Scandal 3×09 — YOLO

Ela é o monstro” — POPE, Olivia

Você acha que a sua família tem problemas? Espere até acontecer um jantar na casa dos Pope. O clã está fragmentado, Olivia não confia nadinha no pai e acaba de descobrir que a mãe está viva. Onde? Quando? Por quê? São tantas perguntas que a Gladiadora-Mor passou boa parte do episódio encolhida a um canto, em posição quase fetal.

Por essa e outras (muitas outras), YOLO foi um episódio épico.

Mas o episódio começou longe dali, com o embate entre Huck e Quinn. Ou só o começo dele. Sem muita chance de diálogo, o ex-B613 resumiu a situação para lidar com ela: sua pupila está trabalhando para o inimigo. Simples assim. Ali não interessa se foi por querer ou se ela premeditou isso, Huck vai garantir que Quinn tenha o que merece. Se, excetuando o julgamento pelo atentado a bomba, Quinn havia sido uma das personagens mais irritantes da história da TV, agora ela conseguiu um plot pra lá de interessante, com cenas e diálogos marcantes. E Guillermo Diaz, que é um ator que eu amo, mas que às vezes me irrita um pouco com seus trejeitos, conseguiu ganhar meu respeito e minha vontade de torcer pra que ele ganhe prêmios por essa cena. Oscilando entre a loucura e o prazer, as nuances dessa cena inicial foram de causar arrepios. Quando ele lambeu a bochecha da Quinn, foi um caminho sem volta para os dois. Quase dava para sentir o calor daquela sala atravessando a nossa tela.

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Tudo muito explosivo neste nono episódio. Por falar em explosão, o pavio de Sally Langston queimou devagar, mas uma hora eventualmente encontrou a pólvora. Primeiro, foi fabulosa a sequência em que ela é convencida por seu novo gerente de campanha a desistir de seus princípios. Política é mesmo um jogo, idiota quem pensa neste conceito ideologicamente. Com a brecha deixada pela aposentadoria precoce de Josie Marcus e com a desmoralização de Fitz Grant diante da opinião pública, as chances da vice-presidente nunca estiveram tão boas. Só nos faltou pensar no que realmente significa para aquela mulher abandonar seus princípios mais fervorosos. Como isso mexeu com Sally e a colocou em ebulição por dentro! Nesse ponto, o texto de Shonda Rhimes foi preciso e formidável: “Você não pode vencer a menos que abandone as suas crenças”. Impossível chegar ao topo sem fazer sacrifícios — mas sacrifícios exigem estrutura emocional. E a de Sally era um castelo de cartas, que não suportou a decepção com o marido, Daniel Douglas, nem as verdades doídas que ele jogou na cara da esposa. E quando suas crenças e princípios são jogados no lixo, só lhe resta o orgulho — e foi justamente esse que Daniel arranhou.

Já James passou boa parte do episódio se aproveitando do incômodo velado de seu marido, Cyrus. Chegou até a ser hilário, de uma maneira amarga, mas foi. Isso porque ele nem sonhava que sua ‘pequena indiscrição’ com o marido da VP estava devidamente registrada em fotos. Fotos que Cyrus jamais poderia usar para desmoralizar Sally sem fazer com que a porcaria espirrasse na administração Grant. Que passo mal dado! Que plano retardado! Cyrus conduziu James a macular o casamento dos dois e nem conseguiu ter matéria prima pra chantagem! Quando finalmente marido e marido se confrontaram, tivemos uma cena digna de todos os prêmios do mundo. Sei que estou hiperbólica, mas esta é a verdade. Primeiro que Dan Bucatinsky justificou ali o Emmy de melhor ator convidado de drama que ganhou este ano (e que estava meio mal-explicado, admitam). Segundo que Jeff Perry deu show de interpretação, levando seu Cyrus até a beira do precipício. Bom, tudo bem que Cyrus passa 90% de seu tempo de tela à beira de um infarto, mas uma traição acrescenta um tempero diferente, que ainda tem o gosto da amargura, da tristeza, da decepção, do medo, da incerteza, do arrependimento.

Num episódio tão épico, só senti falta da melhor personagem da série neste ano, Mellie. Mas ela ainda conseguiu roubar a cena no momento em que entendeu o que havia acontecido e tentou oferecer algum consolo a Cyrus. Escolada nas traições do marido, ela recebeu Cyrus em seu ‘clube’ com a sabedoria e a certeza de que a dor eventualmente se vai.

Enquanto isso, um jogo de gato e rato se passava entre a B613 e a OPA. No meio da perseguição, Olivia teve alguns momentos com sua mãe. Confesso que, durante todo o episódio, a lucidez de Maya me incomodou um pouco. A mulher que havia ficado presa durante 22 anos e mastigado o próprio pulso no dia anterior, era uma pessoa normal durante a refeição, apenas demonstrando ter ficado ligeiramente desapontada que a filha não tivesse uma vida ordinária, mas pontuada por risadas. Não encaixava, sabe? Maya Pope, em nenhum momento, pareceu perturbada pelos supostos horrores que vivera e nem incomodada pela quantidade de estímulos a que ela estava de repente sendo submetida. Mas tudo isso fazia parte do joguinho que Shonda adora fazer em Scandal, que é nos conduzir na direção errada.

Olivia, já tendo seus pré-conceitos sobre o pai, também se guiou na direção errada. Por questionar as atitudes de Eli Pope, Olivia errou também em questionar as motivações. Quando soube que a foto de sua mãe estava na lista de ‘não voar’, foi logo deduzindo que o pai era desses que usam o poder que tem sob a segurança nacional para resolver picuinhas pessoais. E lembra quando primeiro conhecemos este homem misterioso? Antes da revelação de que se tratava do Sr Pope, ele sempre deixou claro que sua missão era proteger a República. Por que nunca acreditamos nele?

Mesmo com todo o talento de seus gladiadores, Olivia só conseguiu uma saída para Maya com a ajuda de Fitz — e posso dizer que derreteu meu coração o telefonema entre os dois, uma cena tão pequena, mas que ajudou a marcar o amadurecimento dos dois com relação ao sentimento. E só depois de correr para abraçar a mãe, foi que Olivia conseguiu enxergar melhor e acessar suas memórias mais reprimidas. A ponto de descobrir que sua mãe a havia usado e que não era quem dizia ser. Maya é Marie — e Marie não parece ser flor que se cheire. Desta forma, ela se junta à galeria dos demais personagens que têm uma dupla identidade em Scandal: Eli é eventualmente Rowan e Quinn já foi Lindsey.

Marie é o verdadeiro monstro.

E se isso já não fosse o suficiente para nos tirar do eixo, ainda somos ‘presenteados’ com o corpo inerte de Daniel Douglas no meio de uma poça de sangue, com Sally coberta de sangue informando Cyrus que cometeu um pecado.

Sério, gente, eu tô tremendo até agora — e só me lembro disso ter acontecido quando Ned Stark perdeu a cabeça lá em Westeros.

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