Skins: Adolescentes de Verdade

Adolescência é aquela fase do auge, né? Tudo é o topo do drama quando a gente está nela. Tudo é intenso, multi-colorido, confuso e, na maioria das vezes, indefinível. Quando a gente é adulto, passa a ser a fase mais irritante… dos outros, claro!

E nenhuma série exprime isso melhor do que Skins. Esse é o tema da O Melhor e Pior de… desta semana!

Adolescentes de Verdade

Esqueça The OC, Dawson’s Creek, Gossip Girls e afins. Ali ninguém era adolescente… Ou pelo menos, não estavam tão próximos desta fase quanto os jovens de Skins. Nesta série inglesa, que se passa em Bristol, você olha para aqueles magrelos desajeitados, pequenos e logo aceita que eles podem mesmo ter entre 14 e 16 anos (ainda que os atores tenham um pouquinho a mais).

Eles não são super gatos, super bombados, super modelos. São pessoas comuns, que retratam a insegurança de centenas. E essa coisa toda não se materializa apenas pela fisionomia do elenco, mas também pelo ótimo figurino, roteiro e atuações.

Elenco de Apoio Adulto

Skins tem um porção comédia que faz da série algo ainda mais incrível. Nada se resume ao drama dos filhos que estão aprendendo a se relacionar na escola. A coisa evolui para o núcleo dos adultos, que são moderadamente explorad0s — o que é ótimo, afinal os astros são mesmo os adolescentes.

Os tais adultos são praticamente tão ferrados quanto os jovens, o que coloca tudo no mesmo nível. A série aproxima a história da tela com a da vida real: todo mundo é f*dido. Não importa a idade. O barato é que são os problemas destes pais que acabam sendo a válvula de escape para toda tensão e drama, afinal não são raras as vezes em que os professores e pais, com seus problemas, que viram piada.

Edição e Captação

Através da edição e também da captação de imagens, os caras conseguiram criar uma linguagem bem próxima do que parece ser a adolescência. Planos de câmera conturbados, por vezes desfocados e tremidos. Cortes chocantes, trilha sonora estourada, cores extremamente saturadas ou apagadas. Tudo é tão confuso quanto ter 15 anos.

Tudo também depende do clima para ser definido e tudo é tão mutante quanto as horas do dia de um adolescente.

Troca de Elenco

A gente se apega. Por mais que mantenham um personagem ou outro, fica difícil aceitar que a grande maioria do elenco seja trocada por novos garotos. O que complica é o fato de estarmos acompanhando o dia-a-dia daqueles jovens e não dos estudantes daquela escola. Entende?

No fundo, a série é focada no colegial, em jovens da faixa etária necessária para frequentar estes anos de estudos que vêm antes da faculdade. Mas o destacado são as pessoas, e não a rotina deste período, e você naturalmente se apega a eles.

Mas, no terceiro ano, somos jogados na realidade de um outro grupo de alunos. Os alunos da temporada anterior já não eram mais colegiais, sendo vagamente lembrados. O problema é que não há um vínculo criado entre a série e o espectador. Há uma forçada para que a gente aceite Effy como o elo de tudo. Mas, a bem da verdade é que Effy nunca foi lá grande coisa.

Drogas e Sexo

Há um certo exagero e escandalização no uso de drogas e no abuso do sexo em Skins. A série se propõe a mostrar o que está a flor da pela, e é inegável o envolvimento de jovens com drogas, álcool e a curiosidade com o sexo. É a tal fase das descobertas. Mas isso é jogado na tela inúmeras vezes e de forma chocante, às vezes, até desnecessária.

Dizem que adolescentes só pensam naquilo. Quem aqui já foi, é capaz de julgar e ter sua própria opinião. Será que é mesmo? Vendo Skins fica uma hipótese: adolescentes ingleses só fazem aquilo!

Perdendo o Rumo

Uma das cenas mais divertidas de todo o seriado acontece quando dois dos personagens principais se juntam dentro de um comum carro inglês e correm pela cidade fugindo de uma situação. É uma fulga alucinada, desenfreada, realmente sem rumo.

Tal cena faria ainda mais sentido se abrisse o quarto ano da série, totalmente jogado à qualquer coisa, focado em personagens sem carisma, cujos dramas já não eram mais interessantes. Os temas até são válidos, mas a abordagem já não faz mais sentido. Não parecia Skins, com seu humor e crítica ácida, sempre se referindo às crises educacionais da Europa e ao comportamento adulto/infantil. Quem são as verdadeiras crianças?

Skins pode se vangloriar por ser uma série adolescente sem herói e mocinha, o que por si só já destrói um padrão e merece destaque. Porém, vale a pena ter uma referência clara a algo que a gente já conhece. Nos conforta assistir.

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