Séries em Guerra

Por Erika Ribeiro

Muito antes da minissérie Band Of Brothers e da caríssima The Pacific existiram séries que tocaram nesse tema tão polêmico que é a guerra. Não importa o tempo, nem o momento, a guerra é sempre uma ferida aberta para todos que participam dela ou que são atingidos involuntariamente por ela. Entretanto, para nós que vivemos em um país que não se envolveu em muitas batalhas e que não busca contar essas histórias, todas as batalhas da época moderna, pós Segunda Grande Guerra, nos parecem distantes e apenas dignas de meia dúzia de filmes.

Entretanto, as séries tem o poder de nos tornar conhecidos, parceiros, amigos e fieis até a morte de nossos mais queridos personagens, o que possibilita a cada novo episódio, a cada novo dia na vida deles e nas nossas, o maior apego e proximidade destes, por isso, quando eles estão na guerra, não nos preocupamos e isso gera a capacidade de entendermos um pouco, o mínimo, do que é o sentimento de se ter um dos nossos em um lugar onde ninguém está salvo.

Por isso hoje presto tributo a aqueles bons homens e mulheres que não temeram diante do perigo, ou se temeram, mesmo assim continuaram rumo as novas temporadas ou até a mina terrestre mais próxima que lhe levaria a um fim antes do fim (da série).

M.A.S.H. (Anos 70)

Está foi uma série derivada de um filme de mesmo nome, de 1970, dirigido pelo cineasta Robert Altman (Shortcuts e Assassinato em Gosford Park).

A série trazia o dia a dia do da companhia 4077th MASH (Mobile Army Surgical Hospital) que se tratava de um Hospital de campo do Exercito americano. Médicos e enfermeiras viviam as situações mais loucas e insanas possiveis, ainda mais dentro de uma situação de Guerra — no caso a da Coréia. Entre muitas partidas de futebol americano, uns amaços ocasionais e apostas em geral.

Essa era uma tragicomédia repleta de humor negro e com toque moralista em alguns episódios que, com o mesmo espírito do filme, buscava fazer uma sátira as loucuras vividas em meio a batalha.

O filme teve seu roteiro baseado na Biografia de Richard Hooker um médico de uma unidade M.A.S.H. durante a Guerra da Coréia. No entanto a emissora chegou a receber várias cartas de outros militares que reportavam esses comportamentos loucos como reais. Isso pode ser explicado como uma válvula de escape em meio ao massacre gerado pela Guerra.

É uma série clássica, que merece ser vista pelo menos para por no currículo. Foi ganhadora de Emmys e durou ao todo 11 temporadas (1972–83).

China Beach (Anos 80)

Uma das melhores séries que já vi em toda a vida. Teve seu início em 1988 e foi até 1991 durando um todo de 4 temporadas.

China Beach era uma série de drama que mostrava os problemas vividos por uma base americana no Vietnã em Guerra. Novamente temos o olhar dentro de um hospital mas ao contrário de M.A.S.H., a nova série mostrava as amarguras tanto dos militares feridos que acabavam parando lá, como dos próprios médicos e enfermeiros que os atendiam.

A história tinha como protagonista a enfermeira Colleen McMurphy (Dana Delany, a Katherine de Desperate Housewives) que tinha um romance com o seu superior casado Dr. Dick Richard (Robert Picardo). Além de um homem casado que também era seu chefe. Outra personagem que roubava a cena era a prostituta Karen Charlene “K.C.” Koloski (Marg Helgenberger, Catherine Willows de CSI). As melhores histórias e enredos sempre envolviam as duas que se tornam grandes amigas. A série trata também dos problemas do pós-guerra de uma maneira bem interessante.

Além disso a série trazia The Supremes e Diana Ross na abertura. Emocionante!

Jag (Anos 90)

Criada por Donald P. Bellisario criador de séries de sucesso como Magnum, Águia de Aço e Contratempos, esta série contava as histórias de dois oficiais do JAG (Judge Advocated General) da Marinha Americana, isto é, os advogados e promotores militares que julgavam crimes de guerra, envolvendo militares ou áreas militares.

O personagem central era Capitão Harmon “Harm” Rabb, um ex-piloto de caças que ao se acidentar em um porta-aviões e ser diagnosticado com cegueira noturna, acaba sendo convencido a continuar na Marinha sendo advogado/investigador de defesa no JAG.

Harm sempre é arrojado em suas defesas do mesmo jeito que era quando voava. Ele ama a Marinha e tem uma velha história de família dentro da mesma, como o prólogo antes da abertura já dava a entender.

Na sua primeira temporada ele teve como parceira de investigações a Tenente Meg Austin JG. Needham (Tracey Needham) natural do Texas, meio bobinha e irrelevante. Tanto que a série teve 1ª temporada irregular e acabou saindo da grade da NBC ( 1995–96) e indo para a CBS, onde ficou até o fim de suas 10 temporadas.

Em grande parte essa mudança de quase cancelamento para mais 9 anos de série se deu a entrada da atriz Catherine Bell no elenco fixo. Ela, que a principio apareceria como uma vítima no último episódio da 1ª temporada, fez Belisário mudar de idéia e não exibir o episódio com o intuito de aproveitá-la melhor no futuro — e ela foi sim bem aproveitada como a Major Sarah “Mac” Mackenzie, do corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos, que e tornou a parceira ideal para Harm em suas aventuras. JAG terminou com chave de ouro deixando seu spinoff NCIS.

Adoro JAG. Ela e China Beach estão no meu TOP 15 de melhores séries ever. Pena que no Brasil eles não lançam as séries em DVD do modo correto. JAG só teve a sua pior temporada, a 1ª, lançada. China Beach nem isso, coitada. Só nos resta tentar a sorte na Amazon e gastar todos os nosso dólares em Box de Séries…

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