Sessão de Terapia 02×06/10 — Segunda semana

Sensibilidade é um tipo de inteligência” — Theo

Essa frase foi retweetadíssima pelos fãs da série na segunda semana de exibição da nossa série brasileira favorita no ar. O motivo? Bem, não é isso que nós buscamos ao assistir a série? Convencer a nós mesmos que tudo bem ser sensível. Não só tudo bem: ser sensível é fundamental. Nós amamos ser sensíveis porque o medo de o ser é o que nós lembro de o quanto humanos nós realmente somos. E eu penso que os nossos pacientes concordariam com essa.

CAROL: SEGUNDA-FEIRA

sessão de terapia

Carol está lidando com muito ao mesmo tempo. Ela, apesar de parecer um pulso firme muito tem a se escorar no que se diz ao enfrentamento dos problemas que passa. A ausência do namorado, pessoa de confiança, acentuou o sentimento de insegurança que o câncer proporcionou a Carol. Imagina ele ter discutido isso com a atual namorada? E depois bastou uma ligação para ela respirar ar puro. Que domínio, não é?

Estressada e como se sua garganta fosse pouco para tantas palavras, a moça não se conformou com a ajuda de Theo. Mas se conformaria se soubesse do histórico do terapeuta. Em relação a este mesmo dia, um ano atrás, Júlia já era quase uma melhor amiga de Theo. Carol ainda não está dando tanto abertura a ele, mas é adorável ver como ela lhe arranca sorrisos fáceis e momentos de doçura.

Ao longo das semanas, Carol se mostrará mais suscetível aos pensamentos de Theo, garanto. Mas por agora, o plot é dominado pelo medo de Theo de perder mais um paciente para a sua ética de trabalho.

OTÁVIO: TERÇA-FEIRA

Olha, esse Otávio só parece um chato. Demora só um segundo para que quem está de frente para suas palavras entender que muito se perdeu nessa vida dele por falta de experiência. Ele correu, quebrou a cara, e agora está de volta, no controle, dizendo para os seus filhos o que fazer e não fazer. Em especial uma: Tati.

Com muitas feridas abertas e com alguns volantes na tela mental, Otávio é fácil de manobrar uma vez que se acalma diante das palavras cortantes e suaves de Theo. Vejam vocês que, em nenhum momento, ele responde com astúcia ou estupidez ao terapeuta. Ele sempre está ouvindo, concordando e consentindo, como alguém que apesar de ter tanta experiência sobre a vida, pouco tem experiência sobre si.

O texto, especialmente aqui, provou ser a alma de Sessão de Terapia. Poderia ser completamente uma rádio série. Mas que perda seria não poder ver os olhos desses dois mestres, os cortes perfeitos das câmeras…

Otávio, de certa forma, me lembra o Breno. Dinheiro é bom para tapar um monte de coisas. Mas contra essa gambiarra o Theo já está vacinada. Apostem alto que na próxima sessão o empresário casca grossa mais cabeça fria do sofá estará livre dos ataques de pânico.

PAULA: QUARTA-FEIRA

Já que o negócio está esculhambado mesmo, a Paula também me lembra a Nina, mas só um pouquinho. Ambas se deixam ser manipuladas fora da sala, mas quando estão dentro, além de marrentas e respondonas, obrigam Theo a se desdobrar para arrancar os verdadeiras sentimentos das duas. Depois eu tenho que me consultar com ele para ver porque estou com saudade e fazendo tanta referência a primeira temporada, rs…

Vocês já perceberam que alguns cachorros ficam exatamente iguais aos donos com o passar do tempo? Então, lembre-se dessa comparação sempre que Paula começar a falar do relacionamento com o pai. Não precisa ser de forma negativa, mas o que pareceu até agora é que ela se sente tão culpada a ser filha da mulher que abandonou seu pai, que ela não pode nem considerar dizer não ao seu velho uma única vez. Pesado, não é?

