Sessão de Terapia 1×37 — Breno

Você é como puta. “ — Antônio

É preciso reconhecer: Sessão de Terapia é uma produção brasileira para se orgulhar. Na penúltima semana da série, eu pude constatar definitivamente o que na primeira semana era só uma hipótese. Muito contente de ter a chance acompanhar desde o primeiro episódio.

Nós nunca saberemos o que de fato levou Breno ao óbito. É algo extremamente genial partindo do texto original da série. Durante essas oito semanas, poucas vezes tivemos a chance de tirar nossas próprias conclusões dos acontecimentos uma vez que Theo sempre pontuava suas conclusões na nossa cabeça. Dessa vez, cabe de forma bem mais “sem culpa” a interpretação pessoal de cada telespectador e os seus motivos para tal.

Só de ir ao consultório, o pai do Breno confirma a preocupação (mesmo sendo por alguns motivos que eu tomo como errados) pelo filho. O medo do filho ser gay, o medo dele ter suicidado, o medo de ter pensado demais e sentido demais durante a ação. O pai dele estava claramente decepcionado. O trabalho que Theo desempenhou nesse episódio foi especialíssimo.

Eu confesso que fiquei chocado no momento em que Theo foi confortar Antônio. Em nenhum momento passou-me pela cabeça que ele estava ali contido em redenção imaginando seu pai. Obviamente ele se identificou com toda a relação de culpa que Antônio sente. Theo também acredito que o reflexo do profissional que ele é hoje é proveniente das realizações do seu pai e pela primeira vez temos a chance de vê-lo admitindo isso em voz alta.

O corte feito da relação do pai de Breno desde a infância é relevante para entendermos porque o pai não pode seguir em frente diante da morte do filho. Trilhamos desde umas 5 sessões atrás um caminho complexo sobre o desentendimento óbvio dos dois e a insatisfação em razão das suas atitudes. É a vez dos papéis se inverterem, com a diferença de que havia chance de conserto no momento em que Breno passou por essa fase, mas, agora que ele está morto, a chance não se aplica ao seu pai. A relação deles acabou definitivamente com a morte, se é que existia alguma de fato proveitosa para Breno durante os anos vividos.

Tudo foi moldado da maneira em que Antônio expelia sua personalidade agressiva em seu filho. É como um evento pré-anunciado. Ele viu o acidente acontecer em câmera lenta e, ao invés de salvar o filho, ele deu a infame batidinha na coxa. E aí sim já era tarde demais para Breno resgatar o atirador.

Ansioso para o desfecho e sem ter ideia do que esperar (além de apostas rasas, como Fábio, Tito, a mãe dele ou Milena aparecendo na sessão), esse episódio vai para o hall da fama dos melhores dessa temporada. Foi tanta qualidade que quase não suportei. Espetacular.

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