Sessão de Terapia 1×16 — Júlia

Você tá querendo dizer que eu mirei no Breno pra acertar em você?” — Júlia

Alerta de melhor episódio. Sem sofrimento, sem dúvida. Só com motivos.

Sessão de Terapia depois desse episódio, com todo o mérito, ganha o direito de que seus fãs esqueçam algumas falhas que foram cometidas no caminho.Um episódio movido por amor e inspiração.

Júlia dessa vez chegou no horário em que devia, afinal, não iria ser fácil fazer com que Theo parecesse incomodado com seus encontros com Breno. Ela precisaria de tempo para estofar aquele poltrona dele com remorso e amargura. E conseguiu.

Algo que neste episódio foi impecável foi a divisão perfeita do tempo. Não que todo o resto também não tenha sido, mas, o roteiro foi desenhado na medida que deveria. Houve tempo para Theo, para Clarice, para Breno, para André e para todas as relações possíveis que dois (e por que não três?) deles possam ter entre si.

Júlia está evoluindo. E como está. Ela parou de fingir para si mesma que tinha aceitado a condição de fracasso na conquista de Theo. Como recurso para isso, ela usou André de bobo da corte, o que foi de uma imaturidade gigantesca, mesmo se tratando de alguém como ela. Estava noiva dele porque Theo havia a negado tudo. Aquele lance de tentar se preencher do vazio que o relacionamento (ou falta dele) deixou com um outro relacionamento. Ela largou André e o possibilitou de fugir de uma vida extremamente falsa e medíocre ao lado dela. Agora Júlia tem consciência de que não precisa mais fazer isso por ela. Agora ela faz para atingir Theo.

E que forma melhor ela poderia encontrar para atingi-lo se não sair com um paciente do mesmo? É! Ela foi esperta. Está usando Breno para fazer ele se tocar que não há mais motivos para eles estarem separados se os dois querem estar juntos.

Durante todo esse episódio lembrei daquela música do Roberto Carlos que diz “Vem! O tempo pode afastar nos dois. Não deixe tanta vida pra depois. Preciso tanto te fazer feliz.” Só isso. É suficiente para Júlia fazer Theo feliz, mas já. Já já. Ela está sufocando na tentativa de sussurrar isso nos olhos dele. Temo que quando Theo finalmente decidir por mergulhar, ela já não tenha fôlego, entendem? Um passo importante sobre isso é o fato de Theo estar querendo encerrar a terapia com Júlia para, assim, finalmente ter a chance de encará-la como um amor, e não como uma paciente. Pouco disso foi falado hoje, apesar da extrema importância. Mas está tudo bem! Não faz falta por agora.

Algo muito interessante sobre a descrição do encontro de Júlia com Breno foi quando ela falou que precisou batalhar sozinha pelo orgasmo. Ela dizia que queria que Breno tomasse uma postura selvagem, que era isso que ela queria, e não que ele fosse o carinhoso/cuidadoso. Mas é auto engano. Mesmo se ele tivesse pagado de dominador, ela não iria estar satisfeita mentalmente, afinal, quem ela gostaria de ter ali, naquela cama, era Theo. Tudo é o tempo todo sobre Theo.

Maria Fernanda Cândido foi perfeita dessa vez em sua complexidade. A melhor atuação dela até aqui. Zécarlos Machado foi injusto de tão delicadamente humano. A sua melhor atuação até aqui. Selton Mello e a edição dessa vez não brigaram. Convergiram. Não partilharam momentos bruscos, cortes pesados. Nada disso. Tudo foi feito em perfeita paz. Melhor edição e melhor direção até aqui. Se nos aspectos subjetivos essa segunda feira foi nota 10, nos aspectos técnicos foi nota 20.

Theo adora estar se sentindo desejado. Até houve um momento em que ele queria afirmar de qualquer jeito, antes mesmo de Júlia pensar em dizer, que ela só imaginava ele enquanto estava com Breno. No começo ela debochou e disse “Ah, Theo! Por favor. Menos, né? Menos!”, mas depois, mesmo nas entrelinhas (pela falta de força para aguentar não ser correspondida), ela confirmou a teoria.

Um erro crasso cometido por ele foi ter contado sobre sua infância para ela. Por que ele daria ferramentas que ele sabe que ela tem a destreza de usar contra ele? Porque obviamente quer se entregar ao sentimento também, mas não quer fazer isso assim, de olhos abertos. Quer se sentir forçado ao erro, para poder culpá-la sobre as atitudes que acabou tomando. Acho natural ele não bloquear os depoimentos dela e nem a transferência erótica. Mas seria hipócrita e não profissional da parte dele além de receber, também dar. Não pode haver troca. Se ele quer que isso aconteça, que termine a terapia e siga em frente.

A cena final foi linda. Tocante demais. A melhor da série até aqui. Era como se Júlia estivesse suplicando e sabendo que aquilo o estava afetando Theo com um pesar desigual. Talvez até muito mais intensamente do que em Júlia. É uma cena para se rever, rever, rever e rever e aí sim, então, ver.

Ainda não dá para definir expectativas para semana que vem. Vamos precisar da comandante Dora para nos guiar nesse caminho que tem poucas luzes acesas nos lugares certos. Ela é quem vai fazer com que Theo demonstre suas verdadeiras vontades e planos sobre essa confusão toda que Júlia instalou no seu cérebro. O assunto da troca de cuidado/arranhão deve ser oscilado com a conversa sobre o encerramento da terapia. Não há mais nada para se falar ou se fazer. Agora são só duas pessoas atraídas uma pela outra, dependendo uma da outra para tudo.

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