Skins: A delicada 3ª geração

Eu não pedi a ninguém que se apaixonasse por mim.”– Franky

Se os roteiristas de Skins fossem brasileiros, eu afirmaria com toda a certeza do mundo que eles buscaram inspiração na segunda geração do Romantismo para escrever a terceira geração da série. O profundo subjetivismo, a evasão da morte, o saudosismo, o sentimento de angústia, o sofrimento amoroso e a fuga da realidade foram características que se difundiram entre os personagens dessa geração.

A maior parte do elenco era inexperiente na TV — com exceção da atriz Dakota Blue Richards, que apareceu no filme A Bússola de Ouro, de 2007. As audições ocorreram mais uma vez nas cidades de Bristol e Londres, e não tivemos a volta de nenhum personagem das gerações anteriores.

A narrativa começa com a chegada da andrógena Franky, vinda da cidade de Oxford. Naquele momento Skins ganhava a protagonista da sua nova geração. E a personagem não decepciona! Carregada de conflitos internos, duas temporadas foi pouco para explorar a amplitude de Franky.

Ela pode não agradar a todos, mas se atentarmos, conjuntamente com Effy, a personagem dá um show de explosão de sentimentos. Seja com o drama excessivo, os diálogos explosivos, a crise de identidade, a descoberta da sexualidade… é quase inacreditável que tudo isso esteja presente em uma pessoa só.

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De início já percebemos que a nova trama de Skins está um pouco mais branda. A temática das drogas e o sexo abre espaço para focar mais na relações humanas, sejam elas a amizade, amorosas e familiares. A falta de conhecimento imediato acerca dos personagens também dá um ar de mistério na história.

Terei o desprazer de criticar negativamente o trabalho de Laya Lewis, a Liv. De todos os atores que passaram por Skins, a atriz foi a única que teve uma atuação abaixo da média. Era sofrido aguentar os dramas de Liv, e ainda aturar o fraco trabalho da atriz ,que não conseguiu me convencer em nenhum momento.

Embora o desempenho de Liv não tenha sido satisfatório, ela fez muitas vezes a trama andar. Pegando o Nick, pegando o Matty, querendo pegar o Alex, se drogando muito. Por falar em Matty, vi dezenas de fãs reclamarem de ele não ter tido nenhum episódio. Mas cá entre nós, ele sempre foi peça fundamental nos episódios da Franky, Liv e Nick, então, havia mesmo a necessidade de ter um só pra ele?

Sem falar do casal fofo Rich e Grace. Inspiravam romantismo a todo momento. Pareciam ter sido teletransportados diretamente de um conto de fadas. Apesar de ser apaixonado pelos dois, ambos tornaram-se motivos para que a geração me decepcionasse. Primeiro Rich que mudou do dia pra noite e perdeu sua essência.

Depois Grace que, após sua morte, continuou influenciando todos os personagens. Tudo girava em torno dela, e mesmo morta ela estava presente em decisões importantes de cada um. Matar Grace no “início” talvez tenha sido o maior erro da sexta temporada. Mini e Alo eram bons mas, na minha opinião, não tinham tanto potencial como um casal.

Eles mal funcionavam sozinhos. Mini era a traída que engravidou do garoto da fazenda e teve um momento quase lésbico. Alo era o pervertido que conseguiu ficar com a garota mais linda da turma. Clichês acompanhados de um final previsível. Alex só serviu para tentarem dar mais importância a Liv, mas mesmo assim, não conseguiram.

Nick foi o grande destaque dessa geração. E é o meu preferido também. Os episódios dele eram de tirar fôlego, os seus ataques de ira eram belíssimos de se ver. E para conquistar de vez, ele começa um romance com Franky. Torci tanto pelos dois! Mas até que entendi a decisão de Franky, se apaixonar era algo novo pra ela, e se amarrar para quê, se ela tinha uma vida toda pra frente?

Um personagem que não teve um episódio pra ele, mas merecia (muito mais que o Matty), foi o Luke. Ótimo personagem construído acerca dos dramas de Franky, e o ator também dava um show de dramatização. O tom sinistro que a trama tomou na sexta temporada não foi suficientemente convincente, e mesmo com ótimos personagens, a terceira geração parece fugir do padrão de Skins.

Franky, Nick e Luke são os meus preferidos dessa geração. E quais são os seus? Até semana que vem com o último texto da nossa despedida.

PS: A melhor abertura é a da sexta temporada.

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