Revenge 4×23 — Two Grave (Series Finale)

A melhor maneira de combater o caos é com caos

Quando eu era uma garotinha, meu entendimento de vingança era aquele aprendido na escola. Pequenas lições de moral, como: “fazer aos outros” e “dois erros formam um acerto.” Dois erros nunca serão um acerto. Porque os erros nunca são iguais. Para o errado, a satisfação só pode ser achada em um dos dois lugares: Perdão absoluto ou justificativa moral. Essa não é uma historia sobre perdão”. — CLARKE, Amanda

Foi exatamente com essa frase que Revenge começou. A vingança chegou ao fim no último domingo, depois de quatro espetaculares temporadas (puxei o saco legal agora, fingindo que a quarta temporada não foi fraquinha). A despedida da série não agradou a maioria das pessoas que acompanhava a saga de Emily Thorne, e mesmo sendo um final precipitado (lembre-se que o cancelamento da série foi anunciado há poucas semanas), Revenge teve um encerramento digno e justo. E como dito pela nossa protagonista no episódio piloto — para o errado a satisfação só pode ser achada em um dos dois lugares: perdão absoluto ou justificativa moral. E definitivamente o perdão passou longe dessa trama.

Para começar, o título do episódio é Two Graves, porque antes de embarcar em uma jornada de vingança, Confúcio adverte que se deve cavar duas covas. E ele estava absolutamente certo.

Começamos com um grande monólogo com Amanda Clarke ainda garotinha e seu pai, David Clarke. Sempre foram bons esses flashbacks entre os dois, isso ajudou muito no passado, quando torcíamos para ver um inimigo sendo derrotado, porque também nos apegávamos a essas lembranças felizes. Claro que essa cena não poderia ficar de fora no capitulo final. Meu coração já começou a ficar pequeninho a partir dessa cena. E se tocasse For You do Angus and Julie Stones, confesso que me desabaria em lágrimas. O início de Two Graves foi um belo motivo de lembrarmos porque estamos aqui até hoje com essa série… e isso deu certo.

Revenge - Casamento - Emily Thorne - Jack Porter

Todo mundo achou que Emily estava louca quando se declarou culpada pela morte de Victoria, todos, exceto Nolan. A dupla de vingadores sempre soube o que o outro estava pensando. A revolta na prisão era algo esperado, já que honestamente, foi a única saída desse plot. E uma boa saída por sinal. Já que compartilhou a última parceria entre os dois melhores amigos. Teria sido bom ver Emily e Nolan vingando-se de alguém pela última vez, por exemplo, Margaux era uma ótima candidata. Já que ela passou maior parte dessa temporada sendo mesquinha e repugnante, mas como isso não aconteceu, nos contentamos com a fuga do presídio, que não foi tão ruim assim. A parceria do eterno geek com a garota órfã encerra aqui. Opa, uma lágrima surgindo?

A rivalidade entre Emily e Victoria foi o que sustentou toda trama até o seu fim e esse episódio desenvolveu essa batalha épica (que morri de medo de não acontecer) brilhantemente. Não vou falar das duas ainda, e sim de uma personagem que admiro muito: Louise. Nossa ruivinha descobriu a verdade, não só que Victoria estava viva, mas sobre o tipo de mulher que ela realmente é. Foi um choque tão grande para Louise, que foi altamente delicioso ver a sua reação descontrolada, e informar a Nolan e Emily onde Victoria estava. Se tivesse sido um episódio mais longo, teria sido ótimo ver Louise se desculpando com Nolan ou mesmo ter o prazer de ver os dois como amigos.

O desprezo de Louise com Victoria fez todo o sentido. Louise se encantou por uma mentira, e quando percebeu a verdade, fez a coisa certa. Agora a mudança de caráter de Margaux, por outro lado, não teve sentido algum. Margaux contrata uma assassina altamente perigosa para fazer os seus serviços, ao ponto de ter tirado a vida de Ben Hunter. O que você acha que a contratada iria fazer? Apenas nocauteá-lo? Tá, eu sei que Margaux se entregou no final das contas, mas o ponto da sua mudanças aconteceu somente ao saber da morte de Ben e a hospitalização de Jack. Se não fosse isso, nossa ‘playmobil’ (como diz uma grande amiga minha) ainda estará lá, andando pelos Hamptons de boa. E essa foi a minha maior e única decepção.

