Sessão de Terapia 1×04 — Ana e João

Você me sufoca!” — Ana

Bem vindo à minha crítica da melhor terapia da semana. Isso sim é um episódio digno de assistir com apoio de um tubo de oxigênio! Que coisa maravilhosamente escrita, que atuações incríveis. Diálogos fortes, olhares exclamadores e situações de alta tensão. Bem vindo ao triângulo não amoroso de Ana, João e Theo.

O episódio começou logo demonstrando quem era quem na história: João o vilão, o desesperado, o desconfiado, e a Ana, a mocinha, que tem aqui e lá suas culpas no cartório, mas que está bem melhor espiritualmente do que seu marido. E entre os dois, Theo, mais como alguém observando a conversa dos pacientes do que participando ativamente e guiando a sessão. João estava em pé, andando de um lado pro outro, imaginando os milhões de péssimos motivos que teriam causado o atraso de Ana, que chegou, mentiu e iniciou a sessão. Isso é uma clara amostra de que Ana se vê cercada e sufocada por João o tempo todo e que não vê outras saídas além de mentir, sabendo que ele não aprova muitas de suas decisões. E o cara realmente é osso duro de roer! Nunca vi alguém tão complexado.

Ana e João são um casal que há 5 anos estavam tentando ter um segundo filho a partir de inseminação artificial. Com fracassos constantes, no momento em que Ana decide desistir, engravida, já com a ideia de não ser mãe novamente firme. Ela quer abortar e João simplesmente não consegue entender. O tempo todo a sala esteve cheia de amor e preocupação, mas em nenhum momento viu-se compreensão! Eles simplesmente não se entendiam, e posso dizer que os ladrilhos que constroem essa estrada são todos colocados por João, afinal nenhuma das atitudes de Ana teriam motivos razoáveis para serem executadas se não fosse pelas atitudes dele. Theo tentava equilibrar a tensão no ambiente, mas parecia sempre só piorar tudo a medida em que ao invés de falar sobre o filho que estava por vir, ele acabava levantando questões sobre o relacionamento dos dois, cavando ainda mais problemas.

Theo é de uma inteligência suprema e de fato funciona como um Deus na sala, às vezes até lendo os pensamentos, levantando uma questão interessantíssima para a nossa vida: será que isso é exclusividade dos terapeutas? Creio eu que não! Ele está ali como profissional, mas a verdade é que olhamos para a vida com muita pressa. Se nós déssemos ao trabalho de olhar com mais cuidado, enxergaríamos muito mais o anterior de quem às vezes só precisa ser entendido. A função dele ali é ter o olhar o especializado para direcionar as pessoas a tomar suas decisões da forma mais razoável possível e isso tem sido tão bem executado que dá gosto de assistir e dá também vontade de iniciar a terapia com Theo. Talvez essa seja a real intenção não só da versão brasileira, para de toda a franquia BeTipul.

Zécarlos Machado mais uma vez esteve brilhante, e, devo destacar, bem melhor que Gabriel Byrne em vários aspectos, desde o piloto. Mas o que me impressionou mesmo foi Mariana Lima. Uma sensibilidade sem igual! Humana, braços abertos, olhos fundos fundos fundos em uma atuação impecável. Timing perfeito, voz perfeita. Não mudaria nada! André Fratteschi brilhou um pouco menos, mas acompanhou o ritmo de Mariana e ganhou força total no final da sessão, quando explodiu com Theo ao lhe dar um ultimato.

Eita! O ultimato. Um trabalho esplêndido de caracterização de personagem foi o que fizeram para João. Ele é o tipo errado de pessoa certa para se brincar com os labirintos da mente. Quando Theo apoiava Ana, João dizia: “Ela tá te pagando por fora para ficar do lado dela, não é?”, e ela, debochada, respondia que sim. Ele ficava louco -e acreditava, tá?-, mas não tão louco como ficou após muito gritar e cuspir na tela, obrigando Theo a dar um parecer sobre o aborto. Esperto, Theo resolveu roubar o chão de João dizendo que o aborto era a opção certa. Ao dar pra trás por uns segundos, João o chamou de assassino e foi embora, e essa briga com certeza custou mais caro para Theo, que pareceu claramente abalado com a ofensa. Ana estava satisfeita, quase sorriu, seu rosto iluminou-se. Ambos foram embora sem reações longas, porém muito aparentes. A reação longa dessa vez ficou para Theo: após 8 anos, é hora de ligar para Dora, sua terapeuta supervisora, e marcar uma consulta.

Para a próxima quinta-feira, às 17h, mais abraços e compreensões devem ser esperados. Ana deve cogitar ter a criança assim como João deve cogitar atender o pedido de Ana. Theo vai precisar saber melhor que batalhas deve lutar, especialmente contra João, mas deve continuar tratando mais da falta de confiança no relacionamento do que do aborto propriamente dito. Com criança ou sem criança, eles se firmaram os melhores pacientes da semana e com muita história para ser desenvolvida acerca de seus caros desentendimentos e compaixões. Eles devem adentrar no seu amor pelo desconhecido, afinal, uma relação se torna insustentável quando você não conhece seu parceiro, certo? E tudo que eles não precisam agora é de insustentabilidade.

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