Senhoras e senhores, Steve Jobs

Com o roteiro assinado por Aaron Sorkin e direção de Danny Boyle, Steve Jobs mostra os bastidores da vida e do homem por trás da Apple Computers.

Músicos tocam instrumentos, eu toco a orquestra”. JOBS, Steve

Em diferentes períodos históricos alguns personagens da indústria se tornam grandes protagonistas da história durante um determinado tempo. Isso acontece devido às suas aparições na mídia, como eles estão atrelados aos seus produtos, e como apresentam sua vida pessoal em meio a tudo isso. Nas últimas três décadas, os empresários do ramo de tecnologia frequentemente recebem a luz dos holofotes. Durante muito tempo, acompanhamos cada passo dado por Steve Jobs, tanto em sua vida pessoal quanto profissional. O filme que leva seu nome se propõe a girar os eixos da câmera e mostrar os bastidores da história do homem que muito vimos, e achamos que conhecemos.

O filme se concentra em três grandes momentos da vida Jobs e da Apple: as apresentações de lançamento do Macintosh (1984), do NeXT (1988) e do iMac (1998). No entanto, nunca chegamos a ver no filme, o que tanto vimos na mídia durante essas ocasiões: Steve Jobs efetivamente apresentando os produtos. Ao invés disso, vemos Jobs lidando com problemas de rotina em cada uma das apresentações, e interagindo com figuras de destaque em sua vida, principalmente sua filha Lisa.

Quem já conhece o estilo de Aaron Sorkin sabe que o “por trás da cortina” é uma especialidade do escritor, que já mostrou em suas séries de TV bastidores de um telejornal e da Casa Branca. Os diálogos rápidos e eficientes são marca registrada de Sorkin e, para quem admira seu estilo, Steve Jobs é um deleite de pouco mais de duas horas.

Se a comparação com jOBS (estrelado por Ashton Kutcher) é inevitável, o salto de qualidade da outra obra para essa é claramente perceptível. Começa pela escolha de como contar essa trajetória de maneira inédita. E nesse ponto, o filme de 2016 é mais criativo e eficiente, apresentando uma abordagem diferente para uma história que estaria batida, chegando ao cinema pela segunda vez em menos de cinco anos. E é até injusto comparar o trabalho de Fassbender com o de Kutcher, quando o último ganha apenas na semelhança física com Jobs.

Michael_Fassbender_Jobs

Michael Fassbender encabeça o elenco, e como em todas suas atuações, traz nuances discretas à uma figura que poderia facilmente ser encarada como caricata. Além dele, Kate Winslet se mostra um contraponto eficiente tanto como personagem e como em sua interpretação de Joanna Hoffman como alguém que conseguia não só manter uma conversa com Jobs, mas efetivamente guiá-lo a fazer certas coisas. Seth Rogen e Jeff Daniels completam o time de ‘opositores’ de Jobs. Se muitas vezes os diálogos de Sorkin se colocam como duelos entre seus personagens, ambos os atores conseguem imprimir o sentimento dúbio que tinham por seu oponente.

Em um filme no qual o roteiro é um personagem importante, a direção acaba seguindo o fluxo criado pelo mesmo — como por exemplo, criando o dinamismo de imagem para que os longos diálogos não pareçam chatos. E quando o diretor tenta ir muito além disso, como na cena da reunião da diretoria que decide se Jobs fica ou não na empresa, a mudança do eixo do plano deixa a cena confusa, além de ser um aparato desnecessário para o momento do filme.

A inteligência do design de produção chama atenção ao longo dos três atos. Alicerçada na estratégia de mostrar os bastidores, vemos a mudança dos cenários, figurinos e paleta de cores ao longo dos anos, refletindo o momento histórico daquela situação. Em cada um dos auditórios, o espectador consegue enxergar claramente referências visuais aos espaços anteriores e a evolução dos equipamentos e ferramentas usados.

Combinando criatividade no roteiro, agilidade na direção e eficiência em suas atuações, Steve Jobs é um novo “take” na história de um dos personagens mais importantes da história da tecnologia.

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