um ou outro personagem, que poderiam facilmente sermos nós mesmos ou qualquer amigo bem próximo. Com tanta ficção e histórias mirabolantes e futurísticas nas séries atuais, é renovador assistir algo simples e real que pode sim acontecer com qualquer um de nós.

Não faltam boas músicas — tanto cantadas pelos personagens quanto na ótima trilha sonora — e referências pop, sem nenhum tipo de estereótipo do universo gay. Josh (o personagem e o real) gosta muito de cozinhar, então a abertura é quase sempre algo que lembra um vídeo do Tastemade acompanhado pela ótima “I’ll be Fine”, de Clairy Browne & the Bangin’ Rackettes.

A fotografia é colorida e os móveis da república de Josh e Tom são exatamente como seriam na realidade: velhos e sem nenhum tipo de combinação ou planejamento. O figurino é composto basicamente por pijamas e peças desconexas, mas que acabam fazendo sentido no contexto. É a grande prova de que se o roteiro é bom, todo o resto se encaixa.

A série é da emissora australiana Pivot, e está sendo exibida desde 2013. São quatro temporadas, com um total de 32 episódios de cerca de 25 minutos cada —e a maratona não vai durar nem um dia (umas 13 horas e meia para ser mais exata). As 3 primeiras estão disponíveis na Netflix, e é meu presente de Natal pra vocês 🙂

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