Produtores comentam The Walking Dead

Nos Estados Unidos, o dia 31 de outubro é marcado por uma data conhecida no mundo inteiro: o Halloween. Para as crianças, presentinhos como balas e pirulitos serão distribuídos, para os adultos (e mais nerds) o canal AMC preparou a adaptação The Walking Dead, baseada nos quadrinhos homônimos.

A série estreia na semana seguinte em todo mundo em uma ação inédita da FIC, Fox International Channels, que garante a muito mais gente a distribuição quase que imediata deste drama, que se apoia mais na humanidade do que no terror. “Há a gente e a morte. A gente sobrevive a tudo isso por prezar o convívio, não a separação,” diz o ex-xerife Rick Grimes, papel de Andrew Lincoln.

“É uma história que qualquer pessoa poderá entender,” explica Robert Kirkman, autor da série em quadrinhos. “Os zumbis são uma representação de qualquer desastre, mas o foco é nas pessoas — em tudo que elas passam”.

Rick Grimes é um homem qualquer, com tudo o que o mais normal dos homens carrega: uma esposa, um filho e seu melhor amigo Shane (Jon Bernthal), que lhe dá conselhos sobre a vida amorosa quando é necessário. Um cara normal que vive num mundo normal até ser baleado e entrar em coma.

Quando ele acorda, tudo mudou. Apenas prédios vazios e corpos enfileirados restaram. “A gente entra nesse mundo a partir de sua perspectiva e o segue enquanto ele vai compreendendo o que aconteceu,” diz o produtor executivo da série, Gale Ann Hurd (The Terminator, Aliens). Dilacerando e atirando, abrindo caminho diante dos cadáveres carnívoros que continuam de pé, Rick parte em busca de seus entes queridos.

“O que sou agora é um homem atrás de sua família,” diz Lincoln. “Tudo o que entrar for contra ele nesta busca já está perdido.” “Esta é uma história de sobrevivência humana — seja qual for o apocalipse,” diz Hurd. “A que se resume a natureza humana quando tudo o que se é conhecido é tirado de cada um de nós?”

Exceto é claro pelos zumbis, aquelas lentas carcaças com produção e maquiagem de Greg Nicotero, responsável por filmes como Horror em Amityville, Viagem Maldita e do seriado da HBO The Pacific, pelo qual venceu o Emmy.

Depois de fazer um cast na própria cidade de Atlanta, onde o seriado é gravado, Nicotero adicionou lentes de contato, dentaduras, próteses e muito sangue — isso em até 150 figurantes em uma única gravação. Os zumbis tem até mesmo uma história própria. “A gente pensou em como aquela pessou morreu. Quando elas foram mordidas e se transformaram,” diz Nicotero. Os figurantes foram até treinados em uma escola de zumbis. “Isso foi incrível!” disse Hurd. O “‘Mestre’ Nicotero juntou tudo que era necessário e nós mostramos o que esperávamos: sem exagero e sem ser engraçado. Levamos aquilo a sério.”

E a AMC, que vem se mostrando o lar de algumas das melhores séries de TV, nem meteu o bedelho. “A AMC nunca nem pediu para fazer de algum outro jeito,” comentou Hurd. “Eles não nos deram um tom a seguir.” Ele afirma que o canal estava aberto ao projeto desde seu início. “Eu liguei para eles e eles já até sabiam do que se tratava!” Aquilo foi ótimo para o criador e diretor da série, Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade, A Espera de um Milagre), fã de longa data do material original.

“Eu fui até uma banca de jornais e vi a revista há uns cinco anos,” disse. “Eu esperava algo mais raso, mas ao invés disso, o que vi foi um material super profundo.” E ele está levando toda essa profundidade e complexidade para as telas. “Você consegue ter um vislumbre sobre tudo o que é bom e tudo o que é ruim na humanidade,” diz Lincoln. A pergunta é, o que sobrou de bondade? Provavelmente não muito: “Os humanos conseguem ser mais assustadores do que os zumbis,” acrescenta Hurd.

Além desses humanos, há Andrea (Laurie Holden), uma advogada que quase atira em Rick quando o encontra pela primeira vez. Tem também Morgan (Lennie James) que, para proteger seu filho, aponta uma faca para Rick e Shane, que não pensaria duas vezes sobre deixar seus amigos morrerem em troca de sua sobrevivência. Há ainda a família de Rick, sua esposa Lori (Sarah Wayne Callies), que acredita ter perdido o marido indo parar então nos braços do melhor amigo dele. “Há uma necessidade de afirmação da humanidade e há a falta disso,” diz Callies — como se o fim do mundo não fosse um drama suficiente, ainda há triângulo amoroso.

E isso não é tudo. Os sentimentos que cada personagem carrega dentro de si serão fundamentais para o prosseguimento da história. A coragem de Ricky, a paixão de Andrea, o paternalismo de Morgan. “Essa não é uma história de sobreviventes de sucesso, mas é uma história apaixonante sobre sobrevivência,” diz Callies. Até o adultério de Lori e Shane faz sentido no mundo como ele ficou — é uma busca natural pelo conforto. O que poderia ser mais humano do que isso?

The Walking Dead estreia no domingo, nos Estados Unidos. No Brasil, pelo canal Fox e dublado, em 2 de novembro, dia de Finados, às 22h.

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