Sessão de Terapia 01×08 — Nina

Nossa! Pra um velho até que você tem boa memória!” — Nina

Duas sessões da Nina, duas críticas com a frase destacada começando com “Nossa!”, o que mostra o debochado deslumbramento que ela tem sobre os mais velhos e suas situações que passa com eles. Se por um lado a Nina de Avenida Brasil há muito já não é mais fofa, a nossa Nina de Sessão de Terapia carrega consigo um tipo de fofura voraz e se torna, sem dificuldade, a paciente mais facilmente amável. Mas quem disse que fofura é sempre uma qualidade?

Se semana passada, Nina estava uma porre de adolescente. Nesta semana ela voltou mais natural e mais adolescente, afinal, adolescentes não tem obrigação nenhuma além de serem o que são: chatos, mas, acima de tudo, adolescentes.

A série começou com ela chegando ensopada e tirando onda, com respostinhas cortantes que com certeza pareceram engraçadas na cabeça dela, o que me parece que ela está se entregando à chance de querer ser uma nova filha para Theo, que estava correspondendo bem ok, até que ela pediu para ele ajudá-la numa troca de roupa, mas foi sem sucesso.

Nina está tentando muito se aproximar de Theo, e com motivos, afinal não fala com os pais aparentemente. Mas a ética profissional é uma sincera e visível barreira na relação dos dois, que passa a ser bem mais de diálogo do que de proteção mental neste episódio.

Com Theo fora da mesa, é hora de acionar a Super Clarice. Ela é, definitivamente, minha personagem favorita. Esteve toda fofa ajudando Nina com as ataduras, a troca de roupa, colocando as roupas molhadas na secadora, fazendo piadinhas, dando sorrisinhos e se preocupando. Simplesmente apaixonante!

Chegamos ao ponto em que percebemos que o problema de Clarice não é ser uma dona de casa estagnada numa vida medíocre. Ela é um charminho com todo mundo e está satisfeita com suas relações sociais. O único problema é Theo, quem ela mais queria que desse bola para ela, e, no final do dia, é quem menos dá. Ela está cansada e desistiu dele, não da vida. Maria Luisa Mendonça é um sonho de atriz e o papel não poderia ter sido mais bem executado. No ponto.

Se debaixo da água Nina queria ter Theo como um pai, na terra firme Clarice seria sua mãe ideal. Ela fez questão de deixar isso bem claro quando voltou ao sofá. Suspirou acompanhada de olhos brilhantes e tudo! Nina, assim como eu, acha que seus pais não lhe dão atenção o suficiente e tenta a qualquer custo ser escutada, se expressar, ouvir e sair do controle.

Ser uma adolescente assim é perigosíssimo, o que se torna meio redundante quando paramos para avaliar suas tendências suicidas, que, independente de serem postas em práticas subconscientemente ou não, são fatos. Carrie falou e tá falado: fatos são fatos!

Theo amou saber disso, e assim eles foram levando uma saudável e monótona conversa. Toda a cordialidade foi posta por água abaixo quando o terapeuta bisbilhoteiro tocou na conversa que ele ouviu pelo telefone de Nina com o seu treinador.

A pior coisa nisso tudo foi Theo querendo brincar com a cabeça da pobre perguntando porque ela estava tão alterada na conversa com seu pai.

Ela já estava muito chateada antes pela invasão de privacidade, e ao ver que ele tinha percebido seu notável estresse, ela ficou louca de vez! Deu gritinho, rangeu os dentes e ficou apontando dedo para planos vazios.

A verdade é que Theo sabia que não era o pai de Nina. Como não saber? Sabia sim e tava afim de descascar mais ainda uma banana que supostamente já tinha sido descascada: a possibilidade de um caso entre Nina e seu treinador. Coitada da garota, que foi se deixando levar em devaneios pela mente brilhante de Theo e entregou tudo na bandeja para o poderoso chefão dos divãs.

Nem precisou falar muito. Era só assunto vir à tona e um sorrisinho despretensioso surgia, logo substituído para um olhar ao além, tudo por causa de um homem casado e com filhos, que ensina garotas magras a dar piruetas enquanto usa malhas. Ai, o amor adolescente é lindo mesmo!

Parabéns à produção por mais um grande episódio de Sessão de Terapia. A única coisa que eu mudaria seria a iluminação da sala. Semana passada achei que ficaria mais interessante se fosse mais escura, como foi na cena do banheiro com Clarice. Claridade dar de felicidade, não dá? Eu acho!

É um contraste interessante considerando que em mundo cheio de Sol e beleza, as pessoas ainda consigam encontrar motivos para serem infelizes e estarem tristes, o que é perfeitamente natural, lúdico e subjetivo. Para minha alegria, essa semana… choveu! E que chova mais: a sala escureceu, as janelas ficaram pesadas de águas e o barulho das gotas foi ópera.

Bianca Muller que estava boa na primeira sessão, agora vira ótima na segunda. Segura e precisa, mostrou a Zécarlos Machado que ele não está correndo sozinho. A palavra de hoje para a atuação dele: tocante. Selton Mello não teve a mesma direção perfeita dos outros episódios, mas foi ok, nada que incomode, mas notei algumas diferenças para os outros episódios. Ela sai dessa crítica com o perdão, pois soube ser brilhante na última cena. Foi um poema vivo!

Nina precisa parar de atacar Theo (como fez ao falar do boato sobre sua filha, que foi um momento rápido mas que pode importar mais tarde) se quiser uma relação de mais cumplicidade, e vejo nela vontade de fazer isso principalmente após ter escutado a leitura que ele fez da avaliação sobre ela. Ela não teve condições de fazer a chata doce! Desabou nas lágrimas.

Theo precisa tentar entender mais a cabeça dela, sem julgamentos pessoais precipitados que ele claramente teve a cada segundo, mas isso é um dever de casa muito difícil, afinal ele mesmo já aceitou que não tem mais paciência pra nada e pra ninguém. É isso que eu desejo para as próximas sessões de Nina: alguém tem que ceder.

Destaque para o momento em que Clarice e Nina voltam ao banheiro para vestirem as roupas secas e Nina dá aquele abraço em Clarice, que demora um pouquinho para corresponder, mas que entendeu a sensibilidade das pétalas que voaram pelo ambiente naquele instante. Auge do episódio. Foi incrível demais!

Até carinho no cabelo rolou. Outro nível, outro mundo. Ainda assim, como num passe de mágica, Nina, enquanto observada por Theo, já estava do lado de fora da casa na frente do carro de seu treinador, no qual entrou de cara emburrada após levar uma bronca. Mas, e aí? Nina é uma adolescente devassa ou é só carente mesmo? Bem, nosso tempo acabou!

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