O confronto final de Victoria Grayson e Emily Thorne ocorreu como esperado: Emily estava pronta para puxar o gatilho e Victoria estava pronta para morrer. Mas em vez disso, David atira em Victoria, e como um bumerangue, Victoria devolve o tiro atacando Emily. A parte mais reveladora sobre esse confronto era de que Emily estava disposta a fazer exceção de “não matar ninguém” depois de descobrir que Vic machucou indiretamente Jack Porter.

Foi uma explosão de fogos entre as duas rainhas dos Hamptons. E sendo sincero, não existia outra maneira desse ser o confronto final. Ambas foram preparadas para aceitar o que a outra tinha a trazer. Se Emily tivesse matado Victoria, sua vingança teria firmado como sua vítima final, mas felizmente, David supriu essa necessidade, e pela segunda vez, tirou a vida do último Grayson que restara.

Após Emily levar um tiro, aconteceu alguns saltos no tempo que por um breve momento achei completamente bizarro. Demorou um minuto para descobrir o que estava acontecendo. Houve um salto para frente onde Charlotte e Emily visitam o túmulo de David Clarke, e, em seguida, houve um salto para o passado (mas ainda no futuro do confronto) onde Emily se despede de David Clarke da maneira mais triste que os produtores encontraram. Depois pulamos para o casamento, que provável ter sido depois da sepultura de David.

Foi compreensível a estratégia de avançar os anos da trama, mas poderia ter sido feito de uma maneira melhor. Não ficou claro quanto tempo se passou desde que Emily foi baleada. Ela se curou, de modo que, pelo menos, alguns meses se passaram. E ver Charlotte indo visitar Emily no hospital foi majestoso e perturbador. Essa história de Emily com o coração de Victoria no peito foi definitivamente um sonho, certo? Não sei bem no que acreditar, e sendo um sonho ou não, me fez pular da cadeira de tão chocado que fiquei com tal decisão.

Quanto a Charlotte — foi uma pequena participação da sua personagem, sendo solidária com Emily e ressentindo a morte do seu verdadeiro pai. Não podemos esquecer do seu desprezo com a morte da mãe. É incrível como Charlotte foi nos dois últimos episódios o que ela deveria ter sido em boa parte do seu tempo na série: irrelevante. Sentirei saudades de critica-la.

E será que alguém esperou um final feliz para este conto? Aguinaldo Silva, Manoel Carlos e João Emanuel Carneiro aplaudiram de pé tal novelão: Emily e Jack estão casados! Com direito a um novo filhote de cachorro e terminarem a trama navegando com um lindo por do sol iluminando o cenário. Vamos fingir que os dois tiveram um grande romance nos últimos quatro anos, ok? Para finalizar, enquanto Jack chama sua esposa de Amanda no final da trama, para Nolan, ela sempre será sua Ems.

A nossa Ems.

Nolan ficou com o cargo de vingador, o que achei justo. Fica entre linhas se um dia a dupla voltará a entrar em ação. Os Hamptons nunca mais será o mesmo. Sem eles. E sem nós.

E aqui deixo a minha despedida nas reviews de Revenge. Foi um grande prazer semanalmente acompanhar esse novelão que, com certeza, ficará marcado eternamente na minha memória. Aqui conheci leitores maravilhosos, que acabaram se tornando grandes amigos lá fora. Não dá pra deixar de lado dois grandes reviewers que acompanharam a série bem lá no comecinho, que foi o João Victhor e a Carol Maglio. E assim como a vingança de Amanda Clarke contra a família Grayson, entrego essa última critica ao Box com a sensação de dever cumprido.

E isso não é um adeus, viu?
Apenas um até logo.

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