Que Horas Ela Volta? (2015)

Que Horas Ela Volta? toca, incomoda e faz refletir.

Moderna, né? É tudo diferente esse aqui, é o preto no branco, o branco no preto. É diferente que nem tu.” VAL

É difícil falar sobre Que Horas Ela Volta? Logo após a sessão, você sai nocauteado com tantas verdades, que você sempre ignorou, jogadas na sua cara. O filme conta a história de Val, uma pernambucana que sai de sua terra natal e vem para São Paulo atrás de serviço e é obrigada a deixar sua filha Jéssica sob os cuidados de outra mulher, enquanto trabalha como babá na casa de uma família rica de São Paulo. Val tem uma boa relação com seus patrões e principalmente com Fabinho, que ela criou desde criança, e é até “da família”, mas essa relação é abalada com a chegada de Jéssica, que vem a São Paulo para prestar vestibular.

O filme começa discreto, sem muito alarde. Acompanhamos o dia-a-dia da família e como Val é essencial para a mesma. Val é considerada da família, mas sabe até onde deve agir por “ser da família”. Com enquadramentos respeitando os limites dos empregados, como a câmera na cozinha enquanto o jantar rola, por exemplo, somos levados pelo olhar dos empregados domésticos e entendemos “as coisas que já nascemos sabendo” que Val diz. Com a chegada de Jéssica um incômodo cresce em todos, em nós expectadores e neles, personagens.

É impossível você não se identificar com alguma personagem durante o filme ou com alguma situação. As verdades são postas em nossas caras e isso causa um grande incômodo em todos, nos fazendo, ao terminar o filme, refletir sobre nossas ações e pensamentos. Jéssica foi abusada? Talvez. Mas por que ela não poderia comer o sorvete ou entrar na piscina em um dia de calor já que sua mãe era da família?

Que Horas Ela Volta

A beleza do filme se encontra no seu roteiro sem grandes cenas ou acontecimentos, ele só é. Mas como assim, só é? Ele mostra como a vida é, sem grandes acontecimentos ou discussões, onde pequenas ações, gestos, falas mudam tudo. Não tivemos um clímax, um vilão ou uma mocinha. O filme falou da vida real, como ela é: sútil, delicada, sempre pronta para mudar tudo, sem avisos prévios.

Os diálogos são sutis, sem nada forçado. Não precisamos ouvir Jéssica falando que está incomodada com a posição em que a mãe está naquela família; os olhares, os gestos, as falas já deixam isso claro e nos desperta o que ela está sentindo. Camila Márdilla brilha como Jéssica, junto de Regina Casé que, de tão bem e confortável em seu papel, não nos deixa lembrar dela em seu programa, Esquenta.

Que Horas Ela Volta? cumpre seu dever com maestria, deixa inquieto, cutuca e tira, quem assistiu, do seu conforto. É como dizem: Arte boa é arte que faz pensar, não? Pois se for assim, o filme é uma obra de arte que deve ser aplaudida sempre que for contemplada. Emocionante, delicado e sensível. O filme tem tudo para ganhar a estatueta mais cobiçada do cinema.

E você, o que achou do filme? Vote e comente!

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