Revenge 3×01 — Fear

Revenge 3×01 — Fear

Eu acho que nós duas entendemos a importância de proteger a santidade da família.”, Victoria

Vingança é um prato que se come frio. O de Emily Thorne está gelado, mas delicioso. Já se passaram dois anos desde que ela iniciou sua empreitada contra os Grayson e todos que fizeram mal à sua família e ela vem percorrendo, sem nenhuma pressa, um caminho por vezes azedo (vide boa parte da segunda temporada), que deixa um gosto mais amargo na boca do que satisfaz o paladar. Mas, como disse Jack em determinado momento da season premiere, o amor incondicional que um filho tem por um pai é inexplicável.

revenge 3x01 fear

Essa terceira temporada pretende retomar os trilhos da primeira, quando Revenge era uma série imperdível, divertida e vingativa, com a dosagem equilibrada de drama. Ver Emily derrubar um a um os que trouxeram desgraça à sua família costumava ser uma das coisas mais fantásticas da TV… daí aconteceu a segunda temporada.

Me desculpem os fãs, mas aquilo foi falha atrás de falha e a gente foi se cansando. Não da falta de pressa de Emily em se vingar, mas porque alguém ali decidiu que “quanto mais drama, melhor”. E os roteiristas encheram a série (já super povoada) de mais personagens e mais plots, que se desviavam do foco original. A introdução de Aiden, por exemplo, foi um problema em particular — e vê-lo voltar no cliffhanger desse episódio foi de um desgosto tremendo. A história do personagem nunca foi desenvolvida para que nós espectadores gostássemos dele, então ele está sobrando. E já que a gente nunca se afeiçoou a ele mesmo, a decisão da produção foi a de trazê-lo como mais uma pedra no caminho de Emily Thorne (que retomou os Xs desenhados com caneta vermelha para marcar a anulação de seus antagonistas). Tudo para dificultar a vendeta do título.

Apesar desses problemas relacionados à segunda temporada, há esperança para o terceiro ano da série. E se esse não foi um episódio brilhante, pelo menos trouxe Emily em sua melhor forma. Ardilosa e pronta para esmagar seus algozes de outrora e de agora.

Retomamos a história seis meses depois dos acontecidos da segunda temporada (calma, que eu já chego no flash forward que abriu a premiere). Durante seis meses, Emily fez apenas o papel de namorada dedicada e escolheu o melhor momento para retomar sua saga: a festa de Memorial Day, em que todos os olhos estariam sobre Conrad Grayson, o Governador. Com um único frasquinho de sei-lá-o-quê e a agilidade de acertar o pen drive na entrada USB (que eu, particularmente, não tenho), ela derrubou (literalmente) Conrad e seus planos de dominação mundial, colocou uma angústia no coração de Victoria, de Charlotte e de Daniel e, de bônus, ainda varreu Ashley para fora da história. Golpe de mestre, aplausos, por favor.

E por falar em mestre, os melhores momentos de Fear estiveram nas duas cenas entre Emily e Victoria. Um embate sutil, mas de causar arrepios, entre duas forças da natureza. Victoria Grayson, embora ainda inebriada pela convivência com o primogênito abandonado, continua a ser a leoa que fará o que estiver a seu alcance para proteger sua família. Cada vez mais a considero uma incompreendida. Ela e Emily são muito iguais, cada uma fez e faz o que for preciso para preservar o sobrenome de família num bom lugar. Ambas têm (salvas as devidas proporções) o mesmo propósito, mas cada uma segue um caminho. Emily, o de ataque. Victoria, o de defesa. A proximidade entre Emily e Victoria continua sendo o ponto alto da série — e o motivo para não desistirmos dela.

A matriarca dos Grayson sabe com quem está lidando, creio que não há mais dúvida sobre isso. Ela pode não saber ainda que Amanda Clarke está tão próxima, mas sabe que Emily é uma ameaça. Será que Aiden revelará a ela toda a verdade sobre “a garota da porta ao lado?” — pense comigo, ele não tem nenhum motivo para não fazer isso. Se ele guardar esse segredo para si e privar Victoria do mesmo, seu retorno terá ainda menos sentido. Então (oba!) a loirinha que se prepare.

