Sessão de Terapia 1×06 — Júlia

Vou casar e f***-se!” — Júlia

Júlia vai se casar! Ela deu o sim para André, mas a rapadura é mais dura do que doce: ela tomou essa decisão após receber o não de Theo! E é sobre isso que vamos tratar nesse leve e fácil episódio de Sessão de Terapia.

A semana é nova mas não começamos do zero. Em tratamento, tudo está sempre se acumulando, e a bagagem sempre é despejada. Aumentada, nunca renovada. Começamos a segunda-feira com Theo desentupindo o sanitário do banheiro disponível para seus pacientes, o que é uma quase boa razão para você desistir da faculdade de psicologia. Apesar de ser “o cara”, Theo mostrou que assim como qualquer homem, precisa de uma mulher, e gritou e gritou e gritou por Clarice, que apareceu áspera. O casamento deles está tão detonado que a expressão no rosto dela é de repulsa e cansaço. Theo deixa passar, sempre, afinal, a profissão dele o consome demais para ele lidar com esse tipo de problema, e olha que Clarice faz questão de clarear sua falta de fé no marido, e ainda assim, ele passa por ela como um vento. Por que? Isso é assunto para sexta-feira. Agora temos que falar de Júlia!

Júlia chegou vestida como Júlia dessa vez. Estava usando uma macacão por cima daquela roupa verde de hospital, sapatos baixinhos e um sorriso de acessório. Ela foi dar as notícias novas, com uma energia tão boa saindo pelos poros. Boa e grande. Preencheu a sala e até Theo esboçou aquele seu sorriso faceiro. Mas na verdade ele parecia não acreditar naquela felicidade. Achou tudo falso, tudo forçado, tudo Bree Van de Kamp. E questionou, bateu na mesma tecla umas 4 vezes. E nas 4 deixou Júlia louca! Ela inventou na própria cabeça que aquilo seria uma negação, um fator que determinava que Theo não aceitava vê-la com outro homem, o que não é muito surpreendente tratando-se de uma mulher, ainda mais em terapia. Mas foi uma loucura bonita, boba e legal de se assistir. Nada complexo ou paranoico! Ela passaria simplesmente por uma moça mais nova encantada com um primeiro amor.

Claramente, Júlia não queria casar com André. Pode até querer agora, mas ele sempre foi um plano B, pois a primeira opção sempre foi Theo e sempre será. Se um dia ele der o sinal, ela vai correndo. Mas ao se ver sem opções, Júlia decidiu tomar a escolha razoável e segura. E assim ela fez, e fez tudo num prazer e satisfação de outro mundo. O que ela não se tocou é que além de estar enganando André, está enganando a si mesma. Por que é tão difícil de admitir? Bem, minha teoria: paixões em geral são complicadas. Imagine se apaixonar pelo seu terapeuta? Ela corre, corre e corre, para no final descobrir que nunca esteve em cogitação sair do mesmo lugar. Um ponto alto foi o que ela comentou do encontro duplo que teve, e o casal em questão tinha uma bebê, a qual ela descreveu numa ternura apaixonante, mas frisou que não é a vida que ela quer para ela, e se sente perdida, afinal, é tudo que André mais quer. Foi nesse momento que ela se viu querendo dizer sim. Ela quer passar por uma mudança, que mesmo fora de seus próprios termos, sabe que é necessária.

Até que chegou a hora de tocar no passado de Júlia. Tocar no seu pai. Tocar na sua adolescência. Ela sempre foi muito carente, sempre quis ter a posse das pessoas e só se sentia completa assim. E quase sempre pôde. Agora tudo isso volta e ela se vê fora do controle da situação, costurando com linhas de péssima qualidade os furos em sua mente, tentando de qualquer jeito arranjar uma distração. Acho que Júlia é a que mais nós faz sofrer ao ver o sofrimento na tela. Mais um destaque: o momento em que Júlia quer ir ao banheiro e se vê impedida por Theo, e novamente se vê impedida por ele ao querer usar o banheiro da casa. Ou seja, impedida do banheiro social, do pessoal, e do coração de Theo. Tudo sempre gira em torno do Theo. Júlia no papel de Terra, André interpretando a Lua e o notável Theo brincando de ser Sol. Mas é fácil de se entender porque: Júlia obviamente não podia se deparar com Clarice (o que a partir de agora passa a ser perigo constante e consciente), e deixar uma paciente apaixonada entrar na sua casa é lixo branco. Deixamos essa passar!

Este foi um episódio mais leve, como eu já disse. Maravilhosa a forma que Maria Fernanda Cândido caminhou entre o riso fácil e a tristeza mais fácil ainda. E nessa onda de Universo, temos o cometa Halley, a talentosa Maria Luisa Mendonça: pouco aparece, mas é sempre apreciada.

No final da sessão, na frente da porta, ela perguntou: “Você quer?”, e Theo respondeu “Não!”. Doeu em mim! Segunda-feira que vem, vamos ver o sangue de Júlia escorrendo, afinal, depois de ter sido devastada pela resposta, não houve reação. Simplesmente acabou ali. Também teremos mais experiências de Júlia que podem contribuir para, quem sabe, que casamento não aconteça? Isso tá muito raso ainda. E ela sendo a paciente que mais afeta Theo psicologicamente, podemos confirmá-la como a protagonista da pauta de sexta-feira (mais uma vez), com Dora.

A crítica ficou grande, não é? Bem, não maior que a confusão na cabeça de Júlia!

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