Sessão de Terapia 1×26 — Júlia

Nossa! Perder um paciente é assim tão importante para você?” — Júlia

Sobre Júlia voltar à terapia: nenhuma surpresa. E sobre o tom do papo deles a partir de agora ser mais uma conversa entre “amigos” do que uma terapia: nenhuma surpresa.

Se alguém ainda tinha dúvida de que a vida de Júlia girava em torno de Theo, agora não tem mais. Ela contou todo seu histórico sexual com Beto para seu pai só para agradar o terapeuta. Ela se dispôs a desconstruir a imagem que seu pai tinha sobre ela só para obedecer a seu novo amor.

Júlia já sabe que agora eles estão no mesmo lugar, no mesmo poço e buscando a mesma corda para subir de volta. Ele abriu a boca para dizer que sentiu saudades, que jamais ocuparia de novo o horário dela, diz que quer ela. E agora? Ele diz sim e pronto? Sabemos que não! Até porque Júlia nem acreditou nisso tudo. Mais uma vez, foi mais do que ela pôde suportar. Independente de anestesia ou não.

A cena em que Theo senta-se ao lado de Júlia, no sofá dos pacientes, foi deslumbrante. Uma das melhores da série. É quando temos a oportunidade de visualmente apreciar a maturidade da relação focalizada. Ali, sozinha.

A direção de Selton Mello só evoluiu. Na cena que citei acima, ela se mostrou impecável. Aquele giro pela sala mostrando que tudo estava sendo derrubado aos poucos com os sentimentos dos dois foi mágico. Gostei da iluminação também. Pareceu diferente. Alguns momentos a edição foi delicada, outros foi brusca demais. Infelizmente não achou um ponto idealmente bom. Não tem como tudo ser bom em tudo.

Ainda em clima de igualdade, Theo contou a história da sua professora de química por quem se apaixonou. Por conveniência ou por coincidência, era também alguém em posição superior e de óbvia atração. O lance de ele ter fugido é um claro medo que ele de que o caso com Júlia seja uma remontagem dessa situação. Ele quer dá-la ela a chance de entender o que ela estava fazendo. Por isso os dois não podem simplesmente dizer sim. Ainda há muito para se pensar enquanto futuro e enquanto.

Júlia precisa livrar-se dos fantasmas do seu passado. Sei que é difícil, ainda mais olhando com carinho para o dela, mas não há maneira de ser feliz assim. É um caminho circular.

Ao relatar a história de um paciente da época em que era pediatra, pareceu que Júlia só contava das decepções dos outros para com ela, mas não. Era também sobre a decepção dela mesma com a Júlia. Júlia tem pena de si mesma e não nega. Ela sempre fazendo as coisas achando saber o que acontece, mas sem saber. Ela não queria transar com Beto. Ela queria fazer dele a sua maconha, algo que a libertasse, salvasse, ajudasse a fugir. Levou 20 anos, mas ela percebeu: só piorou tudo. Do mesmo jeito que a maconha de verdade teria feito.

Já ficou chato e repetitivo elogiar Maria Fernanda Cândido, então, começando nessa semana, vou designar uma palavra sobre a atuação dela para cada episódio, assim como faço há um bom tempo com Zécarlos Machado. Para ela: inacreditável. Para ele: majestoso.

Júlia ainda está muito insegura. Muita criança indefesa. Theo precisa planejar todo o caminho para não usá-la com a proporção do Beto porém de modo diferente. Ela tem que entender isso.

Agora tudo se tornou uma questão de entender. Entender onde está, porque está, para onde quer ir (ou por que quer ficar) e principalmente com quem está.

Nem vou comentar a rajada de olhares entre Clarice e Júlia. É assunto pra sexta-feira.

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