Sessão de Terapia 3×01 — Primeira Semana

Não sei o que você quer falar. Mas eu quero muito te ouvir” — THEO.

Pareceu mais de um ano. Não foi. Pareceu que não ia durar. Durou. Pareceu que ia ser difícil. E foi. Mas estamos de volta. Só estamos. Sessão de Terapia voltou esta semana a tela do GNT com roteiro totalmente brasileiro e inédito. Lembro como se fosse ontem do momento que vi o primeiro episódio em 2012, e hoje, 2 anos depois, afirmo: essa série se fez valer a pena desde quando começou. E não pretende parar por aí.

SEGUNDA FEIRA — BIANCA:

Mais uma musa no hall da série: Letícia Sabatella é Bianca, MULHER aculturada, cheia de referências literárias e que expele sensibilidade em cada palavra que pronuncia. Enquanto muitas pessoas procuram outras pessoas para entender o significado do amor, Bianca já achou a pessoa: só ainda não conhece o significado do amor. Pensa que conhece. Pensa que se conhece. Que conhece o marido. Conhece o ambiente em que se encontra emocionalmente. Não conhece. Mas agora ela não está mais em apuros: O Super Theo chegou. Nessa primeira sessão, muito foi revelado sobre a maneira como Bianca se vê, mas a verdade é que ela se importa mesmo é com a maneira a qual o marido, Tadeu, a vê. A câmera focou em seus braços: batidos, roxos. Se as mulheres que vimos anteriormente em Sessão de Terapia faziam questão de parecer fortes, Letícia carrega um discreto orgulho da sua fragilidade. Começou expondo-a desde o minuto em que o episódio começou. Cheia de culpa, caberá a Theo, no desenvolvimento da história, fazer ela se libertar do mea culpa compulsório e começar a deixar de lado a imagem imaculada que se tem do marido. Que relacionamento é esse em que só um é o motivo para todos os problemas?

TERÇA FEIRA — DIEGO:

Um dos momentos que mais aprecio da série é quando o Theo sorri. Não acontece sempre. Às vezes ele está tão intrigado com o que ouve que não reage. Às vezes, a reação não vale. Mas quando o sorriso vem, é porque a pessoa que o provocou, mereceu. Diego era atleta na escola, bom desempenho esportivo e escolar. Mas nem sempre os melhores diamantes fazem os melhores anéis: Diego está com um pouco de sangue na corrente alcoólica. Cuidado por uma governanta desde pequeno e renegado pelo próprio pai, Diego pensa que sua vida seria melhor se Neusa, sua babá vitalícia, não intervisse sempre que achasse que ele está errado. Quer a liberdade. Mas não é tão simples assim. Classificá-lo como rebelde seria fácil demais, e, como sabemos, nada nessa série é fácil. Diego apesar de emancipado é mais um adolescente desesperado por uma atenção que nunca teve. Cliché? Um pouco, mas se for bem elaborado, pode render um bom plot — porque um elemento da trama vai fazer com que Theo seja vítima da tão famosa “transferência”, fenômeno do qual os psicólogos fogem como o diabo da cruz. Vocês lembram o que aconteceu da última vez que Theo se envolveu tanto assim? Júlia não está mais aqui para contar história. Diego está.

QUARTA FEIRA — FELIPE:

Sessão de Terapia

As 3 minorias mais poderosas do planeta Terra reunidas num personagem: Felipe é judeu, gay e rico. Mas esses adjetivos pouco importam depois de meia hora escutando o cara falar. Esse sim, está perdido. Um episódio que trouxe arcos reflexivos tão diversos e tão intensos que deixou aquele gostinho de ‘quero mais’ quase que perturbador. Chega na vida, sempre, o momento em que há um desalinho entre o que você pensa e quer e, entre o que as pessoas que você ama, pensam e querem. Estilo de vida, posições sociais, políticas, emprego e carreira, vida pessoal. Tudo desmorona no seu ombro e junto disso, vem o medo do julgamento, das consequências e de tudo que pode causar cansaço emocional. Theo brilhantemente frisou: Diego não queria ser ator. Diego é ator. É claro que, deixando de lado o amor, ele não aprova os comportamentos dos seus pais. Nunca aprovou. Tanto que fugiu a vida toda de se espelhar neles e hoje é o contrário do que descreve em relação aos dois. Na superfície. Será que ele é assim tão diferente? Seu pai finge que ainda é um ricaço sem problemas para manter a pose na alta sociedade. Diego finge que não está apaixonado por um homem a 3 anos para não ser deserdado. A mãe dele entrega flores e liga, paparica e afoga todos de caprichos. Diego saiu com uma menina em Paris só para a mãe não ficar chateada. E aí? Cortaram os 3 dedos que apontam para você quando você apontar 1 dedo para alguém? O cadeado da prisão de Diego pertence aos pais. Mas ele tem a chave. Por que, Meu Deus, por que ele se recusa a violar o cadeado? Calma: é só a primeira semana.

