Skins: a realidade nua e crua

Sabe o que dói mais sobre um coração partido? Não ser capaz de se lembrar como você se sentia antes.” — Cassie

Foi árduo despedir de Skins. Mas da mesma forma que os personagens seguiram o seu destino, é hora de nós seguirmos os nossos também, mas sem nunca abandonar as lembranças dessa série que nos fez crescer e olhar o mundo de outra forma. E foi pensando nisso que o Box de Séries decidiu fazer uma despedida à altura.

Revolucionar. Foi esse o objetivo de Bryan Elsey e Jamie Brittain ao conjuntamente trabalharem no roteiro de Skins. A maneira como os personagens cresciam na trama fugia da maneira tradicional das séries adolescentes. Com uma história audaciosa, tudo no programa foi minuciosamente trabalhado para tornar-se atraente.

O grupo de escritores — cuja média de idade era de 21 — conseguiu fielmente trazer à TV a realidade do jovem com um estilo nunca usado antes. Nascia então, um novo tipo de público. Aqueles que estavam cansados de “mastigar” tudo o que a mídia trazia, apelando para ver algo que se assimilasse à sua existência, ao seu jeito de levar a vida.

A imprensa chama esse telespectador de jovem adulto. Mas eu vou mais além, de uma forma geral, o público de Skins é formado por um grupo de jovens que não se interessa mais pela beleza padrão que é sempre difundida como a ideal. Beleza esta que não se aplica somente à aparência física. As falhas e imperfeições humanas também importam. A geração mocinho/vilão estava definitivamente extinta.

Skins THUMB

Outra novidade trazida por Skins foi a expansão da trama. Pouca conhecida na época, mas bastante discutida nos dias hoje, inclusive por nós do Box de Séries. Era visível que o canal E4 tentava algo ousado, e isso também contribuiu para ampliar o fenômenos Skins, além de tornar o canal britânico um dos mais bem vistos em todo o mundo.

Skins, nos seus dois primeiros anos, teve um nome que encabeçou o seu sucesso, Tony Stonem. O personagem, que no início parecia ser o galã da série, mostrou ao mundo a veracidade ser jovem nos dias de hoje. Era antipático e mesquinho mas compartilhava de uma enorme fraternidade. E depois de um grave acidente, passou por um mudança de personalidade convincente.

Tony pode ter sido o maior nome dessa geração. Mas é errôneo afirmar que ele foi o protagonista. Cada episódio centrava-se um personagem diferente, nos introduzindo na mente de cada um que compunha aquela trama. No primeiro ano tivemos muitos enredos explorados. Um triângulo amoroso, a frágil adolescente anoréxica, a atração entre aluno e professora etc.

O que importa é que cada assunto era tratado de maneira efetiva, sem deixar pontas para especulações posteriores. Os personagens Sid e Cassie roubaram as cenas por diversas vezes. Há quem diga que eles eram um ótimo casal. Mas temos de convir que eles funcionavam muito melhores sozinhos, e por mais que eles nutrissem um belo romance, os seus dramas pessoais rendiam ótimos episódios.

Em relação ao polêmico Maxxie, sua sexualidade foi um mero detalhe, perto da grandiosidade da trama envolvendo sua amizade com Anwar. É possível gay e hétero estabelecerem tal cumplicidade sem preconceito? Esse com certeza foi um dos meus assuntos preferidos, e que a série abordou de maneira belíssima.

Em toda a história de Skins, nunca tivemos um personagem como Chris. Ele conquistou o público por sua maneira arriscada de viver a vida. Inspirava motivação, mas ao mesmo tempo era quem mais sofria as consequências do destino. Confesso que ele é o meu personagem preferido dessa geração, por tudo, sua simplicidade, coragem, e excesso de amor por Angie e Jal.

Alguns personagens como: Michelle, Jal e Sketch, apesar de estarem presentes em algumas tramas principais, às vezes eram deslocadas para elenco secundário. Não porque eram ruins, muito pelo contrário, eram tão boas e tão amplamente exploradas que sempre que estavam presentes roubavam a cena.

Ainda tivemos Effy, mas isso é assunto para um próximo texto. Tivemos também a personagem Abby, mas e aí quem se importa? Eu tenho quatro momentos muito marcantes dessa primeira geração: Tony chupando Maxxie; o elenco cantando Wild’s World; Sketch naquele musical sobre o Osama (a música ainda perturba minha cabeça); e a morte de Chris. Quais são os seus preferidos? Deixe nos comentários.

A autenticidade em trazer assuntos como sexo e drogas foi algo polêmico na época. Sendo um dos motivos da versão americana da série ter sido cancelada. A minha opinião sobre tal controvérsia é que o público de Skins são adolescentes maduros que conhecem muitíssimo bem a realidade, e por isso gostavam tanto da série. Cabia a nós filtrar o que era necessário, até porque as consequências de tais atos eram muito bem exploradas. Meu p** pra censura.

A primeira geração foi a que definiu os trilhos de Skins. Não é a minha favorita, mas a aplaudo de pé por ter conseguido ser tão destemida e me apresentar a um formato novo de narrativa, a qual me alertava para os perigos da vida mas ao mesmo me aspirava a viver uma vida nos limites.

Não é minha predileta porque em comparação as gerações seguintes, trouxe personagens muito normais, sem muitos desvios de padrão. Com exceção de Cassie e Tony, claro. Mostrou personagens que já me pareciam familiares, e preferiu explorar ações, eu gosto mais quando o íntimo dos personagens é aproveitado.

Saudade esteve presente ao escrever esse texto. Espero que tenham gostado dessa minha análise sobre a primeira geração, e conto com vocês para participarem dessa despedida que nós preparamos. Agora é hora de vocês chorarem comigo:

Vejo vocês semana que vem, nips!

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