Segunda Temporada de True Detective: é diferente!

Segunda temporada de True Detective apresenta novos personagens ao mesmo mundo pessimista de antes.

Eu aceito o julgamento,” SEMYON, Frank

Uma palavra define True Detective: pessimismo. E nunca foi tão interessante encarar um mundo pessimista como é nesta série.

O elenco pode ser novo, a história pode ser outra. Mas a visão é a mesma. Vivemos num mundo horroroso, mas este é o mundo onde vivemos. E vivemos no mundo em que merecemos viver.

Partindo desta premissa, Nic Pizzolatto e sua equipe premiada apresentam uma sociedade deprimente. Isso é ressaltado por uma fotografia sombria e tão suja quanto os cenários opressores de concreto, ou claustrofóbicos, ou decadentes, ou tomados pela miséria.

Temos personagens com dilemas densos e deprimentes. O que pode surgir em meio a tudo isso senão corrupção, mesquinharia, desconfiança, conspiração e morte?

E a partir destes itens nascem novos personagens — a única diferença entre as temporadas. As similaridades são poucas, mas estão presentes, assim como as homenagens.

segunda temporada de true detective

A nova história começa com Ray Velcoro (Colin Farrell) sendo entrevistado, como Rust e Marty eram investigados. Uma sala marcada por objetos de outra época, foco no rosto do ator que dá um texto pesado. Essa “brincadeira” acaba sendo a única semelhança ao que você já viu de True Detective. A linguagem mudou.

Velcoro é, no tempo atual, um policial sem ambição da cidade de Vinci. Sua existência deprimente é resultado de uma relação mal vivida com sua ex-esposa, vítima de estupro que acabou grávida do criminoso. Ray criou o garoto, mas o trauma do passado gera conflitos nesta relação mã-pai-filho, que é muito doente.

Hoje ele divide sua lealdade entre um chefe corrupto do departamento de polícia local e a máfia, de quem recebe dinheiro.

Sua relação com a máfia vem do trauma vivido por ele com sua esposa. A máfia é representada por Frank Semyon, um ex traficante que cresceu da troca de favores Velcoro. Frank deu o estuprador para Ray matar e este, eternamente em dívida, lhe dá informações confidenciais da polícia até hoje.

Ao contrário da primeira temporada, este novo ano de True Detective não aposta na relação entre dois detetives, mas sim na relação entre um detetive e um criminoso. Antagônicos, mas não tanto.

Um busca o poder através do dinheiro e tenta crescer com o crime, mantendo sua fachada. O outro representa a justiça, que no mundo proposto pelos criadores desta série é corrompida e submissa.

A evolução destes personagens e da trama depende ainda de outros dois protagonistas.

Uma destas personagens é Ani Bezzerrides (Rachel McAdams), uma detetive do condado de Ventura que vive reprimida. Seu comportamento é resultado do abandono materno que gerou uma família disfuncional. Por isso, Ani deixa o medo de se envolver romanticamente dita seu comportamento. Desta repressão vem a raiva constante, o afastamento e o julgamento.

Para Ani o que é certo, é certo.

E então temos Paul Woodrugh (Taylor Kitsch), um veterano de guerra e policial rodoviário que vive o desconforto de não entender nem aceitar seus próprios desejos. Talvez por isso ele tente se enganar, fingindo estar satisfeito com a rotina das estradas. Mas a verdade é que ele está insatisfeito a ponto de desejar a morte.

Desejando a morte ele encontra um cadáver que ligará todos estes personagens. É o corpo de Ben Caspere, o depravado funcionário de um cassino, metido com um esquema global de corrupção e superfaturamento, junto de seu sócio e colega de trabalho, Frank.

Todo o dinheiro de Frank estava nas mãos de Ben, torturado e morto. Sem dinheiro, Frank se vê impotente e isso toma conta dele inclusive fisicamente.

Todos esses personagens têm uma conexão doentia com o sexo. Mas Ben é o que se deu pior nesta área. Afinal, ele está morto.

Investigar a morte de Ben significa remoer uma rede que envolve prostituição, tráfico, máfia, interesses públicos e políticos nas mais variadas esferas.

Frank precisa controlar a investigação para não sair prejudicado. Ele usará sua influencia sobre Ray até onde puder, controlando o departamento policial da cidade de Vinci — onde Ben morava. Paul, por ter encontrado o corpo, é designado como agente especial nesta investigação. Ani é colocada no caso por sua chefia para promover uma caça às bruxas e desmantelar um sistema corrupto. Ela entra no caso pois o corpo foi encontrado em seu condado.

Fica claro que esta investigação forçará esses personagens a encarar seus dilemas e iniciar uma mudança. Mas o caminho para ser diferente é tortuoso e será preciso investigar a si mesmo.

Os primeiros episódios desta temporada conseguem estabelecer dilemas fortes e interessantes. O trabalho do elenco é maduro o suficiente para submergir o espectador. Em poucos horas de história já é possível encontrar profundidade e atmosfera.

Resta acompanhar esta jornada e saber até onde cada um deles conseguirá chegar.

A nova temporada de True Detective, da HBO, estreia este domingo na América Latina simultaneamente com os Estados Unidos.

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