QUINTA FEIRA — MILENA:

Lembram dela? E do Breno? Vocês lembram? Quem é vivo sempre aparece. Se você tiver sorte, quem é morto também. 2 anos atrás, a história do Breno deleitou o público com a profundeza das escavações sentimentais que apresentou. E há 2 anos, eu já escrevia sobre redenção. Hoje, volto ao tema: Milena parece estar ótima. E acho, sinceramente, que está. Mas sabe aquela sensação de que tudo está muito bem e você simplesmente não acredita? Daí você vai procurar o que está tão errado ao ponto de parecer que tudo está certo. A boa notícia: nunca vai te faltar assunto na terapia. A má: você sempre vai encontrar mais do que gostaria. Milena chega de luto superado no consultório do Theo e o episódio chega cheio de simbolismo: bateu uma saudade quando eu vi aquela caixa de lenços. O tempo voa. Independente e trabalhadora, Milena mostrou desde cedo ter a consciência de que agora tinha um filho para criar sozinha. Mas o moleque está dando trabalho. De novo o carrasco do pai do Breno, criticando tudo, enchendo saco. O velho está dando trabalho. Breno disse uma vez, 2 anos atrás, que passou a noite inteira para fazer a descoberta mais importante da sua vida: não amava Milena. Qual será a grande descoberta que Milena vai fazer? Não sei se é a água, se o sofá é mágico — mas ainda tem um oceano para passar debaixo da ponte nas próximas semanas. Sabemos que vimos algo de extrema qualidade quando ficamos sem palavras. Não sei o que dizer. Eu estou, sinceramente, curioso. Vocês também?

SEXTA FEIRA — GRUPO DE SUPERVISÃO:
Primeiras coisas primeiro: Dora, nós te amamos. Mais uma musa: Camila Pitanga está super sexy. Vem ao caso? Talvez. Os últimos tempos não foram fáceis para o Theo: perdeu o pai, perdeu a esposa. E agora está começando a perder o filho [para as drogas]: no meio da semana, eu já sabia que o caso do filho dele iria se entrelaçar com o de Diego. Theo resistiu bravamente aos acontecimentos passados, mas será que ele vai aguentar mais um? Tudo aconteceu nessa série. Mas Theo esteve sempre lá. Forte. Ele teve seu merecido descanso, velejou e voltou. Pela primeira vez desde o começo, ao invés de Dora, visitamos novos horizontes: Rita, Guilherme e Evandro. Rita é aquela persona com a qual rapidamente você cria simpatia. Guilherme, por sua vez, é o contrário. E Evandro, bem… estamos descobrindo. Ao pedir conselho sobre o caso, ficou clara a preocupação do Theo — enquanto pai e profissional. Enquanto pessoa sensata. Ele sabe que mais um baque desse pode ser “fatal”. A visita de seu irmão foi aquele esfregar na cara: Por que você não é pai quando seu filho precisa de um? Será que seus filhos precisam pagar uma sessão para receber sua atenção? Theo não pode se deixar abalar. A ideia desse grupo é interessante, legal, inovadora. Apesar de cumprirem o mesmo papel de análise dela, Dora era mais legal. Rita tem tudo para ser sua nova amiga/confidente, Guilherme e Evandro os mais carrascos. Essa temporada vai ser o ápice da pessoalidade da história de Theo especialmente em relação a sua família.

Esta crítica é dedicada a Daiana Sigiliano, ex-Boxer, e que era minha supervisora aqui no site quando comecei a falar desta série. E a única pessoa que eu tinha para comentar os episódios (além de todos vocês leitores, claro). Foi uma primeira semana pegando fogo. Sempre é. Esperamos que não apague. Sessão de Terapia voltou. Gostaram? Permaneçam pacientes!

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