Sessão de Terapia 2×16/20–4ª semana

A vida é uma guerra!” — Dani

Uma singela homenagem talvez sem intenção da minha parte e de Sessão de Terapia para quem assiste Parenthood. Essa frase descreve bem o que acontece na mente de cada habitante daquele sofá: guerra.

CAROL: Segunda-Feira

A Carolzinha é muito fora de alcance para a família, não é? Um problema muito frequente discutido na sala é o controle, e não só com ela, mas com todos os pacientes. A perda ou como lidar o tendo mexe tanto com a cabeça humana que é bastante normal que as pessoas entre em conflito ao se deparar com tal sentimento, tal necessidade.

Carol é um doce de menina e que se sente tão culpada e responsável pela família que mal olha para sim. Seu irmão preciso disso, sua mãe daquilo… e ela vai dormir de noite esquecendo de se perguntar: E eu? Do que eu preciso? — felizmente, se não, Theo estaria sem função e não existiria sessão. É fácil sentir que em pouco tempo ela estará morta, nem que seja por dentro… a quimioterapia ajuda no câncer, mas só aquele sofá ajuda no resto.

Cada vez mais livre, Carol cresceu asas para cima de Theo de uma forma tão confortável que não vejo muita diferença, tirando a profissional, de como ele trata a própria filha. E que passo importante ele se oferecer para levar a quase-filha ao hospital. Salvar vidas é uma infração? Mesmo que fosse, Theo não correria esse risco depois de Breno.

OTÁVIO: Terça-feira

Ora, vejam vocês, Otávio é um senhor muito assustado, mal compreendido e bastante injustiçado. E claro, isso porque ele também assusta, mal compreende e comete injustiças. Na verdade da mentira, Otávio a vida toda esteve relaxado, penso eu, até o momento do acidente já relatado em tratamento. Como dizem nos seriados americanos, ele se tornou um “control freak” depois disso. Chega a ser inacreditável.

O trabalho (poder + controle) faz tanta falta para ele que o seu desligamento da empresa é considerada pelo mesmo, uma morte. Literal. Seus filhos vindo o visitar é algo tão afetuosos que ele se sente no próprio funeral. E nem precisariam ser deles essas palavras — eu poderia deduzir. Otávio se viu prejudicado de tal forma e ao conversar com Theo ele admitiu ter prejudicado tantas pessoas, mas afinal, era trabalho, não? Era trabalho também da empresa demiti-lo. Faz parte.

sessão de terapia

Otávio quer o mundo em suas mãos mas esquece que o mundo tem o direito de tê-lo nas mãos também. Mas ele está se tocando, pessoal. Aos poucos. Redigo: ele se preocupa com as pessoas, quer ajudar, mas faz isso de forma tão incisiva e cortante que parece aquelas mães que mandam os filhos passar pano molhado no chão todo dia. Origem na relação com os pais será? Vamos esperar.

PAULA: Quarta-Feira

Tadinha. Bichinha. Tô em pedaços. Estará em minhas orações. Essa mulher está muito ferrada, gente. Muito. A mãe dela, que ela considera como Silvia, a abandonou e agora ela depois de anos pensando ser incapaz de ser uma mãe exemplar quer ter um filho a qualquer custo pra ser perfeita. Só pra resumir isso aí.

Ela diz cada coisa na sala que fora do contexto parece violento. Mas não. Ela é uma mulher com pressa. Ela é uma mulher sem opções. Ela, a Paula, é uma mulher sem perspectivas. Ela precisar dar a luz para ver a luz. Imagina ela escutar tudo aquilo do marido? É de dar pena. Mas se ela descobre que eu sinto pena dela… tadinho, bichinho… de mim!

Eu não espero que você levante e me dê um abraço. Mas também não precisa me dar uma porrada na cara, né?” — Paula

Aí sim o Theo tomou uma posição. Parou com aquela repetição do “e como você se sente em relação a isso?” e falou. Disse que a atitude da advogada foi precipitada, feita em fúria, egoísta e insensível. Bem feito.E as necessidades do marido? Ficam onde? Ela está querendo consertar algo que aconteceu no passado com uma ação no futuro e só Deus poderia dizer o que seria dessa mulher caso ela falhe. Eu, posso dizer que ela levantou e foi embora com passo firme e sem bater a porta — o que foi fenomenal.

DANI: Quinta-Feira

Essa Ana é brincalhona, né? Terceira vez já que ela solta uma dessa. Ela consegue ser divertida, consegue ver as reações do Theo e um monte de risos meus. Primeiro eu pensei “F**eu!”, mas na hora que aquela fumaça a apareceu pensei que pudera ser um gracejo. E foi.

Eu queria muito saber porque o Dani mudou tanto. Será que ele viu que os pais ainda brigavam muito por ele? Ou talvez ele só está feliz? Pode ser isso também. Mas é tão simples, tão fácil… ruim de acreditar. O Theo vira um molecão na quinta feira e vira um paizão de novo. Adoro ver isso.

Dani se sente seguro com a mãe, bem atendido e salvo. Com o pai a coisa inverte. Ele ficou tão nervoso com o rumo que a conversa tomou que logo se preocupou se o pai viria ou não. A conversa com a Ana foi ótima, como sempre. Mariana poderia fazer do pior texto do mundo e seria espetacular também porque ela nasceu ela. Fico perplexo. Quando ela diz que sabia que podia contar com o Theo para estragar a semana dela, penso de como é importante dar passos para trás para dar outros a frente.

DORA: Sexta-Feira

sessão de terapia

Há uma grande chance de este ser o melhor episódio da série até aqui. Grande chance mesmo. A finalização de Dora em cima da sua teoria de perdão do Theo em relação ao pai foi algo tão tocante, pontual e perfeito que talvez seja o melhor momento da série até aqui. Isso explicaria tanta coisa, não é? Tantas mesmo. É de grande importância avaliar a avaliação de Dora considerando os acontecimentos passados.

Dito, as visitas do irmão de Theo e da Milena são passionais em níveis diferentes. Ambas desconcertaram Theo e o fizeram refletir muito. O primeiro com muito amor e seriedade foi sentença por sentença implorada de forma calma o quanto gostaria o seu pai de ter uma outra chance de ver Theo, provavelmente o médico que criou o monstro e está prestes a deixar a Terra.

Do lado de Milena, o óbvio: Breno melhorou muito com a terapia, e gay ou não, encontrava muito amor de companheira na esposa, em casa. E o pai dele se sente culpado sim pela mão de ferro, claro. Tudo foi trágico na vida do galã. Sério. Que timing péssimo!

Enquanto isso, Malu inverteu papel e virou a terapeuta ao dizer para o pai perdoar o avô depois de tantas décadas. Acredita? E ele já deve ter falado ou pensado em falar isso para tanta gente.

Essa semana foi ótima, como de costume, mas me despertou grandes revoltas. Sejam pacientes por mim porque está ficando cada vez mais difícil.

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