Por que amamos os vilões?

Não tem como negar: todo mundo tem um vilão favorito! E não tenha medo de assumir sua admiração pelo malvado, isso não está relacionado com nenhuma declinação psicossocial. Afinal, o que seria das boas histórias sem os bons vilões?

A razão para isso é muito simples. O antagonista sempre tem — quase que por obrigação — uma história mais densa que o protagonista. Afinal, dizer que a personagem veste a camisa do mal porque tem acessos de esquizofrenia ou qualquer distúrbio mental ou emocional não preenche lacunas. Os vilões de verdade possuem motivação para o seu agir, uma necessidade — justa ou não — que o impulsiona a ser quem ele é.

Revenge 2x08

A marca essencial destes personagens é, acima de tudo, a imprevissibilidade. Você nunca vai saber de fato até onde ele vai chegar e o que é capaz de fazer, e isso o faz ser mais cativante. Essa característica nos faz querer cavar mais e mais fundo a história do personagem. Até que chegamos na porção humana, que o faz comum a todos, vulnerável, e por isso, algo acontece que o aflige e o faz querer se vingar.

À primeira vista, Victoria Grayson parece ser toda maldade. A rainha dos Hamptons de Revenge tem um coração impenetrável, irredimível. Mesmo que sua maior motivação báscia seja o controle de tudo e todos que a cercam, o que faz dela uma vilã convicente e apaixonante é a profundidade de seu passado. Isso a fez ser uma pessoa poderosa e marcante, com sua superproteção, que a faz mover céus e terras a favor dos filhos.

Outros vilões, embora explicadas suas motivações, preferem a opção de viver a imoralidade, agindo por impulso e em benefício de si prório, como Regina, a Evil Queen de Once Upon A Time. Necessariamente, a prefeita de Storybrooke faz maldades, ela também tem predisposição ao bem, mas pode agir para o mal caso prefirir ou necessitar.

Há aqueles vilões que sua motivação seja uma reclamação universal. Em Game Of Thrones, Jaime Lannister era o homem de confiança do rei, mas o mata como sinal de solidariedade à causa comum. Com o tempo, cai no que de fato representou sua ação: ele é um traidor.

Somado a isso, tem aqueles que a vilania é a característica mais evidente e até mesmo um cano de escape, como Trey em The O.C.. Criado num cenário de abuso social, era previsível que o irmão de Ryan não seria uma boa pessoa. Mas o maior erro de Trey foi abalar a confiança do irmão, mexendo com Marissa.

BatesMotel

Mesmo contendo uma maior porção de maldade, os vilões também possuem uma parte humana, que faz nos aproximarmos deles. Não tem quem não goste de Norman Bates, mesmo ele sendo um serial killer de grande nível. A veia maléfica de Norman, em suma, vem da mãe superprotetora, que cria um universo particular para o filho onde ela cria e controla as regras. Todavia, mesmo parecendo invencível, o universo dos Bates tem suas fraquezas.

O que chama a atenção nos vilões também é a sua inteligência. Ben, em Lost, era o tipo de personagem que, mesmo tendo uma atitude detestável, era cativante pela forma com que influenciava os outros e delineava seus planos. Em conjunto com os mistérios que envolviam a série, a imprevisibilidade dos planos de Ben davam a ele um fator de atração.

O controle da realidade é uma forte atribuição dos vilões. Joe Carroll, em The Following, é um exemplo claro. Sua forma poética de agir mostra a genialidade que o aproxima do insano, mas na verdade suas maquinações são maneiras de manter o controle e o torna difícil de anular.

Mesmo com os variados arquétipos de vilões, há um tipo que supera as experiências de maldade. O supervilão é aquele que se vê acima de tudo e todos, não por um poder especial ou por uma vida frustrante, mas sim pelo seu conhecimento das coisas que lhe dão habilidades sobre-humanas. Ele é capaz de sangrar, mas manterá sua pose e mais uma vez será intocável. Com um humor sádico, seu maior desejo é superar tudo e sua obsessão não tem limites. Seus defeitos anulam suas qualidades que fazem-no parecer ser alguém quase que sem sentimentos, mas no fundo suas atitudes são criadas pelo medo.

Não tenha medo de amar o vilão. Quanto mais profunda a sua história, melhor torna a trama para o herói. Então, qual é o seu malvado favorito?

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