Produtora de CSI revela os bastidores da série

De passagem pelo Brasil, Liz Devine, criminalista e produtora de CSI, conversou com o Box de Séries e revelou detalhes da produção do drama policial

Os dramas policiais da TV americana são a programação que mais atrai público nos Estados Unidos e no mundo. Alguns deles ultrapassam a marca de mais de uma década de exibição. Esse é o caso de CSI. Desde seu primeiro episódio, o drama procedural exibe histórias sobre os bastidores da investigação criminal e continua mantendo o mesmo nível de audiência após todos esses anos.

Por trás desse trabalho existe uma equipe de produtores, roteiristas e consultores que adaptam os aspectos mais interessantes do dia-a-dia de uma investigação criminal. Elizabeth Devine é uma criminalista que deixou sua carreira de lado para se dedicar justamente à produção dos episódios que vemos na TV. Sua presença na série deixa claro o grande mote da produção: CSI se baseia na experiência de profissionais da área criminalista, raramente se deixando pautar pelos noticiários, como faz Law & Order.

Em entrevista, Liz confessa que jamais esperou o sucesso da série. E isso traz desafio na hora de escrever os episódios. “As pessoas são curiosas pelo mistério. Sempre fomos. Eu lia os livros de Agatha Christie. Acho que isso faz com que as pessoas gostem muito de CSI. É muito difícil escrever os roteiros tendo em vista um público tão grande. Nosso público não é burro, não podemos trata-lo sessa forma. Somos didáticos, mas sem subestimar a inteligência de nossos telespectadores”. É por isso que cenas “raio x”, que mostram o interior dos cadáveres, são frequentes na série. “Se o legista diz que ele morreu por embolia pulmonar, nós fazemos um ‘woosh’ e mostramos o que é uma embolia pulmonar”.

Fatores como esses ajudam a manter a série fresca. Devine garante que a nova temporada mostrará elementos que a série não abordou antes. “Na temporada passada, tivemos muita correria com a chegada de Ted Danson e a saída de Marg Helgenberger. Neste ano podemos trabalhar com mais calma”.

A troca de atores é um problema recorrente em séries de longa duração. CSI já teve como atores principais Willian Pettersen, Lawrence Fishburne, e por último, Ted Danson. Introduzir novos personagens e fazer com que o público os olhe com bons olhos é um dos grandes desafios enfrentados pela produtora.

“É um trabalho muito difícil. Nós não queremos que o novo personagem seja um substituto dos anteriores. É um desrespeito com o personagem e com o ator que o interpretou. Nós não sabíamos que teríamos Ted Danson. Os roteiristas voltam ao trabalho em julho (época em que as séries da fall season estão em recesso), não tínhamos ideia para quem estaríamos escrevendo. E isso é muito difícil porque alguns atores não conseguem fazer determinadas coisas. Demos muita sorte por der Ted conosco. Ele é um ótimo ator e uma grande pessoa. Decidimos fazer dele um contraposto dos anteriores. Ele é um homem de família. Depois do trabalho ele vai pra casa e tem gente esperando por ele.”

“Introduzir o personagem também é algo muito difícil. Dessa vez usamos Catherine, pois o público se identifica muito com ela. Por isso eles tiveram a mesma reação que a personagem, que começou estranhando o novo chefe, mas que acabou por aprova-lo. O mesmo aconteceu com a audiência, que seguiu os sentimentos de Catherine”, completou.

Elizabeth também é bastante atenta com o que acontece em outras séries. Chegou a citar Castle, Sherlock e Dexter. Ela opina que as séries são interessantes para o entretenimento, mas que elas fogem um pouco da realidade. “Não é possível que exista um serial killer que fique tanto tempo sem ser pego. Em CSI nós fizemos isso algumas vezes, mas a audiência reclama, também não podemos fazer nossa equipe parecer ruim. Geralmente um matador em série possui problemas psicológicos. À medida que ele vai matando, seu ego infla e ele começa a ser desleixado.”

Com profissionais do nível de Elizabeth por trás de CSI, é compreensível o sucesso da série e a sensação de segurança que os americanos sentem ao assistir a esse tipo de programa. CSI faz a fusão do entretenimento com a propaganda do bem-estar, o pacote completo para o público interessado. Aliado a isso, o formato “episódio da semana” ajuda o telespectador a se tornar cativo, mesmo com a linearidade das histórias não sendo o principal fato do gênero. A fórmula, mesmo após décadas, tem se mostrado eficiente.

A 13ª temporada de CSI estrou nos Estados Unidos no dia 26 de setembro. Aqui no Brasil a série estreia no dia 22 de outubro, às 21h, no canal Sony.

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