Porque todas as pessoas do mundo deveriam ser Stella Gibson

Se você nunca assistiu The Fall, cuidado: spoilers.

Que fique bem claro: quando eu digo que todos deveriam ser como Stella Gibson, não é sobre não se envolver emocionalmente, e sim sobre ser livre para ser quem quiser, mas respeitar a liberdade do outro.

A série: Stella Gibson é a detetive superintendente enviada a Belfast para investigar o assassinato de Alice Monroe (acaba virando um caso de serial killer de mulheres)

Agora pula para duas cenas do terceiro episódio da segunda temporada:

Stella beija Reed, uma médica legista que também está no caso, que corresponde. Elas estão indo pro quarto de Stella quando Reed resolve desistir e vai embora, sem nem entrar. Horas depois, a campainha toca e, quando Stella abre , é o seu chefe. Ele quer beijá-la, mesmo contra a vontade dela, e continua insistindo de forma irritante e indo pra cima dela até que leva um murro na cara.

Porque essas cenas definem tudo que a Stella é?

Ela , até o momento, costuma fazer sexo sem envolvimento emocional, talvez porque esteja perseguindo um serial killer e não tenha tempo para se focar, ou talvez porque fez esta escolha em algum determinado momento de sua vida, ou por qualquer motivo, tanto faz , o que importa é que ela está tranquila em relação a isso.

Ao beijar Reed, era perceptível que tinha atração, mas mesmo assim por alguma razão — qualquer que seja — ela desistiu de transar com ela, e só coube a Stella respeitar. Mesmo que ela tenha correspondido ao beijo, que ela tenha subido até o quarto de hotel, mesmo que existisse atração. No fim, Stella respeita o direito das pessoas escolherem com quem elas devem se deitar. É o que ela acredita.

No mesmo dia, o chefe de Stella, com quem teve um caso anos atrás, aparece na porta. Eles tiveram casos anos atrás. Eles já foram amantes. Ainda assim, ela se dá o direito de não se envolver com ele pois não sente vontade. Afinal de contas ela acredita no direito das pessoas escolherem com quem elas devem se deitar. É o que ela acredita.

Na Season finale ela vai interrogar o serial killer pela primeira vez, a pedido dele. Antes de entrar na sala, esse é o diálogo que ela tem com seu chefe:

– Você vai interrogá-lo?
– Não tenho escolha
– Ele é um monstro, ele é desumano, é um monstro
– Ele é apenas um homem.
– Eu também sou e não me considero nenhum pouco parecido com ele.
– Não, você não é. Mesmo assim, foi até meu quarto de hotel sem eu convidar e tentou me atacar bêbado.
– Não foi um ataque. Não é justo, eu só queria
– O que você queria?
– Não sei
– Me foder? Trepar comigo? Me comer?
– Eu não usaria essas palavras sobre você
– Eu disse não pra você, claramente. Você ignorou e continuou.
– Não é a mesma coisa
– Não é. Mas ainda assim, você passou dos limites.

(BÔNUS TRACK: se esse texto não te convenceu, talvez essa matéria do Buzzfeed convença)

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