Sobre a orgiástica Sense8

Amada pelos mais recentes fãs, Sense8 é tudo isso mesmo?

Engraçado pensar que há menos de um mês, Sense8 não passava de um grande burburinho. Hoje, a série da Netflix arrebanhou uma legião de fãs ensandecidos que a defendem com unhas e dentes. Tem mais fãs que o próprio Boechat e o seu famoso quote “vai procurar uma rola”!

Sobre a orgiástica Sense8

E porque eu lembrei de Sense8?

Tudo começou quando eu fui fazer um bolo e escolhi os melhores ingredientes. Paguei caro por muitos deles e, no fim das contas, o resultado final foi deplorável. A joça não cresceu, ficou com gosto de sola de chinelo [não que eu tenha provado chinelo, só pra deixar claro] e o destino acabou sendo a lata do lixo. Nem a Greta, minha cachorra, quis. Apenas deu uma cheirada de leve e saiu em desabalada carreira.

E então aquela lâmpada de ideia se acendeu em minha cabeça e pensei: é isso! Vou falar sobre a orgiástica Sense8, a prova mais viva de que bons ingredientes não resultam em um bom bolo, por mais que todos pensem o contrário.

Qualquer um se vê seduzido logo de cara pela série. A profusão de gente bonita e a exposição despudorada das partes de seus corpos, regados a uma incessante profusão de suor e fluídos, deixa qualquer um estupefato [estou seguindo um programa lexical que me desafia a usar uma palavra diferente por dia. Hoje foi “estupefato”]. Mas, depois de um tempo, me vi em um engodo.

Gente, a última e única coisa relevante que os Wachowski fizeram para o mundo foi Matrix. E isso porque já era uma bricolagem de um monte de teorias filosóficas e referências pop. Não fizeram mais nada além disso. Só que eles fizeram a cama e deitaram na cama. Sense8 nada mais é que uma tentativa fracassada de consertar tudo o que deu errado em Cloud Atlas. Mas se não deu certo antes, também não deu certo agora.

Sense8 está no mesmo nível de cretinice que A ascensão de Júpiter com a diferença que agora não tem o carinha que é sósia do Austin Powers e ganhou um Oscar por entortar o pescoço. É o tipo de série pretenciosa demais, feita para conquistar inteligentinhos, típico dos Wachowski. Sem contar que é óbvia e cheia de diálogos mega didáticos.

Qualquer um que tenha mais de vinte e cinco deve ter jogado Mario Kart. Todos os bonequinhos tinham seus pontos fortes e fracos, mas, se você quisesse arrasar, era só pegar o Toad, que se saía bem em qualquer fase. A coreana lá é igualzinho. Se quiser soltar umas pancadarias, é só pegar ela.

Se quiser escapar de bandidos dirigindo um caro, pega o queniano e pronto. Se quiser embromar nas falas, recrute o ator. Sabe, assim? Tudo meio óbvio.

E na hora de rolar a putaria, quem você chama? Só os mais bonitões esteticamente. A série bateu tanto na tecla de que o alemão tinha uma grande tromba, mas esqueceram de mostrar a do queniano. Dizem as más línguas que estes são insuperáveis.

No fim das contas, percebi que Sense8 teve bons ingredientes [a sequência toda do Museu Diego Rivera e a cafonice deliciosa de What’s up do 4 Non Blondes], mas deixou um sabor muito indigesto. Uma comida que levou mais de doze horas para ser comida e que até agora está dando queimação.

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