Saintia Sho e os problemas de gênero da franquia Saint Seiya

Nova saga dedicada ao público feminino traz a história não contada das Cavaleiras de Atena.

Mais de 30 anos de Cavaleiros do Zodíaco e a franquia segue se renovando. Depois de Lost Canvas, dedicado aos fãs do original para contar a guerra santa anterior, e Ômega, feito para aproximar a nova geração de otakus ao narrar as aventuras dos herdeiros dos famosos cavaleiros, chegou a vez do público feminino protagonizar a trama dos lendários cavaleiros que, protegidos por suas constelações, lutam para manter a Terra livre do mal.

A trama sempre teve mulheres poderosas, mas a verdade é que mesmo Atena sendo uma Deusa, eram seus cavaleiros que salvavam o dia e a própria Saori do suicídio. Enquanto isso, a amazona mais fodona era obcecada pelo protagonista da série.

Shina só pensava em Seiya, de uma maneira doentia. Participava das batalhas primeiro com o intuito de destruí-lo, por não poder desfrutar de seu amor. Depois de se declarar, praticamente se jogava na frente do inimigo para que Seiya não fosse sacrificado.

Shina sacrifica sua vida para proteger Seiya do cavaleiro de Leão

Hilda era uma megera dominada e manipulada por um anel. Sua irmã era a vítima que, indefesa, pede ajuda ao cavaleiro de Cisne. Talvez a mulher mais forte de toda a saga seja a marina Tetis. Mas ela nem tem muito espaço na história.

As mulheres definitivamente foram renegadas ao vitimismo ou vilanismo.

Problemas de gênero como esse são inaceitáveis nos dias de hoje e a nova saga das Saintias veio redimir a franquia. Tem a sua frente a mangaká Chimaki Kuori, o que faz todo sentido. Ela ilustra e escreve a obra, publicada pela editora Akita Shoten na revista Champion Red no Japão.

Ainda assim, o mangá tem seus deslizes ao objetificar o corpo feminino em demasia — o que pode ser exigência da editora. O mesmo não se vê quando um herói heteronormativo cisgênero está lutando, em nenhuma das publicações Saint Seiya.

Claramente, Saintia Sho traz aspectos dos mangás que têm como público alvo as mulheres. Essa divisão é muito comum no Japão. O traço é mais limpo e delicado. Mas a história consegue ser tão violenta quanto o original Saint Seiya. E por isso podemos dizer que “não é um mangá só para meninas”. Até porque, estamos em 2017.

Enquanto obra literária, há acertos e erros. Mais acertos que erros, felizmente. As Saintias, que protagonizam esta nova trama, são guerreiras devotas à reencarnação da Deusa Atena. Elas também são protegidas por constelações e também vestem armaduras vivas, representadas por estas mesmas constelações.

Vivem no círculo pessoal de Saori Kido e, por algum motivo, não tiveram sua existência revelada até então. Mas isso serve apenas para quem lê. Para os personagens da história, parece que a existência delas não é tão secreta assim, já que o caminho de cada personagem é cruzado por nomes conhecidos do anime e mangá criado por Masami Kurumada, como cavaleiros de ouro, prata e até de bronze.

Parece desleixo de roteiro quando as situações não batem, mas acaba sendo divertido ler/ver esses encontros. São sutis e até agora não influenciam na linha principal da história contada no clássico. Funciona quase como uma conspiração, já que a história canônica se desenrola a partir da Guerra Galática, com Saori já sabendo que é Atena. Quem é fã da história original, sabe que Saori só descobre isso algum tempo depois. Vamos ver que solução será dada a isto.

Saintia Sho está chegando a sua quinta edição no Brasil, que deverá ser lançada em agosto pela JBC. No Japão já foram lançadas nove edições e um anime pode estar a caminho. Kuori publicou recentemente que estava visitando os estúdios da Toei Animation, a mesma que desenvolveu o anime dos Cavaleiros do Zodíaco na década de 1980.

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