Revenge 4×20 — Burn

O que fizeram com Victoria Grayson?

Emily não vai parar enquanto eu não morrer e me recuso a dar essa satisfação”. — GRAYSON, Victoria

Como ser imparcial com algo que você não sabe se amou ou odiou? Sinceramente, não sei por onde começar. Burn me ocasionou momentos de pura adrenalina, como também me fez ter a maior decepção com a série desde então. E nem preciso citar a razão, não é mesmo? Afinal de contas, o que é um reino sem uma verdadeira rainha? E não… Não estou falando de Emily Thorne.

Antes de começarmos com tal fato, vamos primeiramente focar nas tramas secundárias, que foram ótimas! Tem gente que odiou, mas, no meu caso, amei. Sendo mais direto: a volta ilustre do lado obscuro de Louise. Não adianta, essa personagem me cativou e ponto final. Posso até me contradizer com a review passada, em que citei que ela voltaria atrás e não acabaria com a vida de Nolan Ross. Eu sei, quebrei a cara. Mas fala se não foi deliciosa a cena em que ela bancou a ex-mulher depravada? Claro, foi bem novela mexicana, mas serviu para que Nolan fortalecesse o relacionamento com o assistente social bonitão. O que não podemos considerar como uma “grande” maldade, certo?

Continuando a falar sobre Louise, tivemos o prazer de assistir o show de faíscas entre ela e Margaux. “Essa mulher tentou me matar, Victoria!”, “Queridinha, naquela época eu era uma psicopata drogada. Fica na sua, por favor?”, (ta legal, fantasiei um pouco, mas a cena não deixou de ser assim). No final das contas, Louise conseguiu o que tanto queria: ser amiga de Victoria Grayson. Nesse ponto, a série foi até justa por ter lembrado do objetivo inicial da personagem, justamente porque Revenge adora esquecer alguns plots (como se eles nunca tivessem existido). E de bônus, Louise ganhou a confiança de Margaux.

Revenge - Burn - Victoria Grayson

Ainda no papo de novela mexicana, temos o famoso clichê de pessoas ouvindo por trás da porta, e quem protagonizou tal façanha foi o nosso querido Ben Hunter. Alguém aí sentiu pena dele? Olha, poderia até sentir, mas se a série ocasionasse qualquer tipo de romance entre ele e Emily. Achei o máximo o dia em que Ben a beijou na frente de David Clark, nossa que cara de atitude. E depois? Os dois só se encontravam por trinta segundos e nem mesmo se olhavam apaixonadamente. Então, por mais que ele estivesse certo em bancar o homem usado e abandonado, a química entre os dois era inexistente e o que ocasionou uma cena totalmente sem sal.

E com aquele gosto de “já vimos isso antes”, Emily Thorne (por mais que eu tente, não consigo chamá-la de Amanda Clarke) sai correndo contra o tempo para não deixar Jack Porter fugir de vez da sua vida. Claro que ela chegou tarde demais e nunca saberemos quais palavras nossa vingadora guardou para aquele momento. Adoraria vê-la abrindo o coração e fazendo com que Jack finalmente fosse feliz. Por um único instante, imaginei que ele não pegaria aquele avião. Que a pessoa saindo daquele beco escuro fosse nosso Porter, mas Mason Treadwell foi a grande surpresa da noite. Teria sido uma boa escolha os produtores reservá-lo como o vilão final? Alguma chance de Lydia Davis aparecer? Essa, sim, seria ilustre!

Saindo nas novelas exibidas na América Central, podemos pegar uma pitada brasileira agora: David Clarke descobriu que tem câncer. Walcyr Carrasco aplaudiu de pé essa ideia! Sério, não tinha outra coisa melhor? Como, por exemplo, eu não matei Conrad Grayson? Sei que muita coisa hoje em dia é uma leve inspiração de outros trabalhos, raramente nos deparamos com algo original, mas que tal essa dica: no lugar de lotar a trama com velhos clichês, por que não encerrá-la logo de uma vez? Por que, me diz? Agora ele vai fazer quimioterapia escondido de Emily e depois nossa protagonista vai ficar abalada com o fato de não ter uma semana de sossego ou uma vida feliz.

Não tenho mais paciência para coisas previsíveis. Sinceramente, cansei desse jogo. É pensar que somos otários (ou somos?), uma semana Margaux é a vilã, na outra se torna mocinha, depois volta a ser a vilã novamente. Envolvem Emily com Ben, criam um Jack ciumento e esquecem do motivo que ele tinha ciúmes, já que aquele casalzinho nem se encontrava. David Clarke deixou de ser o cara misterioso e virou um vovozinho aposentado. Nem preciso citar da volta de Stevie Grayson na trama. O segredo de Revenge é esquecer. Isso mesmo, esquecer de tudo o que você viu no episódio passado, porque senão você vai gastar um parágrafo inteiro, como estou fazendo agora, reclamando dos furos e das novas personalidades que os personagens adquirem a cada semana.

E o que fizeram com Victoria Grayson? Onde foi parar a batalha épica? Cadê a cena da nossa Queen dos Hamptons enfrentando Emily Thorne? Esperava um diálogo monstruoso entre as duas, e já que estávamos falando de novela latina, aceitaria até um puxão de cabelo, tapa na cara e afins. A rainha destemida, que tanto idolatrávamos, passou o episódio inteiro interpretando uma plebeia. Deus, chutaram a Vic no chão, depois ela ficou com mal de Parkinson (com aquela tremedeira louca) com medo de que Amanda Clarke lhe fizesse algo. Desde quando Victoria Grayson passou a ter medo?

Pra não dizer que não teve um leve clímax, Emily roubou o pendrive da jaqueta do detetive. Fim. Esse foi a derradeira guerra entre a ex-nora e a ex-sogra. Foram quatro anos, para o final se resumir em um roubo de um pendrive.

E uma vez rainha, eternamente rainha. Pelo menos foi uma morte digna! E essa foi a única parte que julgo ter amado em Burn. Victoria não deu esse gosto para os seus inimigos e isso provavelmente a eternizou. O jogo de cenas foi de aplaudir de pé, desde o figurino com o famoso vestido vermelho, até o seu trono branco, onde comandou sentada diversas artimanhas. E isso foi a única razão das cinco estrelas nessa crítica, a atuação de Madeleine Stowe e o adeus de Victoria Grayson, que levou consigo o seu reinado.

Fora isso, não sei mais o que esperar de Revenge. Charlotte infelizmente é algo inevitável, mas e a decepção com a série, ainda dá pra evitar?

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Lidio Mateus, o brazilian singer da internet, comenta todos os bafos e segredos de sua carreira.

Tem série nova na HBO e os bastidores dela foram recheados de TRETAS. A gente conta todas neste vídeo.

Esse é o filme que vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro. Neste vídeo comentamos Parasite. Assista!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER