RPDR All Stars 2×06 — Drag Fish Tank

Eliminação chocante em Drag Fish Tank revela furos no novo método de eliminação que podem prejudicar o programa.

O retorno de Tatianna e Alyssa para a competição em um episódio que revitalizou a temporada nos levou a crer que a guinada do programa se manteria. Daí vem Alaska e bota tudo a perder com uma eliminação desnecessária, cujo justificativa coloca a funcionalidade do novo formato de eliminação em cheque.

O episódio começa sem perder muito tempo com os comentários da eliminação, mas oferecendo tempo o suficiente para que as competidoras comentassem a mensagem deixada no espelho por Phi Phi. Seguido disso, temos um mini desafio que acaba por tomar tempo do episódio para coisas mais importantes, como as gravações dos comerciais do desafio principal.

Um dos grandes problemas desta temporada é que a inclusão das deliberações nos bastidores das drag queens que tiveram melhor desempenho tem espremido outros momentos importantes do episódio. Quando as competidoras chegam ao palco para ouvirem os comentários dos juízes nós não temos como tirar nossas conclusões sobre o desempenho delas com muita substância, porque o material que nos foi mostrado é insuficiente.

Outro problema que a temporada não tem conseguido contornar é que o desempenho do elenco que, no geral, é bastante consistente. Isso torna difícil vermos evolução ou esforço pra vencer os desafios de cada semana. A maioria delas possui carreira solidificada, o que significa que elas estão acostumadas com a rotina de trabalho que o programa tenta simular. Sobra para o programa tentar ampliar os mínimos deslizes que elas cometerem, mas o resultado disso torna as críticas exageradas de um jeito ruim.

E o desempenho das competidoras neste episódio é um bom exemplo disto. Se formos levar em consideração o que elas produziram, Roxxxy é indiscutivelmente merecedora de estar entre as piores do episódio. Porém, a escolha de Tatianna parece muito duvidosa quando Detox e Alyssa fizeram um vídeo menos memorável.

Baseado na consultoria que o elenco recebeu enquanto produziam suas campanhas, Tatianna parecia a melhor preparada para o desafio. E de fato estava, mas talvez ela pudesse ter incluso frases que ela mesma disse durante sua passagem pela segunda temporada (Tyra is a complete Bitch) para compor a situação que demonstra o produto, isso faria com que ela se destacasse mais, além de dar ao produto um toque de personalidade.

Katya e Alaska fizeram isso e conquistaram o topo do desafio. É importante ver que a tarefa imposta pelo programa não exige somente que o desempenho seja bom, mas que também possua a marca registrada da participante nele. Enquanto Katya brincou com seus próprios problemas pessoais, Alaska usou do seu humor que subverte expectativas (E o que esse produto tem de especial? Essa é uma pergunta estúpida). Ambas arrancaram risadas e demonstraram que o produto tinha a cara delas.

Pela segunda vez, Katya e Alaska dublam por seu legado uma contra a outra. Assim como da outra vez, Katya opta por trocar de roupa, e o visual com o qual ela aparece na passarela não faz muito sentido para a música escolhida (sem contar que a linha da peruca estava aparente, mostrando que ela não teve tempo suficiente para terminar de se arrumar).

A possibilidade de trocar de roupa antes do lip-sync continua sem muita função e desmerece o visual da passarela e a capacidade da drag queen em questão de elaborar um figurino que cumpra os requisitos do tema e sirva para a dublagem.

O número não tem a mesma energia que o do episódio anterior, e o desempenho das duas não é exatamente espetacular. Katya parece ao mesmo tempo em desespero para vencer e sem forças para fazer mais do que fez, enquanto Alaska abusava de caras e bocas e coreografias esquisitas. Tirar a bandeira americana também não parecia colaborar muito com a performance, mas nesta temporada que favorece a Alaska qualquer coisa que ela fizer contará como se fosse inovação da arte drag.

Vencendo a dublagem, chegou a hora da pior parte do episódio: a eliminação. Escolher Tatianna para deixar a competição logo após seu retorno é um balde de água fria em quem gostaria de ver mais dessa drag que revitalizou sua imagem. O problema não era a escolha em si, mas a justificativa dada por Alaska, que reconheceu o crescimento da colega, mas preferiu deixar alguém por ter emprestado uma blusa.

A eliminação teria sido mais fácil de engolir caso Alaska tivesse justificado sua decisão dizendo que prefere eliminar alguém que realmente a ameace na competição. Ao menos, Tatianna poderia ter saído levando o crédito por ser boa. Seria plausível, mesmo com elas tendo combinado desde o início do programa que o filtro utilizado para a eliminação seria o desempenho no desafio.

Mas isso também nos faz pensar como a temporada seria diferente se elas não tivessem combinado desta forma. Combinarem o método de eliminação nos deu a impressão de que o programa tomaria caminhos menos orgânicos, mas não fosse isso, drag queens de maior calibre e popularidade deixariam o programa mais cedo e isso tornaria o programa (ainda) mais insosso.

No fim das contas, acabou sendo bom que o elenco de All Stars tenha combinado a forma de eliminar a competição. Com Alaska mudando o combinado, nós corremos o risco de vermos drag queens que nos entretêm de verdade irem embora mais cedo por causa de uma competidora que emprestou uma peça de roupa para a outra e, por causa disso, avançar na competição sem o menor merecimento para isso.

Acho que somos obrigados a admitir que Phi Phi tinha razão em ficar preocupada com uma colega mudando o combinado.

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