Skins: A corajosa segunda geração

Eu conheci uma garota hoje. E ela é… linda. — Freddie

Você conhece a expressão 8 ou 80? Já ouviu falar em tudo ou nada? Sabe quando dizem que existem pessoas que não dividem seus segredos nem com o travesseiro? São todos esses ditos que definem a problemática segunda geração de Skins.

Trocar o elenco de uma série de TV é sempre uma atitude arriscada. Há toda aquela história de apego dos fãs e o medo de tudo desandar depois das mudanças. Mas para uma atração como Skins, esse fato mostrou-se totalmente necessário, e contribuiu para a consolidação de seu sucesso.

No final da segunda temporada já estava definido que os roteiristas dariam continuidade nas histórias de Effy e Pandora, portanto, elas estariam presentes na segunda geração, conjuntamente com o restante do elenco, que foi escolhido em audições em Bristol e Londres.

Antes de ter contato com essa nova fase de Skins, eu fiquei um pouco apreensivo com essa atitude. Por que continuar narrativas da primeira geração se o objetivo era uma renovação total? Eu não sabia que estava diante de uma das mais sábias decisões que um showrunner poderia adotar.

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Trazer Effy, em especial, foi brilhantemente perfeito. Não sabíamos muito sobre a tímida personagem, só havia dado tempo de vermos sua fraternidade com o irmão, a amizade com Panda e o seu jeito ousado de levar a vida. Effy vivia sob uma máscara da inocente irmã caçula. E foi preciso mais duas temporadas para que desvendássemos a sua superioridade.

Não dá para negar que a segunda geração girou em torno de Effy. Praticamente todas as tramas eram consequências de suas atitudes. Mas isso foi construído de maneira tão fantástica que víamos o despertar de um conflito interno em cada personagem, estando envolvido com Effy ou não.

A única narrativa independente foi o romance de Naomi e Emily. É uma das melhores lembranças dessa geração. O flerte que começou de maneira acanhada tomou proporções tão grandes que é impossível não se emocionar nas cenas da floresta. Emily conseguiu me conquistar do começo ao fim, sempre deslumbrante e corajosa; apesar de sua escolha sexual, constantemente me arrancava suspiros.

Vamos agora à parte mais significativa da trama? Os três mosqueteiros. Cook, JJ e Freddie, pessoalmente falando, me ganharam por se assemelhar com a minha relação com os meus amigos. E tenho certeza que muitos de vocês sentiram o mesmo. Uma amizade arquitetada desde a infância e que acaba sendo desmembrada por causa de uma garota.

Freddie era o príncipe que toda garota sonhava. Mas o seu problema era exatamente o grande respeito por tudo e por todos, sem força para lutar pelos seus desejos. Os conflitos envolvendo o personagem eram os que mais me impressionavam. A bipolaridade que ele enfrentava era de deixar o coração nas mãos, aquela vontade de falar tudo o que sente, mas não conseguir e acabar simplesmente fumando um baseado.

É exatamente isso que me fez apaixonar por Skins. A forma banal e geniosa como a série conseguia explorar sentimentos e conflitos internos. Da mesma forma que o transtorno de Freddie me deixava angustiado, conseguia também me deixar alegre, porque era o que unia ele a Effy. E os haters que me perdoem, mas estávamos diante do melhor casal de toda a história de Skins.

Cook mostrou-se brilhante durante as duas temporadas. O grosseiro personagem não tinha medos e nem mesmo delicadezas, e não teve receio de lutar por Effy. Desde já dava para perceber o quanto ele já mostrava sua importância; ele foi cuidadosamente criado para abalar todos os outros personagens. Cook e Effy provocavam os instintos mais pessoais de todos que os cercavam.

JJ não chegou a pleitear o coração de Effy, mas nos rendeu ótimos momentos, como por exemplo, sua primeira vez com Emily (invejinha) e sua paixão por Lara. Naomi também rendeu uma ótima narrativa na quarta temporada, com todo o drama envolvendo a garota Sophie e a descoberta dramática de Ems.

Katie, Panda, Thomas e Karen deram sua contribuição para a excelência dessa geração. De maneira não satisfatória, mas deram. Menções honrosas para: a briga de Katie e Effy e o “I’m Katie Fucking Fitch”; Thomas e sua paixão platônica por Katie; Panda e Cook; e Karen e o Sexxbomb. Mas claro que quem mais destacou-se foi Effy.

Todos os seus episódios eram sombrios. E por causa de toda essa sua depressão e a incrível bipolaridade tivemos um dos finais mais sinistros. Cook e Freddie tiveram destinos ruins por conta dela. É difícil admitir, mas a morte do último episódio foi, sim, culpa da Effy. Morte a qual só obtivemos uma resposta concreta no penúltimo episódio da sétima temporada.

Na minha opinião, essa foi, sem sombras de dúvidas, a melhor geração de Skins. Ótimos personagens com conflitos internos interessantes, a atmosfera sombria e depressiva de Bristol e tramas mais adultas. Effy, Freddie, Cook e Emily são os meus xodós dessa fase, e quais são os seus?

Até semana que vem com a polêmica terceira geração!

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