RPDR All Star 2×08 — All Star Supergroup

Final da segunda temporada de All Stars encerra com coroação previsível e perde a oportunidade de ser relevante.

Foi uma escolha inusitada termos um top 4 para a final da segunda temporada de All Stars, considerando que o elenco não foi dividido em duplas como na primeira temporada. A expectativa era que o desafio final trouxesse alguma explicação sobre isso. O que não aconteceu e a sensação do número apresentado por Katya, Alaska, Detox e Roxxxy é que ele possuía membros demais.

Cada uma delas deveria escrever as próprias rimas e aprender a coreografia para a música Read U Wrote U. No que diz respeito à capacidade de escrever uma letra de música, Katya e Alaska se saíram melhor ao usar como inspiração as próprias características do drag que fazem.

Detox possui experiência musical tão vasta quanto a de Alaska, mas é decepcionante ver que a queen não entrega o mesmo nível de habilidade que suas concorrentes, especialmente no que diz respeito a falta de confiança explicitada por seus versos (não estou dizendo que eu sou a melhor, mas não sou a pior).

Roxxxy é a que apresenta maior limitação em criatividade. Usando basicamente sua experiência na quinta temporada, Roxxxy não tinha muito a dizer com seus versos e falhou em manter a energia da música. Ela pede em um dos versos para que deem a ela um desafio de costura, tudo o que esta temporada não teve.

No que diz respeito à apresentação, a coreografia geral não foi muito bem planejada pelos coreógrafos, que não se importaram muito em adaptá-la as limitações das drag queens, principalmente no que diz respeito ao desempenho de Alaska.

Também soa estranho que os jurados não tenham chamado atenção dela pela pintura corporal mal-acabada, enquanto Katya foi criticada pela saia. Este é um dos momentos que colabora para quem argumenta sobre o protecionismo de Alaska e o quanto a produção se esforça para manter Katya longe das chances de vitória.

Na passarela, Roxxxy apresenta um visual inspirado no vestido de cristais que Rihanna usou há alguns anos, e apesar da execução estar correta, a criação também deixa claro o pouco de personalidade que Roxxxy teve nesta temporada. Isto fica claro também em seu discurso para convencer RuPaul a escolhe-la como vencedora. Tudo o que ela consegue é fazer com que sintam pena dela, mas como julgá-la quando este sentimento foi basicamente o que trouxe até a final?

Este é o momento em que RuPaul precisa ver convicção nas finalistas. Este não é o momento para dizer “Oh, elas são minhas amigas, não quero prejudicá-las”, como Detox fez neste episódio e no anterior ao poupar Roxxxy, e eliminar Alyssa. Alaska segue pela mesma via ao fraquejar e não eliminar uma amiga (além do agravante da tentativa de suborno).

Um traço que sempre foi importante e que sempre serviu de divisor de águas em RuPaul’s Drag Race é o comportamento da Drag Queen durante a temporada, pois isso serve como uma forma de prever sua ética profissional. Alaska falhou nisso logo na reta final, mas o programa já tinha feito vista grossa para ela em várias outras oportunidades, então mais uma não seria de se estranhar.

Alaska não é uma drag ruim (muito pelo contrário), mas existem alguns pontos que precisam estar claros. O primeiro deles é que apesar de ter uma marca própria, Alaska apela demais para as referências a outras drag queens que já passaram no programa. Somente em seu discurso, pudemos ver menções a Gia Gunn, Laganja e Shangela.

Fazer referência à cultura drag é importante, mas o que Alaska faz é quase roubar a autoria de catchphrases criadas por suas colegas. Isso deixa claro o quão pouco Alaska evoluiu desde que apareceu na quinta temporada. Seu melhor momento em All Stars é reminiscente de sua temporada de estreia, de resto, foram várias tentativas forçadas de fazer trocadilho com a palavra anus.

Da mesma forma, é preciso criticar esta temporada e a decisão de termos tantas drag queens da quinta temporada no elenco. Com a adição da nova regra de eliminação, termos um grupo grande de competidoras que se conhecem desmonta as intenções de tornar o programa mais competitivo.

E este foi o grande problema da temporada: não pareceu uma competição. Faltou gana em todo o elenco, como se a participação no programa fosse só mais um trabalho em que cada uma colheria os frutos da exposição no programa, sendo o prêmio e a coroa menos importantes.

Deve ser por isso que a música usada para a última dublagem do programa soa como se fosse um elemento estranho. Mais lenta que o habitual para esta etapa do programa (quando geralmente temos músicas de RuPaul), If I Where Your Woman soa como o tipo de música que deveria passar uma forte mensagem, mas acaba por atar as possibilidades do trio de finalistas e entrega um momento fraco para uma temporada previsível e sem surpresas.

No final, Alaska leva a coroa de All Stars, mas é Katya quem fica com os corações.

RPDR All Star 2x08 - All Star Supergroup

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