Sessão de Terapia 01×07 — Breno

Passei 10 anos com ela para em uma noite descobrir que não a amo. Você tem noção da gravidade dessa descoberta?” — Breno

O desprezível Breno está de volta. Mas dessa vez não mais tão desprezível assim. Mas sim buscando de verdade tentar melhorar e mudar sua visão da vida e dos elementos que a movem. Temos um episódio mais limpo, mais simples e ainda mais descolado do que o da última terça-feira.

Theo faz café. Sim. Começou desse jeito. Theo usando essas confusas cafeteiras e assim que Breno chegou ele dirigiu-se à mesa para pegar a xícara que estava ali, pronta, quietinha. Estava no maior clima de felicidade, sorridente, até que experimentou o péssimo café de Theo. Cuspiu, fez cara de nojo, deu chilique. Isso acontece por que Breno é uma pessoa que, como ele mesmo já disse na primeira sessão, só quer o melhor, e tudo que para ele não parece ser o melhor é digno de ser jogado fora.

Daí entendemos mais ainda a sua falta de culpa após também assassinar a criança inocente, afinal, ele fez o que deveria ser feito: matar o traficante. O resto é resto! E ele está bem assim, dizendo que seu coração e sua alma aceitam isso em parceria com sua mente. Mas, por falar em coração, por onde anda o de Breno? Já já vamos chegar lá.

Antes do coração, precisamos visitar a pele de todo esse tratamento. Breno começou a ir lá pela dúvida se deveria ou não visitar a escola do garoto que matou, e decidiu por fazer a visita. Queria ver as coisas de um ângulo diferente. Mas na verdade ele acabou recebendo o mesmo ataque emocional que recebeu da mídia logo que a bomba explodiu. Mesmo sem ninguém saber quem era ele e porque estava ali, ele sabia que haviam pessoas sofrendo naquele local, parentes e amigos, e isso definitivamente o abalou, por mais que ele negue.

A única coisa que ele admite ter tido importância foi um momento em que o avô da vítima afirmou conhecê-lo. É difícil dar um palpite sobre o motivo de Breno ter a necessidade de parecer uma rainha de gelo, mas creio que ele não se aceita dentro da própria personalidade. Ele claramente está precisando de um Breaking Bad na vida! Pelo menos ele pareceu mais sensível neste episódio e mais aberto. Foi bom de ver!

Chegamos ao peritônio! Nossa, que loucura foi aquela história do pai de Breno, que matou o avô do mesmo, não foi? Achei forte e talvez o auge do episódio. Se você ainda acreditava que o meio não influencia o elemento, bem, pode querer repensar depois dessa.

Se Breno é assim hoje, provavelmente foi porque viu há muito tempo que era a coisa certa a fazer. Breno foi treinado para tudo, menos para sentir culpa. Eles ainda estão tomando cuidado quando o assunto é o pai de Breno, até o próprio Theo criou logo uma barreira quando a palavra expeliu no diálogo. E com razão! Não vejo Breno preparado emocionalmente para cavar tão fundo tão rápido. E nem Theo! É necessário um tempo para eles ficarem mais próximos e mais confiáveis um para com o outro.

Uma coisa que me incomodou demais nesse episódio foi a trilha sonora. Não ajudou a deixar a história mais poética ou mais gostosa de se curtir. Atrapalhou, me desconcentrou, perdi o fio da meada. Aliás: me irritou! Espero que esse erro não se repita, e, se não foi um erro, mas sim uma deficiência minha, espero me acostumar, porque foi complicadíssimo. Teve um momento que a minha vontade foi desligar a TV! Acontece, não é?

A atuação de Sérgio Guizé ainda é só ok e agradável. Já tá ficando chato elogiar o Zécarlos Machado, não está? Agora a cada crítica eu irei definir a atuação dele em uma palavra diferente que na verdade tem o mesmo significado das outras. A de hoje é esplêndida!

Agora algo que tem sido perfeito desde o primeiro episódio é o figurino de Breno. Bem pensado, bem executado e bem cheio de propósitos. O tipo de roupa que fala mais sobre a vida de um ser humano do que as palavras que saem da boca dele. Nota 10 para a produção e para a direção de Selton Mello, que é uma das muitas certezas de qualidade que podemos sempre contar em Sessão de Terapia.

Agora sim: bem vindo ao coração. O coração de Breno e o do episódio. Ele resolveu falar sobre a mulher dele, Milena. Tentei pintar a imagem dela em minha cabeça mas não fui muito longe. Mais uma vez em Sessão de Terapia vemos um coração massacrado e confuso por causa de um casamento (ou pela falta dele). Breno está com Milena há dez anos, e, num lindo ato de observá-la dormir -não se dê ao trabalho, pois não foi fofo-, acordou do seu próprio sonho: não ama Milena.

Ele descreveu com riqueza de detalhes todos os defeitos dela que o incomodam profundamente. Nessa hora fiquei triste por ele e por ela! Por ele porque é muito tempo perdido e esse tipo de coisa é avassaladora para qualquer pulso. Por ela porque sabemos que não é a intenção dela fazê-lo infeliz. Mas mudar as pessoas é algo impossível. Sempre será só fingimento, e Breno está consciente disso: disse que quer mais é que ela seja feliz. Mas longe dele!

O episódio deu para sorrir, deu para ficar irritado e foi também tocante para quem assistiu. Foi bem clássico e eu posso dizer que gostei. Bem mais agradável que o primeiro subjetivamente, já que na parte técnica, foi um ponto negativo no histórico do paciente.

Para as próximas sessões queremos ver Breno falando sobre seus medos. Cadê as inseguranças dele? Será que não tem? Também precisamos afundar mais nas as histórias do pai de Breno, pois ele foi um personagem definitivo na vida do mesmo para ele ser o que é hoje.

Mas ainda faltam 7 sessões! Tem muito assunto para ser tocado ainda: Fábio, a experiência quase morte, Milena e seus sentimentos sobre o assassinato. Ele é o personagem mais raso até agora e em contraste disso, é o de caráter menos trivial! Tem tudo para só crescer e crescer, assim como o nosso vício por ele.

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