Sessão de Terapia 1×05 — Dora

Dora! Dora! Moderação, timing e tato.” — Theo

Guerra de titãs e uma montanha russa de emoções surpreendente. Sabe quando você se assusta mesmo com a ausência de informações? Simplesmente sente que a casa caiu? Bem, isso foi o que aconteceu no encerramento da semana de Sessão de Terapia.

Theo até pode ser um lutador, mas Dora? Dora é uma gladiadora. Mas antes da luta, os carniceiros se cumprimentam. E assim foi na primeira sexta-feira em oito anos. Theo chegou à casa de Dora, sorriu, recebeu o sorriso de volta, e eles conversaram amistosamente por agradáveis minutos, até que o campo minado começou a explodir. Campo minado para nós, que não sabíamos a procedência daquelas ameaças veladas e educadas, porque eles pareciam saber exatamente em qual chão estava pensando.

Esse episódio serviu para conhecermos um lado de Theo que ainda não foi mostrado, o lado humano. Antes tínhamos visto só o lado profissional, que tinha escutado Breno e o aconselhado numa paciência admirável. Nesta sexta, ele revelou achar Breno um ser humano “desprezível”. Theo está sem paciência, não quer mais abrir a porta para ninguém, e, ao que me parece, isso já aconteceu antes. O tom de sua conversa com a Dora foi inteiramente baseado em forças de expressões e indiretas. Foi só tiro no escuro! A única coisa que nós sabemos é que algo de muito ruim aconteceu entre os dois antes da morte do marido dela, e Theo não foi nem ao velório. Talvez isso constitua a parte noveleira da série, onde seremos obrigados a perder sono para pensar no que supostamente está acontecendo. É um mistério e tanto!

Agora sim finalmente pudemos ver o auge de Zécarlos Machado. Já é terceira vez que elogiarei ele, mas essa é a mais fácil de se notar o quão bom ator ele é, e, graças à esta série, está tendo a chance de se mostrar, já que na TV aberta nunca lhe deram nada à sua altura. Uma atuação perfeita, principalmente no trabalho técnico. Seguindo a mesma linha, a competente Selma Egrei interpretou uma adversária louvável. Experiente, com expressões tocantes e uma camada de doçura interessante. Outra coisa impecável foi a direção de Selton Mello, que conseguiu misturar os planos tanto dos rostos dos personagens, com o da melancolia empregada na sala de Dora, que não contrastava ou contradizia, apenas estava ali, presente. E assim assumiu sua importância.

Uma tecla muito batida foi a chamada transferência erótica, de Júlia para Theo, a qual Dora insistiu que ele deveria ser supervisionado, e ele veementemente discordou. Dora o tempo todo se mostrou uma pessoa que sabe o suficiente da vida e do que se passa na cabeça de Theo, e assim conseguiu manipular os rumos desse duro reencontro. Theo cedeu, afinal, estava perdido e naturalmente chocado durante a semana toda, sempre um passinho de perder o controle. E quando achamos que terminaríamos ali, Dora, cínica e com uma calma assustado, solta a bomba: o pai de Theo teve um caso de transferência erótica com uma paciente dela. Foi aí que Theo perdeu o controle de vez e clamou, trêmulo, os princípios da terapia, os quais Dora não tinha usado.

Theo tem um problema. E nós também temos, afinal, não sabemos que bendito problema é esse. Depois de tanta discussão e da clara felicidade de Dora ao ver Theo voltando com “o rabinho entre as pernas” (como ele mesmo descreveu), Theo decidiu que não seria uma boa ideia voltar aos encontros e Dora concordou, mais uma vez frisando o quanto ela acha que ele deveria ser supervisionado em relação à Júlia. Mas, é claro, entre tapas e beijos: ele voltará!

Apesar de não ser o meu favorito, foi o mais bem executado tecnicamente. Para os próximos dias, vamos ter um Theo mais leve, afinal, ele colocou pra fora tudo que não suportava mais, mas também veremos um Theo mais centrado em só trabalhar e menos sentimental. E para as próximas sextas iremos ver o quão fundo Dora está disposta a ir por Theo, vamos aos pouquinhos desvendar o passado de ambos, e acima de tudo, veremos a quebra da linha tênue entre amizade e supervisão. Theo não tem mais suas filhas, não tem mais Clarice, e nós estamos do outro lado da tela. Tudo o que Theo precisa é de um amigo.

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