sessão de terapia

Apaixonada por ele e defensora fiel do mesmo, Paula mostrou para Theo que tem muita coisa para se libertar ao longo das sessões. A perspicácia do nosso terapeuta é de uma eficiência gigantesca que a paciente quase não percebe que está derramando suas emoções mais profundas na sala. O papo se desenvolveu em cima das relações familiares da advogada, mas acho que a estória sobre o que a verdadeira vontade dela e a vontade do pai fica para depois. Se “um filho abandonado pela mãe não cresce”, imaginem vocês a motivação e a obsessão dela para ter um filho! Preparem-se para muita tensão!

DANI: QUINTA-FEIRA

Bato na mesma tecla: Dani? Será? Mesmo? Porque mais uma vez pareceu Ana e João — segunda chance. Os minutos de Dani em tela são responsáveis pelo relaxamento da tensão durante a semana toda. É um momento agradável porque o filho do casal mais bizarro que já vi ainda não entendeu a gravidade total de ele estar em terapia. Uma vez que ele perceber completamente, o tom, com certeza, irá mudar.

Não há, como eu já disse, maldade nas quintas feiras. Nunca houve. Ana ainda ama João sim, tenho certeza. E o reverso também. Mas algumas circunstâncias fora das mãos do casal machucaram tanto o vínculo que eles criaram ao longo dos anos que pior do que ir, seria ficar. Mutilação sentimental é tão prazeroso quanto carinho. E eles já estavam viciados demais. Agora, aparentemente reabilitados, estão tentando seguir em frente…

Não seguiram. Não saíram do lugar. Não saíram do sofá. Não saíram um do outro. A parceria entre os dois é tão bonita que chega a dar pena vê-los separados fisicamente.E já que falaram do comercial do cigarro, o amor deles é a morte dos dois. O cigarro é o amor deles também. Os problemas do Dani são o amor deles também. E o amor deles é tudo, menos o amor deles. Mas se você torce por esse casal como eu, mantenham-se positivos.

DORA: SEXTA-FEIRA

Descobrimos. A mãe do Theo é a pessoa que ele quer salvar. Ele se sente culpado pela morte do Breno do mesmo jeito que se sentiu pela da sua mãe. Viu o mundo cair nos seus ombros sobre o disfarce da Responsabilidade e nada pode fazer para evitar o que já era certo de acontecer. Como nunca pensamos nisso antes? Ah tá. Nunca ninguém falou nada sobre a mãe do Theo.

Quando a história é tão boa e o roteiro tem tanta liga, a gente presta atenção em tudo e o que parece óbvio nem se mostra no nosso campo de visão. A Miriam tem grande relevância na vida de Theo porque é a conexão no presente do que houve no passado que influenciará seu futuro. A participação dela ficará mais recorrente e ganhará destaque? Não sei!

Dora é uma grande amiga para Theo. Ele só tem dificuldade de perceber. Ela realmente se preocupa com os passos que ele dá e está longe de querer se vingar ou acabar com ele. Ali sim, naquela sala, muita cooperação. Muita vontade de ver o outro bem. Não se deixe enganar pelo tom das vozes e nem pelas expressões estúpidas.

Dificilmente eu darei menos que 5 estrelas, até porque já aconteceu, ano passado, de eu dar 2 para um só episódio. Mas quando se avalia a semana, fica muito difícil. Hoje, destaco a trilha sonora, que é uma coisa pra se revoltar de tão boa e as cenas que mostram Theo no conflito sobre a ameaça de Antônia, que realmente não poderiam estar melhor intercalados.

E a partir de agora eu vou pegar umas frases das minhas críticas anteriores, sobre a primeira temporada, para expressar meu sentimento sobre a semana, certo?

“A câmera é precisa e é extremamente eficiente! A sensação é de estar na sala ao lado, olhando tudo pela fechadura da porta. Deixou o voyeurismo puro e viciante.”

Milhares de beijos muito gentis. Sejam pacientes!

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