A sorte de Emily é ter pelo menos um relacionamento sólido em meio a tudo isso, a amizade com Nolan. Ele é mais do que um parceiro de crime, um Robin para um Batman, é um amigo sincero. Até deu um pouco de nostalgia da primeira temporada, com Emily indo buscá-lo na prisão, como ele fez no primeiro ciclo com ela. Nolan, na minha opinião, aliás, é uma das melhores coisas de Revenge. Como não amar sua entrada a la James Bond na festa, para evitar todo o sistema de segurança, mas ainda não entendi onde isso foi uma boa ideia. Ele realmente podia ter sido baleado! Embora seja uma situação plasticamente interessante, para a trama acaba sendo mais um furo que a enfraquece. Mas tudo bem, estamos acostumados a perdoar esses deslizes de Revenge. Outro relativo a Nolan foi ele ter passado seis meses na prisão e ter saído de lá aparentemente sem traumas. Ele é muito bem apessoado e fashionista para aquele ambiente — e sai como se nada tivesse acontecido? Ok, vamos ignorar isso

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também e partir pro que interessa.

Dois personagens foram introduzidos neste episódio, mas foram dois plots frios por enquanto. Margeaux, ex-namorada francesa de Daniel, me parece que será um desvio nos planos de Emily. Justo agora que tínhamos nos livrado de Ashley, colocam uma substituta, só trocou o sotaque. Já Patrick, o filho de Victoria e uma das promessas para esta temporada, também não mostrou a que veio — e foi embora tão facilmente depois das ameaças de Charlotte, que me pergunto se isso não é parte de uma estratégia do rapaz para recuperar tudo o que não teve nos anos em que sua mãe fazia o papel de Soberana dos Hamptons. Senti falta de um objetivo claro para o personagem logo de cara e acho que valia tirar uns dois minutinhos de Fear para já apresentá-lo grande na história.

A vingança de Emily esbarra em seu sentimento por Jack. A química deles é tangível e ficou evidente no beijo. Alguém aí acreditou que ele realmente não sente nada pela moça? Mas, assim como Emily, ele fez uma escolha, de se entregar ao lado negro de seu coração em busca de uma causa maior. É ÓBVIO que ele vai procurar formas de vingar a morte da esposa e do irmão — e não pode ter a paixão em seu caminho. Assim como Em. Para que Jack tenha algum alívio por tudo o que perdeu, ele não pode se entregar ao sentimento que sente por nossa heroína. E esse novo Jack pode tanto ser um improvável futuro aliado ou uma grande pedra no sapato de Emily em sua vingança contra os Grayson. Ao mesmo tempo, afastar Emily neste momento, fazê-la acreditar que não há amor ali e, mais tarde, lhe dar um prazo, pode ter sido a forma que Jack arrumou para ter alguém que faça o serviço sujo por ele.

Se Emily vai cumprir o ultimato ou não, veremos. Na conversa com Nolan na praia, ela não pareceu tão perturbada. É como se ele não interferisse em seus planos, que aparentemente terão seu auge numa data simbólica: 8/8 — o símbolo do infinito duplicado.

E esse 8/8 parece ser o momento do flash forward que abre o episódio. Enquanto Emily, em off, pondera sobre o que é o medo, ela olha sem nenhum medo para o seu misterioso interlocutor no iate. Ela pede desculpas aparentemente sinceras e toma dois tiros. A cena é menos de tirar o fôlego do que gostariam os roteiristas. Afinal, fica difícil temer pela vida da protagonista, que eu duvido que tenham coragem de matar. Emily cai nas águas, baleada, e ainda assim não demonstra medo do que a espera. Será que àquela altura ela já terá conseguido desenhar Xs de caneta vermelha em todos os rostos que são seus alvos?

Minha aposta: quase. São apenas dois meses até lá (para nós um pouquinho mais, já que esta cena deve ser retomada em dezembro) e tudo indica que seu vestido de noiva corresponde realmente ao casamento com Daniel. É nesta cerimônia que ela pretende ter boa parte da satisfação por sua vingança. E se o noivo descobriu que foi usado pela mulher que ama como ponte e acesso para que ela destrua a família dele? Acho que valeria uns dois tiros mesmo. Mas, claro, ainda é muito cedo para dizer. E vocês, apostam em que?

Assista ao promo do segundo episódio, Sin:

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