Qual será a mensagem de Feud: Bette and Joan?

Uma nova antologia de Ryan Murphy nasce na TV: após American Horror Story e American Crime Story, Feud (estreia marcada para o dia 5 de março) é o próximo lançamento do canal americano FX, com a promessa de ser um dos mais comentados do anos. Não é para menos, já que o elenco conta com as premiadas Jessica Lange e Susan Sarandon, apoiadas por Catherine Zeta-Jones, Alfred Molina, Stanley Tucci, Kathy Bates e Sarah Paulson.

Além de ser uma grande peça de entretenimento e possível ganhador de vários prêmios, a nova atração tem embutida a promessa de um alerta para o público: parem de fazer as mulheres brigarem no entretenimento. É infindável a lista de famosas que, segundo o público, brigam por atenção. Mas será que isso é necessário mesmo?

Betty Davis e Joan Crawford se tornaram estrelas de Hollywood ainda na década de 30, e assim como hoje, tiveram que lutar por bons papéis. Quando a dupla topa estrelar o filme O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, em 1962, já estavam com idade que não eram mais desejadas pela indústria. O resultado para vender um filme foi tornar público uma rivalidade que, no fundo, não tinha um motivo de fato. Foram vários episódios que tornaram os bastidores da produção motivo de curiosidade: um deles, Joan teria chutado de verdade Betty, e em outro, a intérprete de Blanche colocou pesos na roupa para dificultar a encenação de Baby Jane.

O resultado não foi diferente: a arte imitou a vida, e o filme, além de se rum sucesso, foi indicados aos principais prêmios como Oscar, BAFTA e Golden Globes.

Hoje, 55 anos depois, pouca coisa mudou. Por trás e na frente das câmeras as mulheres são em menor contingente e menos reconhecidas. E para quem não é Meryl Streep, após os 40 anos a capacidade artística é voltada para papéis como mães, avós, tias que entregam a sensualidade para viver da família, poucas são mulheres fortes, independentes e ativas. E, é claro, nunca é famosa o suficiente aquela que não tem inimizades.

Como se Madonna realmente precisasse odiar Lady Gaga, ou o mundo de Katy Perry seria mais perfeito se Taylor Swift não existisse.

A intenção aqui não é proclamar o feminismo, sororidade… O papo vai além disso. Arte é uma coisa que se constrói aos poucos e com vários pedaços. Precisamos da versatilidade da Gaga, do romantismo da Taylor, da mensagem poderosa da Madonna, e do mundo cor de rosa de Katy. A cultura precisa de cada contribuição para evoluir, ultrapassar barreiras e vencer a indiferença.

Betty e Joan mereciam muito mais. No entanto, o orgulho, o ego, e principalmente a indústria foram postas em primeiro lugar; um exemplo de que arte se faz sem interferências externas. A mídia, por natureza, já inferioriza a mulher, imagina quando são realmente talentosas? É como se a lei da física provesse regras que impedisse dois grandes talentos de ocupar o mesmo espaço.

Em uma era em quem o lugar da mulher é onde ela quiser, Betty Davis e Joan Crawford terão uma pequena rendição na pele de Susan Sarandon e Jessica Lange. Por trás dessa briga épica, duas mulheres que, assim como hoje, merecem ser apreciadas por emprestar seus talentos para a arte.

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